Sábado, 27 de Maio de 2017

Artigo

Rolemberg Estevão de Souza: Campo Grande de ontem, de hoje e de amanhã!

Rolemberg Estevão de Souza é Diplomata

17 ABR 2017Por 01h:00

Em visita recente à cidade – mais uma entre tantas – surpreendi-me a rememorar acontecimentos de minha juventude na Campo Grande do final dos anos 50 e início dos 60. A formação cultural em uma sessão do cine Alhambra, Santa Helena ou no Rialto dos Pedutti – verdadeira escola em suas mensagens audiovisuais – se dava de maneira natural, como uma grande faculdade de cultura, ensinando a história do mundo a toda gente. Novos amigos e amigas – e os primeiros galanteios – em encontros na sorveteria Torino dos Ballatore, ou a caminho da Livraria Trouy, ou no folhar de páginas já na Livraria, muitas vezes acompanhados de boas conversas com o culto e elegante senhor Aguinaldo Trouy. Seu estabelecimento ficava ao lado da antiga sede do prestigioso Correio do Estado, à rua 14 de julho, em frente ao Bar do Senhor Antonio Gaspar, famoso pelos happy hour dos finais de tarde alegres e descontraídos. 

Recordo-me que a cultura e a política não eram estranhas ao nosso dia-a-dia. A presença em Campo Grande do Arquiteto maior do Brasil, Oscar Niemayer, no Colégio Estadual Maria Constança de Barros Machado foi um evento no qual muitos estudantes sonharam seguir nessa que é das mais belas profissões, enquanto que a visita do presidente João Belchior de Marques Goulart nos fazia pensar em voos maiores, que o otimismo dos anos JK já nos ensinara serem alcançáveis. Foi na casa do fazendeiro Assis Brasil Correa, esposo da virtuosa dona Antonia Pereira Correa à rua Barão do Rio Branco, esquina com a rua Pedro Celestino,pais do Engenheiro Agrônomo Danilo Pereira Correa,onde conheci o presidente João Goulart e ganhei do fabuloso gaúcho Mário Correa, pai do senhor Assis Brasil Correa a “História do Rio Grande do Sul”, quando comecei a admirar a luta desse laborioso povo do extremo sul do Brasil. O encontro despertou em mim o interesse pelas questões nacionais e, hoje me parece claro, um certo senso de responsabilidade, de nacionalismo. 

Cedo me tornei diplomata. A escolha da profissão não teria sido possível sem o apoio incondicional e carinhoso daqueles que me escolheram filho eletivo, Antônio de Souza e Izaurinda,a dona Izaura,Hilda e demais familiares, que em sua simplicidade e retidão contribuíram para formar o cidadão, preocupado com o futuro da cidade, do estado e do país. Sem a cultura e as lições do lacerdista Antonio de Souza, assinante da Tribuna da Imprensa e admirador da família do ministro Armando Rollemberg, pai do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg. Daí o prenome Rolemberg do então mais novo membro da Família Estevão,da dedicada senhora Djanira Américo Estevão(1902-1985) e do industrial Manoel Estevão Junior(1900-1994). 

A serviço na Casa de Rio Branco, o Ministério das Relações Exteriores, permaneci muitas vezes distante de Campo Grande sem deixar de acalentar o sonho de contribuir para o desenvolvimento social, econômico e cultural da cidade e do estado, desde 1977 Mato Grosso do Sul. Nas últimas décadas servi o Brasil em postos no exterior – [Porto,Portugal; Islamabad,Paquistão; Bagdá,Iraque; Abu Dhabi,Emirados Árabes Unidos;Estado do Kuwait; e Doha,Estado do Catar] – aprofundei o conhecimento em economia, gestão pública e negócios internacionais, e passei a conhecer profundamente os meandros da cooperação internacional para o desenvolvimento. 

Neste momento em que o país passa por uma das etapas mais difíceis de sua história, a melhor forma de contribuir com meus concidadãos é atuar de forma mais ativa na vida e na política local e estadual. Transformar a experiência de uma vida em projetos para a melhoria das condições de vida da população, para a ampliação da infraestrutura do estado e para o incremento de suas atividades econômicas e comerciais. Como nos versos do saudoso Manoel de Barros, “Não aguento ser apenas//um sujeito que abre//portas, que puxa//válvulas, que olha o//relógio, que compra pão//às 6 da tarde, que vai//lá fora, que aponta lápis,//que vê a uva etc. etc.”

Minha singela contribuição, a sua e de muitos outros terá de Campo Grande uma resposta ao mesmo tempo simples e gratificante: obrigado!

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