Sexta, 24 de Março de 2017

ARTIGO

Octavio Luiz Franco: "O valor da ciência unida ao empreendedorismo"

Coordenador do S-Inova Biotech, professor do programa de pós-graduação em Biotecnologia da UCDB

20 JUL 2016Por 02h:00

A ciência e a pesquisa sempre têm sido associadas em nosso país a gastos e a falta de resultados em curto prazo. Ledo engano imaginar que a ciência e o desenvolvimento tecnológico não devam ser prioridade, como educação, saúde e segurança.

Basta olharmos para os países mais desenvolvidos e analisarmos as diferenças e benefícios que o desenvolvimento tecnológico pode trazer. No último mês a prestigiada revista Nature publicou um belíssimo compendio sobre os benefícios do desenvolvimento tecnológico e da ciência para determinados países. 

Naturalmente, o desenvolvimento neste sentido nasce de uma parceria bem estruturada entre três principais atores que incluem as universidades, o estado e as empresas. Cada uma desta entidades apresentam suas próprias culturas, forças e motivações.

As universidades e seus pesquisadores são cobrados em dar uma resposta ao investimento público com o desenvolvimento de inovações, o estado notoriamente deve estar envolvido em resolver os problemas de seu povo e as empresas estão sempre pressionadas pela concorrência a trazer produtos melhores e mais competitivos ao consumidor.

Assim, com múltiplas qualidades e motivações, a combinação entre os três pode ser extremamente sinergética e desta forma muito poderosa.  

Apesar desta combinação ser extremamente vencedora, existem dificuldades para que o desenvolvimento possa ocorrer a contento. Em primeira instância, a linguagem e a comunicação entre os profissionais podem ser difíceis e são necessários profissionais conectores, que possam transitar e fazer fluir a informação nos diferentes universos.

Também é necessária a combinação entre sonhadores e executores, uma vez que sem sonhos criativos nada muda, mas sem executores também nada acontece. E finalmente é essencial um elevado investimento para que o dinheiro mobilize as transformações. 

Este financiamento no Brasil vem que quase em sua totalidade do estado. Por outro lado países em forte ascensão como a China, tem seu desenvolvimento tecnológico financiado em aproximadamente 35% de suas fontes por empresas que necessitam da geração de produtos inovadores.

Além disso, estes produtos e processos tecnológicos podem ser protegidos através de patentes ou segredos industriais, trazendo em um determinado período de tempo benfeitorias mais uma vez aos três grandes atores bem como ao pessoal envolvido. 

Neste quesito os campeões de proteção per capta têm sido Israel e Coreia do Sul, que consistem no momento em nações com alta capacidade de desenvolvimento tecnológico. Além disso, pequenas companhias têm sido estimuladas a nascer dentro do ambiente acadêmico a fim de unir ainda mais os pesquisadores e empresários, ampliando ainda mais a eficiência do empreendedorismo.

Neste quesito os campeões são os Estado Unidos da América, com mais de mil novas companhias start ups apenas em 2015. Neste país existem os polos de inovação onde universidades e empresas são colocadas lado a lado em locais como parques tecnológicos e a proximidade geográfica traz real desenvolvimento humano e tecnológico.

Vale ressaltar que o Brasil não aparece em nenhum destes rankings e este fato demonstra que estamos ficando para trás dia a dia. 

Está na hora de nossa nação assumir uma postura mais forte e consolidada relativa a ciência e tecnologia. A tecnologia muda a vida do homem desde a descoberta do fogo e do arco e flecha. O desenvolvimento tecnológico traz conhecimento e conhecimento traz poder e melhores condições de vida do cidadão.

Hoje as descobertas nos laboratórios realmente podem mudar o mundo, mas somente se estas descobertas forem transformadas em real inovação. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.

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