Sexta, 30 de Setembro de 2016

OPINIÃO

Octavio Luiz Franco: "Cinquenta anos de influência científica da série Star Trek"

Coordenador do S-Inova Biotech, Professor do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia da UCDB

17 SET 2016Por 01h:00

Ha cinco décadas atrás, precisamente em setembro de 1966, o primeiro episódio de Star Trek ia ao ar na televisão americana. Criado originalmente por Gene Roddenberry, a inimitável tripulação da USS Enterprise contava com icônicos personagens como o capitão James T. Kirk e o vulcaniano Spok. 
Nos dias de hoje, a serie Star Trek se tornou extremamente cult, sendo apreciada por milhões de pessoas por todo o mundo. Parte do sucesso advém não só dos personagens, mas também da tecnologia apresentada, que nos anos 60 e 70 pareciam inimaginavelmente distantes de nosso dia a dia. 

Assim nas últimas décadas, as tecnologias Star Trek estimularam incessantemente a imaginação de físicos, engenheiros e cientistas em todo o mundo, inspirando a criação tecnológica em milhares de pessoas. Provavelmente a mais intrigante tecnologia demonstrada consistia no warp drive, o conhecido sistema de propulsão da Enterprise que criava uma bolha de distorção espaço-tempo fazendo com que a espaçonave viajasse mais rápido do que a velocidade da luz. Inspirado nesta tecnologia, o físico teórico Miguel Alcuibierre demonstrou que a tal bolha pode ser possível, utilizando a teoria da relatividade de Albert Einstein. Entretanto são necessárias enormes quantidades de energia negativa, também conhecida como matéria exótica. Como esta matéria provavelmente existe em minúsculas quantidades, o sistema de propulsão permanece imaginário, pelo menos por enquanto. 

Por outro lado, algumas inovações se tornaram reais dada as inspirações obtidas no seriado. Uma delas se chama tricorder de diagnóstico. Este equipamento, criado originalmente pela empresa californiana Scanadu, é capaz de medir em tempo real, sinais vitais, absorção de calorias bem como pressão sanguínea. Hoje esta tecnologia pode estar conectada a um celular utilizando um simples app.

Além disso, o fantástico sistema de teletransporte da Enterprise que desmaterializa seres humanos e objetos também já foi produzido pelo menos conceitualmente. Embora não seja possível ainda o teletransporte de objetos e seres vivos, um análogo real de transporte quântico foi construído pelo pesquisador Hiroki Takesue e colegas, que tornou possível o transporte de um fóton a mais de 100 km. A inteligência artificial, tão presente na Enterprise, tem emergido também nos últimos anos, ao utilizar reconhecimento de voz como o programa de assistência pessoal Siri da Apple. 

Hoje, é possível conversar, com ainda algumas limitações, com seu tablet, além de dar comandos que podem ser prontamente reconhecidos. No quesito de realidade virtual, havia o Star Treks holodeck, uma sala onde a espaçonave simulava locais para treinamento dos tripulantes. Embora ainda estejamos anos luz de tal avanço, o capacete Oculus Rift pode similar uma experiência visual e auditiva fantástica, embora ainda tenha que estar continuamente conectado há um computador.

Impressoras tridimensionais também eram frequentemente utilizadas na Enterprise, tornando possível a geração de peças e alimentos. Hoje temos impressoras 3D capazes de gerar objetos complexos e até mesmo um bom e apetitoso capeleti. Assim é possível observar o quanto Star Trek pode inspirar os jovens antes mesmo de se tornarem cientistas apresentando uma influência positiva na criatividade e na geração de produtos tecnológicos. Entretanto muitas influências positivas do seriado ainda não foram transformadas em algo concreto. 

Todavia a lição que podemos tirar dessa importante relação seriado-ciência é a de que a imaginação estimula a imaginação e que sempre devemos buscar um mundo melhor através do uso de tecnologia. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.

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