Quarta, 22 de Fevereiro de 2017

OPINIÃO

Maurício Quintella: "Franquia de bagagem: muito se diz, pouco se sabe"

Ministro dos Transportes, Portos e Aviação

10 JAN 2017Por 01h:00

As novas normas aprovadas pela Anac que revisam as Condições Gerais de Transporte Aéreo têm sido bastante discutidas. Apesar delas serem muito abrangentes e avançadas na garantia de direitos e deveres dos passageiros, o tema da franquia de bagagem ficou no centro de debate. E a resposta para isso é que a medida afeta a vida de milhões de pessoas. Hoje, o avião é o principal modo de transporte de passageiros no Brasil.

Há 15 anos o setor aéreo vivia em um ambiente onde o governo controlava os preços das passagens. Muitas pessoas acreditavam que esses controles as protegiam. Naquele momento, houve a mesma apreensão que vemos hoje: a de que, sem o controle do governo, as empresas cometeriam abusos e aumentariam os preços. O tempo provou que essa visão estava equivocada. Aliás, fica aqui uma verdade histórica: quanto mais pesada é a mão do governo na regulação de uma atividade econômica, mais burocrática, cara e ineficiente ela tende a ser.

A universalização do acesso da população ao transporte aéreo, ainda em curso, teve como principal motivo a desregulamentação do setor, que gerou uma queda das passagens para menos da metade do preço de 15 anos atrás, e com isso o transporte aéreo mais do que triplicou nesse período.

Também existe uma percepção amplamente difundida de que nós temos o direito de levar bagagem de graça nos voos. Mas o fato é todos que pagamos por isso, embutido no preço da passagem, levando bagagem ou não. E não temos o direito de comprar uma passagem sem franquia. É como se as lanchonetes fossem proibidas de vender sanduíche sem o refrigerante, porque achamos que quem compra sanduíche tem direito a refrigerante “de graça”. 

E a maior vítima desse equívoco são as pessoas de renda mais baixa que continuam sem acesso ao transporte aéreo devido a medidas que aumentam desnecessariamente o custo do setor e impedem o surgimento de tarifas mais baratas.

Além disso, apenas quatro países além do Brasil têm esse tipo de regulação: Venezuela, China, Rússia e México. Diga-se de passagem, a do Brasil é a mais restritiva. Nos demais países do mundo não há esse tipo de regulação.

A liberdade das empresas oferecerem produtos diferentes para públicos diferentes possibilitou em vários países o surgimento das empresas low cost (baixo custo). São empresas que oferecem um serviço mais simples, sem regalias, a preços bastante convidativos. Essas empresas não substituíram as tradicionais, que continuam existindo e oferecendo serviços mais completos. 

Outra percepção equivocada é a de que o resultado da desregulamentação será a cobrança de qualquer bagagem por todas as empresas. Tenho convicção de que a franquia de bagagem inclusa continuará sendo amplamente praticada. Não porque o governo obriga, mas simplesmente porque muitos consumidores desejam esse produto.

Portanto, depois de muito debate, estudo e pela constatação do sucesso que essas medidas tiveram em outros países onde foram implantadas, somos favoráveis às novas regras. Nosso compromisso é desenvolver o setor e principalmente integrar e proteger o consumidor.

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