Artigos e Opinião

ARTIGO

Maria Angela Coelho: "Hora de arrumar a Casa"

Professora doutora e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo

Redação

29/08/2016 - 02h00
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Acabou a festa. O Rio de Janeiro brilhou; o Brasil nas graças e nos olhos do mundo – não somos tão ruins assim (gente boa!).

Deu tudo (mais ou menos) certo. Os gringos já embarcaram, para seus dias cinzentos – ou, não - e, de certo modo, sua vida boa (só os forrados nos euros e nos dólares vieram).  

Viram com os olhos que a terra há de comer o estilo carioca de viver;  um resistente, confiante e imbatível na alegria, apesar dos pesares.

 As comunidades desceram e se misturaram no Parque, no Boulevard, no Maraca, nas arenas de Copacabana!

Os terroristas não vieram, os traficantes, as ordens expressas dos presídios, pegaram leve e deram trégua, tanto, que quem foram pegos mesmo foram os gringos; pegos na mentira, no caô, em rede internacional; incrível bola dentro de nossa inteligência policial.  

Orgulho de ser carioca e de ser brasileiro, apesar do dia a dia. Ganhamos a medalha olímpica do bom humor, da graça, do jeitinho carioca de ser feliz. Nesses 16 dias que nos contaminaram de todo o jeito, tudo no mundo continuou igual e sob as mesmas tragédias. 

A paz oficial e mentirosa perde, a cada barco afundado no mediterrâneo, a cada bombardeio e o olhar perplexo de uma criança, para cada ato de violência de homem contra homem; gente contra gente ... civis contra civis, imigrantes de todo lado. E, a guerra mundial “não declarada”, mas, imperiosa desse século, continua violentamente dizimando a Humanidade dos Homens de Bem.

Aqui, gente de toda sorte se lança às campanhas, procurando formas novas de se venderam aos nossos olhos mais atentos! Quiçá! De olhos e atenção para o Senado, a hora de “fechar o cachão, como lacrou Malta, em pleno Senado da República, chegou - quer queira a OEA (imagina!) ou, não!

A usurpadora, a golpista, a conivente, a incompetente há de desocupar a moita, o Alvorada e todas as suas benesses; de volta pro Rio Grande, chê. Chore, esperneie, grite via satélite, pelos múltiplos canais, chegando em nossas casas; procure a Corte de Haia, o Nicolas Maduro, Evo Morales, Raul e o moribundo Fidel Castro, invoque a assombração do Chaves, Cristina Kirchner, o raio que a parta, mesmo, assim, cairá, do seu topete e da sua arrogância.

Corrupta? Sim! Cúmplice? Sim! Conivente? Sim! Laranja? Sim! Laranja de sua caricata e estapafúrdia indicação, bem como, de sua própria eleição. Dilma foi laranja de Lula, cumpliciou-se a Temer e ao casamento pró-governabilidade do PT –PMDB com vistas ao retorno de jedi, em 2018, para mais 4 anos de Poder.

Temer não é esperança pra seu ninguém. Temer é consequência dos acordos políticos de bastidores a que Lula vendeu lá atrás, para conquistar o coração do ignorante, do analfabeto, do despreparado povo brasileiro que, logo, rendeu-se às bolsas e deixou-se levar pelo discurso empolgado e empolgante do-sem-estudo, sem-caráter, sem-princípios.

Lula sempre foi um pelego, que sabe falar, empolgar a plateia, esteja bêbado, ou não. Iludiu a todos, ganhou notoriedade, títulos mundo a fora. Foi uma farsa. Faliu como Napoleão. Faliu a Nação.

Agora que está acabado; um simples arremedo do que já foi (e, nós mais espertos) tentará juntar os cacos para retornar a vida pública, em 2018, apesar de Sérgio Moro ter em posse todo o seu dossiê. Será?!

Semana do bota-fora da usurpadora, com a decretação formal do fim do PT. É pouco! A devolução dos valores provenientes do enriquecimento ilícito do “do filho do Brasil” é uma obrigação legal (cobertura, sítio e bens surrupiados do palácio, além, é claro, dos milhões que enriqueceram o cuidador de elefantes, seus outros filhos; seus parentes, amantes, família e amigos; sua prisão como mandante de crimes hediondos (Celso Daniel e outros), idem.

Sem isso, será apenas um estupro do povo, sem punição.    Aguardemos o nhenhenhem no Senado. E, que seu pranto tardio e fingido não toque a nenhum banana indeciso.

Que os militontos, os abduzidos, os lobotomizados calem-se para sempre. Vai piorar com Temer? Vai! Mas, ele é sucessor, não mero traidor e golpista. O Temer é herança maldita do PT. Depois de setembro, ainda teremos muito mais do que nos arrepender. E razões para lutar.

Depois do Impedimento, que venham as malfadadas eleições municipais. Tempo curto de campanha, mais vigilância, menos caixa 2, menos safadeza, porém... se o que diz um certo jornalista da mídia nacional, “... dos quase 170 mil candidatos a prefeito e vereador, nas eleições de outubro, 45% (77 mil) não têm nem o Ensino Médio completo.

Um punhado é analfabeto e 46 são menores de idade. (Cláudio Humberto) - tudo isso sob a má  influência de Lula, credito – estamos fritos. Dentre esses, os oportunistas, os sem estudo, os com estudo, e, ainda, sem caráter; os da boquinha nervosa...Vai ser duro arrumar esse Brasil. Caminhemos, estamos apenas começando, a partir do Fora Dilma, é claro!

EDITORIAL

Manutenção viária exige novo rumo

Quando a lógica predominante é a do remendo frequente, o município, como ocorre em Campo Grande, permanece preso a um ciclo oneroso e pouco eficiente

25/02/2026 07h15

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Campo Grande volta a enfrentar, mais uma vez, um problema que se arrasta há pelo menos duas décadas: a precariedade do asfalto, especialmente durante o período de chuvas.

A cada temporada de temporais, multiplicam-se os buracos, os remendos provisórios e os transtornos para motoristas, motociclistas e pedestres. O cenário já se tornou previsível e, por isso mesmo, mais difícil de justificar.

Não se trata de uma dificuldade recente nem de um desafio inesperado. No início da década passada, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) conduziu ampla investigação sobre a chamada “máfia do tapa-buracos”, que revelou desvios milionários em contratos de manutenção de vias.

À época, a apuração expôs fragilidades graves na gestão dos recursos públicos destinados à conservação do pavimento urbano.

Passados mais de 10 anos, a cidade novamente convive com o desgaste acelerado das ruas, o que evidencia que o problema estrutural não foi superado. Os valores aplicados na manutenção naquele período, tudo indica, não produziram o resultado esperado.

Em vez de intervenções estruturantes, como o recapeamento completo de trechos críticos, prevaleceram soluções paliativas. No médio e no longo prazo, a consequência é conhecida: custos mais elevados e necessidade constante de novos contratos emergenciais.

A manutenção viária exige planejamento técnico e visão estratégica. Recapear adequadamente uma via pode representar investimento maior no curto prazo, mas tende a reduzir despesas futuras com reparos sucessivos.

Quando a lógica predominante é a do remendo frequente, o município permanece preso a um ciclo oneroso e pouco eficiente.

Diante desse histórico, torna-se oportuno discutir modelos alternativos de contratação. Passa da hora de o Município considerar contratos mais longos, nos moldes de uma miniparceria público-privada, com metas claras de desempenho e responsabilidades definidas ao longo do tempo.

O Estado já sinaliza que adotará modelo semelhante nas rodovias estaduais, por meio do Crema, protocolo criado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e aplicado com resultados positivos em diferentes países e também no Brasil, onde o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) o utiliza em diversas rodovias federais.

O modelo prevê contratos de recuperação e manutenção com prazos estendidos, vinculando pagamentos ao cumprimento de padrões de qualidade previamente estabelecidos.

A experiência tem mostrado maior resiliência das vias submetidas a esse tipo de gestão, justamente porque o contratado assume compromisso contínuo com o desempenho da via.

Transpor essa lógica para o ambiente urbano não significa replicar fórmulas sem adaptação, mas incorporar princípios de planejamento, fiscalização e responsabilidade contratual mais rigorosos. O ponto central é romper com a cultura do improviso e do contrato fragmentado, que tende a gerar descontinuidade e ineficiência.

A população de Campo Grande convive diariamente com prejuízos materiais, riscos de acidentes e desgaste na mobilidade. A infraestrutura urbana é um serviço essencial, e sua manutenção não pode ser tratada como questão episódica.

Contratos transparentes, critérios técnicos sólidos e mecanismos de controle efetivo são condições básicas para que o ciclo de deterioração seja finalmente interrompido.

ARTIGOS

Escala 6x1: atalho perigoso ou falha na gestão?

Em setores intensivos em mão de obra como varejo, supermercados, restaurantes e call centers , em que as margens já operam no limite, a reação tende a ser defensiva

24/02/2026 07h45

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Para muitas empresas brasileiras, o debate sobre o fim da escala 6×1 não é percebido como modernização do trabalho, mas como um alerta vermelho piscando no painel de controle.

Em setores intensivos em mão de obra – como varejo, supermercados, restaurantes e call centers –, em que as margens já operam no limite, a reação tende a ser defensiva. É importante dizer: essa resistência raramente nasce apenas de má vontade.

Ela reflete modelos de gestão ultrapassados, baixa digitalização, processos frágeis e um medo legítimo de perder previsibilidade operacional e financeira.

Menos dias trabalhados por pessoa podem significar, no curto prazo, mais contratações, horas extras ou redesenho de turnos, pressionando o caixa.

Em operações que funcionam sete dias por semana, com horários estendidos, a escala 6×1 ainda surge como a forma mais simples, embora rudimentar, de “fechar a conta”. O problema é que essa lógica se apoia mais no controle da presença do que em indicadores reais de produtividade.

Dados da OCDE e do Banco Mundial mostram que eficiência não está ligada a mais horas trabalhadas, mas ao melhor uso do tempo, processos e tecnologia. No fundo, a defesa da escala 6×1 decorre mais de conveniência e receio da mudança do que de convicção.

O desafio não é apenas trocar a escala, mas mudar a mentalidade gerencial: sair do controle para a eficiência, da presença para o resultado.

Do lado do empregador, a escala 6×1 reflete uma lógica levada ao limite: maximizar cobertura, diluir custos fixos e garantir operação contínua, ainda que à custa da qualidade do desenho do trabalho. Tornou-se um padrão histórico, baseado na ideia de que horas alocadas equivalem a produtividade.

Para o empregado, porém, a leitura é outra. O modelo prioriza o negócio sobre a energia humana, comprimindo descanso, vida pessoal e a capacidade de sustentar saúde e relações no longo prazo.

A mensagem implícita é clara: “você é substituível”, o que enfraquece vínculo, pertencimento e engajamento, especialmente em um mercado mais móvel e informal.

A aparente eficiência da jornada 6×1 cobra um alto preço no médio e longo prazo. Jornadas exaustivas aumentam a rotatividade, os custos ocultos e reduzem a produtividade, um paradoxo já apontado pela OCDE.

O cansaço crônico eleva falhas, acidentes e afastamentos por adoecimento físico e mental, segundo OMS e OIT. Em um mercado mais transparente, manter a escala 6×1 dificulta a atração de talentos e amplia o desgaste reputacional, inclusive diante das agendas de ESG.

O debate sobre o fim ou a flexibilização da escala 6×1 costuma ser rotulado como ideológico, mas essa leitura é simplista. Há discurso político dos dois lados, sem dúvida. No entanto, o núcleo da discussão contemporânea está cada vez mais ancorado em evidências de gestão, saúde ocupacional e produtividade.

Países com jornadas mais equilibradas tendem a performar melhor quando combinam organização do trabalho, tecnologia, qualificação e liderança preparada, segundo a OCDE.

No Brasil, a baixa produtividade não está no esforço individual, mas em falhas estruturais. Insistir em jornadas longas para compensar essas falhas é um paliativo perigoso.

A pergunta que separa discurso de gestão é simples: a empresa mede produtividade por hora, processo e resultado ou pelo cansaço visível das pessoas? Quando a resposta é a segunda, o problema não está na jornada, mas no modelo de gestão.

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