Sexta, 30 de Setembro de 2016

ARTIGO

Luiz Fernando Mirault Pinto: "Contrassenso eleitoral"

Físico e Administrador

20 SET 2016Por 02h:00

Uma reflexão se faz necessária após a manobra para desrespeitar e jogar na lata do lixo a vontade de milhões de brasileiros externada nas urnas em 2014. Um golpe parlamentar bem planejado e urdido na calada da noite pela conjugação de interesses escusos daqueles que perderam as eleições e dos que tentam barrar as investigações contra a corrupção. 

Os primeiros, insatisfeitos com a derrota desde os minutos iniciais, que pediram a recontagem de votos, seguido da perícia nas urnas eletrônicas e complementado com as denúncias sobre o financiamento de campanha vencedor. Todas as tentativas derrotadas. Os outros, seguidores de um escroque político chantagista ameaçado de afastamento, que aceita pelo fato, a admissibilidade de impedimento da presidência, conjuminando forças espúrias reveladas em grampos telefônicos de senador ministro e da presidência do senado, com o objetivo de barrar a sangria (investigações) por meio do afastamento do chefe de estado e do governo.

Caberá à justiça ou a história responder ou registrar o fato respectivamente, principalmente porque não se trata de uma pessoa em jogo e sim de milhões de eleitores que se veem roubados em suas preferências programáticas, vontades cidadãs, e escolhas democráticas.

A divisão dos poderes estabelecida pela Constituição Brasileira dá ao Poder Legislativo, mais democrático, representativo e eleito pelo povo a atribuição de elaboração de leis e a fiscalização dos atos do Poder Executivo. 

A proximidade das eleições nos impõem escolhas daqueles que se tornarão nossos representantes na esfera legislativa e executiva municipais. Na Câmara independente do nosso voto pessoal, respeitando a vontade dos demais eleitores, ocuparão os assentos a maior diversidade de políticos, desde os supostamente preparados, bem intencionados até os sabidamente de interesses duvidosos, escusos, ou manobráveis pelos derrotados.

Vemos os candidatos à vereança apontarem suas coligações, seus partidos, suas preferencias e apoios a determinados prefeitos postulantes. Ora se cabe ao legislativo fiscalizar os atos do executivo, porque deveríamos votar naquele que se diz partidário do outro? O bom senso diria que nossa escolha deveria recair na oposição, de modo que fosse estabelecido o consenso das opiniões contrárias e, portanto o equilíbrio necessário à política e a administração municipal.

No entanto, na prática, essa fórmula colocaria em risco a vida do executivo como ocorreu na esfera federal e na municipal, onde o conluio estabelecido afastaram a presidente e o prefeito.

Só nos restaria então escolher membros da mesma agremiação e de interesses comuns, ou seja, vereadores e prefeitos de mesma cor partidária. Errado!

Políticos com os mesmos propósitos ameaçariam a democracia, podendo aprovar convenientemente leis de interesses próprios e contas de gastos estranhos, contra a população que representam. Este fato está exemplificado no Congresso onde a maioria parlamentar apoiou o golpe e hoje trabalham em sintonia com o governo por eles escolhido.

Só nos resta a escolha de um programa político, ou programático de um partido, mesmo que superficial ou falso apenas para cumprir o rito da obrigação do voto.

Apesar de o voto ser sagrado justo porque corresponde ao exercício da cidadania, resultado de uma escolha consciente, livre e responsável, de direitos e deveres, com o objetivo de promover a vida, a justiça, a paz, e garantir as conquistas sociais, eliminar a miséria aumentando as oportunidades, e melhorar o acesso à saúde, educação e ao trabalho, vimos que 54 milhões de escolhas foram desprezadas, e constitucionalmente jogadas na lata do lixo.

Resta-nos o voto em branco ou nulo – Nada disso! Quanto maior o número de votos nulos, menor a necessidade de votos válidos para que um candidato seja eleito e ao anular seu voto, possibilitará a vitória de um candidato que não venceria com os votos válidos que recebeu, e da mesma maneira o branco, que é um direito do eleitor, mas que põe em risco a legitimidade do candidato eleito e a democracia.

Democracia é isso, onde analfabetos podem votar desde que as escolhas dos “doutores” sejam as vencedoras. O “contrassenso” ou contra senso eleitoral está em desrespeitar a escolha alheia independente do gosto dos opositores.

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