Segunda, 25 de Setembro de 2017

ARTIGO

Luiz Fernando Mirault Pinto: "Além das obras físicas"

Físico e administrador

14 SET 2017Por 02h:00

Com a função de fiscalizar, aferir balanças e pesos comerciais, bombas de gasolina e alguns taxímetros no Estado, uma agência de pesos e medidas, pertencente à Representação de Pesos e Medidas de Goiás (INPM-GO), exercia as atividades de metrologia desde meados de 1972, até agosto 1982, em Mato Grosso do Sul, quando o governador Pedro Pedrossian, por decreto, resolveu criar o Departamento de Pesos e Medidas de Mato Grosso do Sul, (Decreto nº 1.736, de 2 de agosto de 1982), como órgão de atividade específica na estrutura da Secretaria de Indústria e Comércio de Mato Grosso do Sul (Setic), para executar as atividades metrológicas no âmbito e jurisdição do Estado.

Bem antes, tive a oportunidade de conhecer o engenheiro e constatar seu interesse pela metrologia, designado que fui pelo Inmetro para estudar e estabelecer junto da administração estadual de sua gestão, as bases para implantação e o desenvolvimento da metrologia no estado visando à criação desse órgão técnico específico. 

Pedrossian, pelas suas palavras, dizia-se criado às margens de uma ferrovia, apaixonado que era pelos trens que o levaram a fazer carreira como engenheiro da Noroeste do Brasil, conhecia os problemas técnicos ferroviários tais como o dimensionamento das bitolas, as propriedades físicas sofridas pelos trilhos em suas vidas úteis (alinhamento, nivelamento), a largura do comboio e das plataformas, o tamanho dos dormentes, a granulação adequada da brita e todos demais equipamentos ferroviários que envolviam a metrologia.

À época, comentara particularmente sobre a Estrada de Ferro Jari, construída para transportar a madeira para fábrica de celulose e a usina termoelétrica do projeto Jari – Ludwig (Amazônia), e ressaltava a importância da metrologia aplicada nas instalações que haviam sido construídas no Japão, ao mesmo tempo em que as fundações (quatro mil palanques de maçarandubas) estavam sendo dimensionadas para receber o complexo, no Brasil, e que isso importava um alto grau de precisão de medida.

Dizia ele da importância da verificação necessária nos vagões tanque ferroviários de combustíveis, que dependiam da aferição em outros estados e que circulavam nas ferrovias estaduais sem o controle metrológico volumétrico e da capacidade máxima de peso bruto em circulação pondo em risco a continuidade do abastecimento, a manutenção das vias férreas, à lisura das operações; por outro lado ressaltava que tal controle deveria ser estendido aos caminhões tanque rodoviários assunto que daria sua atenção especial na construção de uma base de aferição localizada na saída de Campo Grande a partir da doação de terreno (Lei nº 294, de 7 de dezembro de 1981) para essa finalidade específica. 

E assim, com a intenção de dotar o Estado de uma estrutura capaz de desenvolver a metrologia até sua consolidação, solicitou a seu secretário de Indústria e Comércio (1982) que oficiasse ao Inmetro pedindo minha permanência no acompanhamento técnico de implantação e acompanhamento dos serviços metrológicos no Estado. 

Lembrado por expoentes de opinião sul-mato-grossense, “... foi o governador mais genial que este estado já teve. Pedrossian foi um visionário. Via o que, geralmente, os outros não enxergavam...” (J. A. H. Rodrigues), ou ainda “... tinha consciência crítica da realidade que via e a que poderia ser construída, estava sempre um passo ou mais à frente...” (G.Takimoto), como um homem de visão política e social, além das obras que marcaram com uma assinatura o desenvolvimento do Estado, sabia que a criação de um órgão com essa atribuição daria apoio técnico necessário à implantação das indústrias que aqui se instalariam com o controle de metrologia e qualidade dos produtos comercializados, estabelecendo uma concorrência justa e leal em favor dos consumidores.

Sua expectativa ainda longe da realidade ia além da atividade de fiscalização compulsória de pesos e medidas e idealizava que futuramente a semelhança de outros países o órgão viria a ser uma extensão necessária ao ensino de engenharia, com a disposição de laboratórios, a prestação de serviços técnicos, e a formação de metrologistas.

O mérito da criação do DPM/MS estava além das obras físicas da administração Pedrossian, ou seja, a institucionalização e uniformização da metrologia e da qualidade no Mato Grosso do Sul ao nível dos demais estados, hoje uma atribuição da Agência Estadual de Metrologia do Estado de Mato Grosso do Sul.

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