Artigos e Opinião

ARTIGO

Luciano Stremel Barros: "MS: no centro da rota do contrabando'

Economista e Presidente do IDESF

Redação

03/03/2016 - 02h00
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Dos mais de 16 mil km de fronteiras do Brasil tem-se alguns dos motivos para tanto desemprego, crescimento da criminalidade e baixa arrecadação de impostos.

O contrabando de produtos, oriundo principalmente do Paraguai, vem causando danos imensuráveis à indústria, ao Estado e à sociedade brasileira, e hoje, infelizmente, circula quase que livremente por todo o país.

Historicamente, o Brasil é um país rodoviário, com caminhos, estradas secundárias, vias e rodovias, que dão acesso aos mais recônditos lugares. E quando imaginamos o quão grande é este emaranhado de rotas, percebemos como é frágil a nossa segurança, a má distribuição de agentes policiais e a falta de infraestrutura necessária para proteger as fronteiras. 

Estudo inédito realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF), denominado “Rotas do Crime – As Encruzilhadas do Contrabando”, mapeia as principais entradas e caminhos do contrabando que atravessam o território nacional e vão distribuindo-se conforme a demanda do mercado. 

O levantamento mostra que a indústria do contrabando está cada vez mais especializada e qualificada, com alta tecnologia e infraestrutura, capaz de se reorganizar e alterar seus percursos, migrando de acordo com a realização de ações policiais.

Isso prova que a dinâmica das organizações criminosas é bastante adaptável, tanto que, no último ano, deparamo-nos com um aumento significativo de entrada e rotas de contrabando pelo Mato Grosso do Sul, por consequência da intensificação policial no Paraná. 

As rodovias que cruzam o Mato Grosso do Sul são vias de passagens obrigatórias para grande parte dos produtos contrabandeados que chegam no Brasil pela Costa Oeste. O estado, que faz fronteira com a Bolívia e o Paraguai, vem se configurando como um dos maiores corredores de distribuição de cigarros, eletrônicos, medicamentos, além de drogas e armas. 

Outro problema a ser mencionado aqui são os impactos econômicos e sociais ocasionados nas cidades e comunidades diretamente ligadas à rota do contrabando, como violência, evasão escolar, corrupção e subdesenvolvimento econômico. Trata-se de um conglomerado de consequências que bloqueiam o desenvolvimento humano e social.

Uma das causas a para alta demanda por mercadorias contrabandeadas é o aumento excessivo de impostos aplicados sobre esses produtos, a exemplo do cigarro que tem mais de 70% de tributos, fazendo com que seu preço seja elevado e superior ao produto ilegal.

Ou seja, com mais impostos, teremos mais contrabando entrando por nossas fronteiras, o que gera menos arrecadação para o governo, provoca mais crimes, além de demissões nas indústrias nacionais que perdem mercado. O Brasil só perde!

Hoje, 3 de março, Dia Nacional de Combate ao Contrabando, enfatizamos a eminente necessidade de reforçar a segurança de nossas fronteiras e combater a entrada de produtos ilegais com ações efetivas nas regiões de fronteira, estendendo-as para todo o território nacional, de forma permanente.

Outra medida urgente é a renegociação dos tributos, com objetivo de equiparar os valores dos produtos nacionais, diminuindo a demanda de mercadorias contrabandeadas. 

O país perdeu R$ 115 bilhões, em 2015, com o contrabando. Os prejuízos econômicos vêm crescendo em ritmos exponenciais e se nada for feito para conter esse crime, a indústria brasileira chegará ao fundo do poço.

Precisamos dar um basta nessa criminalidade e na inoperância do governo, que deve escolher com quem ficar, se com o Paraguai ou com o Brasil! 

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Agro brasileiro exporta mais, mas o próximo desafio é gerar mais valor

O desafio agora não é apenas ampliar a produção, mas avançar em uma agenda de inovação, processamento, rastreabilidade e sustentabilidade capaz de aumentar a eficiência e a rentabilidade ao longo da cadeia

17/08/2026 07h20

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O agronegócio brasileiro começou este ano com um recorde, US$ 38 bilhões em exportações e superavit de US$ 33 bilhões no primeiro trimestre, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Mas, por trás do resultado histórico, há um dado que merece atenção: enquanto o volume exportado cresceu 3,8%, o preço médio recuou 2,8%. O Brasil está vendendo mais, mas ainda precisa capturar mais valor por aquilo que produz.

O desafio agora não é apenas ampliar a produção, mas avançar em uma agenda de inovação, processamento, rastreabilidade e sustentabilidade capaz de aumentar a eficiência e a rentabilidade ao longo da cadeia.

A urgência também é global. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que o mundo segue distante da meta de reduzir pela metade o desperdício de alimentos até 2030.

Para o agro brasileiro, isso significa que produzir mais precisa vir acompanhado de aproveitar melhor o que já é produzido, reduzindo perdas e agregando valor.

Nesse cenário, tecnologias voltadas à armazenagem, logística, rastreabilidade, bioinsumos, agricultura regenerativa, processamento e novos alimentos deixam de ser apenas ferramentas de sustentabilidade e passam a representar oportunidades econômicas.

É nesse ponto que agtechs e foodtechs ganham relevância. Startups desenvolvem soluções para problemas que vão da produtividade no campo à conexão com consumidores, enquanto plataformas de investimento ajudam a direcionar capital para negócios capazes de transformar gargalos históricos em oportunidades de mercado.

O Brasil já reúne escala produtiva, conhecimento técnico, empresas inovadoras e um ecossistema crescente de startups. O próximo passo é transformar esses ativos em maior valor agregado, seja por meio de alimentos processados, ingredientes, biotecnologia, tecnologia, certificações ou soluções climáticas.

A competitividade do agro brasileiro não será medida apenas pela quantidade que o País consegue produzir e exportar, mas também pela capacidade de capturar valor ao longo dessa cadeia.

O Brasil já é uma potência agrícola. A próxima fronteira é transformar essa escala em uma potência agroindustrial, tecnológica e sustentável.

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Domínio invisível chinês

A eficácia dessa abordagem reside no ponto cego criado para o Ocidente. Atento ao desgaste de obras como megaportos e usinas

17/08/2026 07h15

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Existe uma transformação silenciosa na América Latina. Enquanto a diplomacia se hipnotiza com a rivalidade entre superpotências, a geopolítica é reescrita nos bastidores de prefeituras, editais de transporte e câmeras urbanas. Trata-se da expansão chinesa em sua versão mais sutil: um modelo que abandona os holofotes para se enraizar na infraestrutura básica que faz as cidades funcionarem.

A eficácia dessa abordagem reside no ponto cego criado para o Ocidente. Atento ao desgaste de obras como megaportos e usinas, Pequim recalibrou suas agulhas para priorizar a negociação capilar com governadores e prefeitos, oferecendo respostas imediatas a demandas locais.

Ao fornecer ônibus elétricos, gerenciar redes de energia ou manter trens, corporações chinesas erguem uma dependência sistêmica.

Cada contrato parece inofensivo, mas o efeito cumulativo é devastador: quando um estado percebe que seus serviços dependem exclusivamente de suporte chinês, sua margem de manobra política evapora.

Essa presença física serve de veículo para o motor do domínio contemporâneo: a Rota da Seda Digital. Em vez de erguer apenas concreto e aço, a China constrói os canais invisíveis da informação.

Prefeituras sem diretrizes de segurança cibernética encontram em gigantes chinesas ofertas irrecusáveis de modernização. Redes 5G e a migração de dados para a nuvem fazem a máquina pública operar sob uma arquitetura mantida por Pequim.

Consolida-se o aprisionamento tecnológico: governos locais tornam-se reféns de atualizações e suporte contínuo, transferindo sua soberania sem que a sociedade perceba.

O desdobramento mais sensível dessa arquitetura é o processamento de dados por inteligência artificial. Sob o conceito de “Cidades Seguras”, adquirem-se sistemas para mapear o tráfego, rastrear veículos e identificar rostos em tempo real, ocultando sob o combate ao crime uma colheita ininterrupta de dados biométricos.

O perigo geopolítico vincula-se à Lei de Inteligência Nacional da China, que obriga empresas a cooperarem com o Estado. Assim, o acervo colhido na região fica exposto ao acesso direto de Pequim, estabelecendo uma vigilância preditiva sem precedentes.

A corrupção e o pragmatismo político funcionam como o lubrificante ideal para que gigantes chinesas contornem auditorias técnicas e éticas.

O caso da Hikvision no Rio de Janeiro ilustra essa dinâmica: sob o pretexto da segurança pública, o estado firmou contratos milionários de reconhecimento facial em meio a denúncias de opacidade, direcionamento e superfaturamento.

Enquanto a empresa sofria sanções por riscos de segurança e violações de direitos humanos, a administração no Rio aprofundava a parceria, entregando o controle do espaço público indiretamente para Pequim.

A Rota da Seda Digital reconfigura a soberania continental. A América Latina não está sendo submetida por doutrinação ideológica ou coerção militar, mas pela dependência operacional dos elementos básicos da sociedade moderna.

À medida que prefeituras e estados entregam redes de energia, dados biométricos e trânsito ao ecossistema tecnológico de Pequim, a autonomia dilui-se de baixo para cima.

O resultado é uma hegemonia algorítmica e invisível – erguida em cada servidor instalado, câmera ativada e licitação homologada –, que redesenha o mapa do poder global sem que o mundo perceba.

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