Domingo, 23 de Julho de 2017

ARTIGO

Luci Carlos de Andrade: "Na educação, é preciso transcender"

Doutora em Educação – UFMS

21 MAR 2017Por 02h:00

Transcender, transver o mundo. Ver além das aparências, enxergar... perceber a essência. Todos nós, seres humanos, temos essa capacidade. A ausência de um olhar mais apurado, perceptivo por parte do educador, a ausência da intencionalidade, da afetividade do engajamento e da coragem do Ser professor, da escola e de todo o sistema educacional é que entrava os caminhos das mudanças, da reconstrução no processo de ensino e aprendizagem.

É na nossa relação com o mundo que se encontra o sentido de tudo. A visão dimensional do educador, a atitude reflexiva como Ser pode possibilitar novos olhares para a educação. Olhares carregados de significados, em que se conheça e compreenda a história, as necessidades, o interesse, os conflitos da criança, do pré-adolescente, do jovem. Essa deve ser a base para organizar e encaminhar ações didáticas e metodológicas interessantes, criativas e dinâmicas, para que o aprendizado seja atrativo, produtivo, interessante para quem aprende.  

A exploração do mundo ocorre por meio da intencionalidade, do ato de transcender... da capacidade do professor de ver além do óbvio. É pela intencionalidade do nosso querer, do nosso pensar e dizer que fazemos emergir o real e o irreal, o visível e o invisível, por meio de ações educativas intencionais, em que podemos proporcionar o desvelamento das potencialidades do aluno. 

O olhar intencional, a percepção da essência de cada um, implica necessariamente a entrega, a disponibilidade para a busca, para a renovação do velho, para a pesquisa, mas tudo isso carece de um encantamento natural pela educação.

É a possibilidade de amplitude do olhar, do saber, do fazer e do pensar. Elementos que supõem uma dialética contínua de conhecimento, pensamento, ação, elaboração, fazendo sempre nascer algo novo ou de novo. É preciso desenvolver em si a sensibilidade, a flexibilidade, a percepção e um sentido apurado de observação para trabalhar na educação, no aprimoramento de práticas que valorizem, estimulem e evidenciem as potencialidades, a capacidade e criatividade do aluno. Enriquecendo sua cultura, alargando o seu mundo de informação e comunicação.  Portanto, sentir, perceber, extravasar a realidade, rever metodologias, atualizar os conhecimentos, reacender experiências, reconstruir o velho e repensar as ações didáticas deve ser o nosso papel de educador dessa nova era. 

Hoje, o cenário é dinâmico, veloz, intermitente. A sociedade não é mais a mesma, a família não é mais a mesma… o homem não é mais o mesmo, a criança não é mais a mesma. Não é mais possível a educação continuar com os mesmos conceitos, encarcerada no olhar de outrora, assentada em velhos princípios e métodos que não cabem mais nos espaços ocupados pela presença atrativa da tecnologia e da rapidez na comunicação, em um mundo carregado de imagens instantâneas das redes sociais e das interações on-line.
É necessário um despertar mais que instantâneo e midiático do educador... ultrapassar os limites da docência, aprimorar-se, armar-se de coragem e ousadia para transformar a realidade educacional, querer o melhor, expandir as capacidades, ampliar as competências... porque transcender na educação, nos dias de hoje, é preciso!

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