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Luana Silva e Benedicto Neto: "O direito penal e o ódio étnico"

Advogados

Redação

24/08/2016 - 02h00
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A prisão dos fazendeiros nos atingiu a alma. Sabemos da injustiça contra eles, e não sucumbiremos diante do sentimento de impotência que minimiza e humilha a pessoa humana.

O epicentro do Manifesto Comunista de Marx é a classe social, com essência econômica. Disse Marx que a história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes.

Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e aprendiz; numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.

Naqueles idos de 1848 eram eles e nós. Neste século XXI somos nós e eles. As lutas movidas pelo ideário comunista visavam um desfazimento da dicotomia opressor e oprimido.

A política indigenista, sem disfarce e sem melindre, se embriaga da ideologia comunista às avessas. O que na essência buscava transformação revolucionária, hoje prega a segregação eterna, pois hoje se reveste de caráter étnico. 

O eles e nós antes definidos por pobres e ricos, hoje são índios e brancos; e qual é a possibilidade de uma transformação revolucionária quando o epicentro da luta é a raça? A continuar assim, inexoravelmente será uma guerra terminada pela destruição das duas “classes”.

As lutas vermelhas, já hipócritas, eram adstritas aos direitos civis. As mesmas lutas, agora étnicas, se armam com o direito penal.

Os defensores dos “direitos” dos índios batem continência ao comunismo. O executor e o fiscal da lei, de olhos vendados diante da própria lei, engatilham o instituto penal da prisão como Robin Hood numa versão indígena, escolhem lado nesta guerra ideológica subtraindo e distribuindo a liberdade.

As Cruzadas indigenistas primeiro saquearam as nossas fazendas, e agora pretendem nos destruir a dignidade.

O ordenamento jurídico veda fazer justiça com as próprias mãos, invasão de propriedade privada é crime. O Estado conta com mais de 120 propriedades invadidas por índios, destruídas, dilapidadas, incendiadas. São fatos comprovados, e não meros indícios. 

Vivemos um direito penal deturpado que se presta a legitimar barbáries de um circo de horrores em que os índios, diante das câmeras, amarraram, torturaram e assassinaram o produtor Arnaldo em Douradina.

Imbuídos de onipotência diante da defesa institucional que recebem, divulgaram que retomariam fazenda por fazenda até concluir a autodemarcação de seu território, e declararam guerra ao Estado publicando uma carta prometendo que vão avançar nas invasões de propriedades privadas.

Em Caarapó invadiram e destruíram fazendas e diversos sítios de pequenos produtores, queimaram viaturas e amarraram, espancaram e encharcaram de gasolina agentes policiais. 

Neste contexto, os índios estão livres e os produtores rurais, que buscam a tutela jurisdicional como máxima expressão da democracia, estão presos, e são obrigados a suportar a “aplicação da lei” com toda carga de um ódio étnico.

Não só Marx inspira a política indigenista. Thomás de Aquino também tem seu papel na atuação dos representantes dos índios, que hão de estar imbuídos da doutrina da guerra justa para com tamanha veemência legitimar tais condutas.

A miopia indigenista ofusca o discernimento dos Poderes que veem mas não enxergam a diferença entre agir e resistir.

Enquanto os índios agem, dando um passo à frente, invadindo propriedades, os produtores apenas resistem, simplesmente não dando um passo atrás, na verdadeira legítima defesa de seus direitos.

*Luana Ruiz Silva e Benedicto Arthur de Figueiredo Neto, advogados.

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Dinheiro não basta para uma longevidade completa

Saúde e qualidade de vida: ter recursos para acessar os melhores planos de saúde é um privilégio, mas o verdadeiro ativo de longevidade é a funcionalidade do corpo

06/04/2026 07h45

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A preparação financeira deve ser, sim, um dos pilares de sustentação para quem busca uma transição segura para o pós-carreira. Considerar gastos futuros, prever os impactos inflacionários e estruturar um fluxo de caixa que suporte o estilo de vida desejado continua sendo a base de qualquer plano de acumulação e previdência.

No entanto, após décadas analisando riscos, percebo que o caminho para uma longevidade plena não pode ser limitado a uma única cifra bancária. O sucesso financeiro, isolado, é insuficiente para garantir relevância e bem-estar após os 50 anos ou 60 anos.

Muitos executivos e profissionais chegam ao topo da pirâmide corporativa com um patrimônio sólido e meticulosamente planejado, mas, quando retiram o crachá, enfrentam uma lacuna existencial.

Existem dimensões que fogem ao controle das planilhas de investimentos e que têm um impacto direto na saúde e na percepção de valor próprio. Para uma longevidade dita completa, precisamos falar sobre a gestão de outros ativos fundamentais.

Saúde e qualidade de vida: ter recursos para acessar os melhores planos de saúde é um privilégio, mas o verdadeiro ativo de longevidade é a funcionalidade do corpo. Alimentação e exercícios físicos durante a vida e na maturidade são uma questão de autonomia.

Conforme as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda-se de 150 minutos a 300 minutos de atividade física aeróbica moderada ou 75 minutos a 150 minutos de atividade vigorosa por semana para adultos e idosos.

Sem saúde funcional, o patrimônio financeiro torna-se apenas um fundo de reserva para remediar perdas, em vez de financiar experiências e novas vivências.

Socialização e networking: cultivar amizades e conexões fora do ambiente de trabalho deve ser um exercício constante ao longo da vida. Quando as companhias sociais são baseadas somente no ambiente corporativo, muitos indivíduos perdem sua principal rede de conexões ao deixar a empresa.

Um estudo da Universidade da Carolina do Norte aponta que relações sociais sólidas na longevidade reduzem os riscos de hipertensão e isolamento, além de estimular a memória.

Na longevidade, o networking deixa de ser prioritário para fechar negócios, mas colabora para sustentar a identidade e a vitalidade cognitiva.

Propósito e hobbies: ocupar a mente com atividades prazerosas, espiritualidade e novos projetos. Em muitos casos, inclusive, hobbies e propósitos podem até se transformar em fontes de renda, além da realização pessoal.

No meu caso, por exemplo, mesmo no pós-carreira, sigo envolvido com temas ligados à economia prateada e longevidade. Além do ambiente de negócios, participo de palestras, podcasts e projetos sociais conectados a esse universo.

Também não desperdiço as oportunidades de velejar com mais frequência, meu hobbie preferido, em que junto a família e amigos.

Esse tipo de envolvimento é essencial para preservar o senso de utilidade e pertencimento, além de manter a pessoa contemporânea, ou seja, ativa e conectada com o mundo atual. Isso ajuda a evitar aquela sensação de obsolescência, que pode ser perigosa quando alimentada.

O dinheiro pode proporcionar a liberdade do tempo, mas é o propósito que dá significado a esse tempo. Com o equilíbrio certo, o planejamento para o pós-carreira se torna uma nova fase de vitalidade e realização.

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Perestroika tropical

A Venezuela deixou de ser um laboratório de resistência ideológica para se tornar o epicentro de um experimento de sobrevivência pragmática

06/04/2026 07h30

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Se o Estreito de Ormuz retém hoje o fôlego da geopolítica global, o Palácio de Miraflores exige um olhar muito mais cirúrgico. Ali, testemunhamos uma metamorfose estrutural profunda: a saída de Nicolás Maduro e a ascensão de Delcy Rodríguez.

A Venezuela deixou de ser um laboratório de resistência ideológica para se tornar o epicentro de um experimento de sobrevivência pragmática. Delcy é a arquiteta de uma “normalização autoritária” que desafia as leituras convencionais da diplomacia regional.

A demissão de Vladimir Padrino López do Ministério da Defesa e de Samuel Moncada da Embaixada nas Nações Unidas é o marco zero desta era. Ao remover a ponte entre o chavismo originário, as Forças Armadas e a diplomacia, os irmãos Rodríguez – Delcy e Jorge – consolidam um controle civil repressivo, substituindo a lealdade ideológica por uma tecnocrática.

O regime transmutou-se de monolito militar em corporação política. É a “Perestroika tropical”: uma reestruturação econômica desenhada para garantir a longevidade do grupo no poder, sem nenhuma concessão à transparência política.

A mudança mais radical reside na nova Lei de Hidrocarbonetos. Ao permitir que petroleiras estrangeiras operem com controle majoritário, Delcy transformou a PDVSA em um ativo de segurança nacional para potências externas.

É o “capitalismo de Estado” como escudo humano diplomático. Para o governo Trump, o realismo energético carrega o potencial de distensão.

O petróleo fluindo com eficiência é a moeda de troca pelo silêncio internacional sobre o ainda deficit democrático interno, mesmo que esteja em processo de distensionamento.

A geopolítica venezuelana migrou do dogmático “eixo da resistência” para um pragmático “eixo da conveniência”. À China, mesmo que mais distante, Delcy oferece ordem operacional e previsibilidade de pagamentos. Paralelamente, os laços com Cuba e Irã sofreram uma mutação fria, com o subsídio ideológico cedendo espaço à eficiência pura.

Havana agora é tratada como uma prestadora de serviços em declínio, enquanto a presença iraniana se enfraquece para sinalizar ao Ocidente a disposição do regime em mitigar influências indesejadas em troca de reconhecimento.

O triângulo com os EUA é estritamente transacional. Washington tende a preferir uma Venezuela estável e aberta a negócios do que uma democracia incerta.

Assim, a libertação seletiva de prisioneiros políticos funciona como válvula de escape diplomática para arrefecer pressões sem que os Rodríguez renunciem ao controle absoluto.

A inovação de Delcy é o descarte da estética revolucionária em favor da gerencial. Ela compreendeu que a comunidade internacional, exausta de crises, aceita um autoritarismo funcional.

Para o Brasil e a região, o desafio é complexo: lidamos com uma liderança que domina as ferramentas da política global. Delcy criou um ambiente onde o custo de derrubar o regime é maior do que o de mantê-lo.

Se estabilizar a inflação e a produção petrolífera em 2026, ela terá inventado a autocracia do século 21: aquela que não se isola, mas convida o mundo para ser sócio da sua própria permanência.

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