Domingo, 19 de Novembro de 2017

ARTIGO

José Carlos de Olivera Robaldo: "Ruim com Temer, pior sem Temer"

Procurador de justiça aposentado, advogado

10 NOV 2017Por 02h:00

O governo Temer acabou sendo, de fato, salvo duas vezes pela Câmara dos Deputados, mas não o Temer! As decisões que salvaram seu governo foram políticas, isto é, se autorizariam ou não o seu processamento pelo STF, o que implicaria, em caso positivo, a suspensão do seu governo pelo prazo de 180 dias e, depois, quem sabe, a perda do mandato! 

O tema já foi bastante repassado, entretanto, não é despiciendo lembrar que a falta de autorização apenas suspendeu a tramitação das acusações criminais que lhe foram imputadas. Findo o seu mandato, as acusações retomam o seu curso normal. Salvou-se o mandato;  porém, não a pessoa física do presidente. A medicação foi apenas para cortar o estado febril, e não para curar a infecção. Se procedentes ou não as acusações, que a princípio são graves, juízo jurídico, só o tempo dirá.

A verdade é que o governo Temer, ainda que com sequelas e profundo desgaste, continua. O que vem suscitando a clássica indagação: isso é bom ou ruim?

Para os seus opositores e alguns aproveitadores, e que não são poucos, é péssimo. Contudo, na nossa percepção, conquanto esse governo não tenha sido escolhido por nós, para a nação foi menos pior. Ou, como diria o título acima: ruim com ele, pior sem ele! Obviamente que essa análise, a nosso ver, tem que ser feita em um contexto totalmente singular. Levando-se em consideração sobretudo o atual momento, suas peculiaridades e sua origem, isto é, como começou.

Está ainda muito vivo nas nossas memórias o quadro caótico, em todos os sentidos, em que se encontrava o País quando o atual governo assumiu, embora fizesse parte, como vice, ainda que decorativo dessa mesma administração. O estado do paciente era péssimo! 

Não se nega que o quadro atual político-administrativo não está bem. Mas também é inegável que está menos pior do que o governo substituído. Sabe-se lá o que seria deste País se continuasse o governo Dilma!

Pois bem, o governo atual, conquanto muito desgastado politicamente falando, o que reflete negativamente nas pesquisas de avaliação, vem procurando implantar algumas reformas importantes e necessárias. É o caso da reforma trabalhista, o que se pretende com a reforma previdenciária, ao lado de algumas privatizações importantes que vêm sendo realizadas. A verdade é que a economia está sendo destravada e, com isso, conquistando a confiança do investidor interno e externo. O interesse da China em ampliar seus investimentos em território brasileiro, conforme noticiou o jornal F. de S. Paulo (07.11.17), é um sinal significativo desse quadro. Com isso, abre-se uma pequena luz no fim do túnel, com perspectivas de diminuir o desemprego e, consequentemente, de melhora na economia.

É comum ouvir a exclamação “Fora, Temer”! O que, aliás, tornou-se a frase de ordem no momento, isto é, a moda do contexto! O ideológico e muitas vezes o interesse pessoal ou de grupos sobrepondo-se ao interesse republicano.

Talvez o ideal fosse a substituição de Temer, desde que a mudança trouxesse melhora na economia, com consequente aumento de empregos. Mas o quadro está a revelar que, neste momento, por melhor que fosse o seu substituto, até montar sua equipe e colocar a máquina administrativa a funcionar, os poucos meses restantes de governo passariam e a melhora desejada seria frustrada mais uma vez. 

Enfim, a palavra de ordem “Fora, Temer” dever-se-ia ser substituída por “Teremos que engolir Temer”. Ruim com ele, pior sem ele! Apenas torcer que 2019 chegue chegando.  

A esperança é de que esse quadro tenha um efeito pedagógico para as próximas eleições.
Quem sabe!

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