Domingo, 04 de Dezembro de 2016

ARTIGO

Gilson Cavalcanti Ricci: "Vereador ameaça desenvolvimento de Campo Grande"

Advogado

1 DEZ 2016Por 02h:00

Empreendedores pretendem construir em Campo Grande, em pleno centro da cidade, um grandioso edifício de trinta e cinco andares, conforme anunciou dias atrás o Correio do Estado. A notícia – muito alvissareira por sinal – representa um oportuno maná nesta época de crise financeira nacional, como um marco altamente promissor a debelar o estado de falência reinante na capital sul-mato-grossense.  

     Realmente, a construção de um prédio de trinta e cinco andares demanda a aquisição de grande quantidade de material de construção, desde a simples argamassa até ao mais sofisticado tipo de aparelhagem necessária à funcionalidade do prédio acabado, cujos componentes  poderiam ser adquiridos em grande parte aqui mesmo em nossa  cidade. Além dessa preciosa e oportuna alavanca ao comércio local, um considerável exército de trabalhadores diretos e indiretos estaria em ação, martelando a moldura de tão precioso instrumento funcional e fotogênico, que embelezaria mais ainda a nossa cosmopolita Campo Grande.                

     Todavia, surpreendentemente, um antigo vereador de nossa Câmara Municipal pretende impedir a construção do edifício em apreço, apresentando alguns pontos de impedimento à construção do empreendimento no local onde será situado o majestoso edifício. Dentre seus parcos e infundados argumentos, o vereador declara que “o edifício  provocaria sombreamento prejudicial à vizinhança, razão pela qual necessário avaliar o impacto de um prédio desta dimensão”, e assim manifestou sua preocupação com um edifício deste nível naquele local. 

     Sem dúvida, o ilustre vereador exagera sua “preocupação” com o impacto da sombra sobre os vizinhos adjacentes. Ocorre que, dentre todos os argumentos favoráveis à construção do edifício naquele local, a razão mais contundente, favoravelmente à obra, reside no fato de a região não ser residencial, e sim comercial, pois se trata de um quadrilátero no centro da cidade, entre a Avenida Afonso Pena e a Rua 15 de Novembro. Logo, o item “sombreamento” deve ser afastado, por mera questão de lógica.

     Surpreende-me, tenha o vereador em apreço se colocado radicalmente contrário à uma obra desse porte em nossa cidade, mormente diante da crise econômica ameaçadora, que  está aí fechando empresas valiosas ao desenvolvimento sócio-econômico de Campo Grande, e do resto do Brasil, e pior: jogando no desemprego milhares de trabalhadores em nossa cidade, e mais de doze milhões no resto do País(!). Sem dúvida alguma, correta sob todos os pontos de vista, tanto técnico como funcional, a construção do prédio, e maquiavélica a impugnação sob a ótica do ilustre vereador, que se distancia do bom senso, por condenar uma obra sem defeito material ou jurídico, chegada a Campo Grande em boa hora. Agora, refuto por antipática, prejudicial à cidade e muito temerária, a ideia de obstruir um colossal empreendimento, que viria ajudar eficazmente a vencermos a crise financeira a curto prazo, como atrás exposto.

     Finalmente, aponto a grandiosidade de outras cidades brasileiras, que se engalanam com a beleza dos grandes edifícios, que se elevam ao céu como marcos do progresso de nosso País. Megalópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outras elegantes cidades brasileiras, demonstram cabalmente que as milhares de construções verticais colaboram eficazmente à solução satisfatória do problema de moradia. Em outros países pelo mundo afora, o arrojo na altura dos edifícios é algo admirável: Estados Unidos, Malasia, Emirados e outros exibem ao mundo a pujança da arquitetura, com prédios maiores de cem andares. Agora mesmo, em Jidá, na Arábia Saudita, a Kingdon Towr, em construção, terá duzentos andares depois de pronta!

      Não podemos quedar inertes diante de opiniões estranhas, nem sempre coerentes com a razão.

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