Sábado, 01 de Outubro de 2016

CORREIO DO ESTADO

Editorial desta segunda-feira: "Educação em risco"

19 SET 2016Por DA REDAÇÃO02h:00

 Há estudos que tentam identificar os motivos e apontam como minimizar o êxodo estudantil, porém, ainda há muito a se esclarecer sobre a questão.

Em um país com sérios problemas de inclusão no sistema educacional, como é o caso do Brasil, os números da evasão nas universidades públicas devem ser considerados alarmantes e precisam ser visto com atenção especial pelos educadores e pelas instituições. A reportagem da edição de domingo do Correio do Estado divulgou números sobre a situação em Mato Grosso do Sul, infelizmente, um recorte da situação nacional recorrente. Há estudos que tentam identificar os motivos e apontam como minimizar o êxodo estudantil, porém, ainda há muito a se esclarecer sobre a questão.

Estudo elaborado pela consultoria legislativa da Câmara dos Deputados, em maio de 2016, sob responsabilidade de Renato de Sousa Porto Gilioli, analisou os aspectos de maior influência sobre a evasão nas instituições federais de ensino superior (Ifes), abordando, também, qual seria a influência do Sistema de Seleção Unificada (SiSu) nesse cenário. 

O relatório também faz apanhado de vários outros levantamentos sobre o assunto, citando os índices de abandono de algumas instituições brasileiras e as particularidades envolvidas. Um dos exemplos é a fuga identificada nos cursos de licenciatura, em que 19,6% desistem da graduação. Neste caso específico, umas das principais justificativas é a falta de perspectiva na área em decorrência da desvalorização da profissão de professor. 

De maneira geral, conforme o estudo, há algumas justificativas que  se aplicam em várias instituições citadas. Entre elas, a de que a evasão está relacionada a incompatibilidade do acadêmico com o curso, por se tratar, em muitos casos, da segunda opção no momento da inscrição. A frustração leva à desistência. Há também que se levar em conta a questão financeira, mesmo em se tratando de sistema público de ensino: são alunos que optaram por ingressar em curso fora da cidade ou estado de origem, o que acarreta gastos nem sempre compatíveis com a renda familiar. A escassa oferta de programas de apoio estudantil, como bolsa de estudos ou estágio remunerado na instituição, é agravante nesse quesito. Mesmo para que os tinham convicção da escolha, as dificuldades elencadas são falta de motivação, repetência em disciplinas e falta de identidade com a grade curricular. O relatório avalia que o SiSU não figura entre o principal motivo da alta  evasão, mas faz parte de série de fatores que contribuem para o aumento do índice.

A evasão não é apenas prejuízo individual ao aluno, por se tratar de atraso ou suspensão de projeto profissional. É, também, desperdício econômico, com ociosidade do espaço físico, de professores, funcionários e equipamentos. Uma das propostas levantada por vários especialistas é que o êxodo pode ser evitado com medidas tomadas por cada instituição, dentro da própria autonomia, independentemente de política nacional. Embora isso não exima a responsabilidade do governo federal, é uma forma de criar estratégias individualizadas que podem surtir efeito, como a formação de comissão específica, aprimoramento dos currículos, acompanhamento de alunos com maior grau de dificuldade e programas de assistência estudantil.

 

Leia Também