Quinta, 08 de Dezembro de 2016

ARTIGO

Cristiane Lang: "Precisamos falar sobre o câncer de mama"

Psicóloga, pós-graduada em Oncologia pelo Instituto Albert Einstein, SP

14 OUT 2016Por 02h:00

O Outubro Rosa é um movimento de conscientização que objetiva alertar as mulheres sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama. Este movimento surgiu em Nova York em 1990, e hoje é realizado em vários lugares do mundo. 

Independentemente do desenvolvimento do país, o câncer de mama é o tipo que possui maior incidência e a maior mortalidade da população feminina em todo o mundo, estando atrás apenas dos casos de câncer de pele não melanoma. Para 2016, a estimativa é de 57.960 novos casos no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer. 

O câncer de mama pode ser causado por alterações genéticas, que podem ser estimuladas pelo tabagismo, uso de hormônios de terapia de reposição hormonal, excesso de peso e ingestão de bebidas alcóolicas, gravidez em idade tardia, entre outros fatores. Os sintomas mais comuns são o aparecimento de caroços, nódulos indolores, duros e irregulares, apesar de existirem tumores que são arredondados e macios.

Inchaços em uma parte do seio, dor ou inversão do mamilo, descamação ou vermelhidão do mamilo ou da pele da mama, secreções, ou caroços nas axilas, também devem ser investigados. 

Para o rastreamento do câncer de mama, a mamografia é fundamental, e poderá ser complementada pela ultrassonografia, punções ou ressonância magnética das mamas. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que a mamografia seja iniciada a partir dos 40 anos, e seja repetido anualmente. Após a realização de uma biópsia de mama, três diagnósticos podem ser dados: a lesão pode ser benigna, pré-cancerígena ou cancerígena.

A partir do diagnóstico, o médico irá realizar uma avaliação global da paciente, complementar com exames específicos, e iniciar o tratamento, que pode ter indicação cirúrgica, aliadas ou não à quimioterapia e radioterapia, dependendo do caso e da evolução do quadro. 

O que é extremante importante, quando falamos em câncer de mama, é que seja detectado em fase inicial, pois isto aumenta significativamente a chance de cura. O autoexame é importante, pois a mulher conhece seu corpo e pode observar se há alguma alteração, mas a prevenção não deve ser restrita somente a ele. A mamografia e a avaliação médica são imprescindíveis, pois nem sempre é possível detectar alguma alteração somente com o autoexame. 

Sobre a atuação do psicólogo frente ao diagnóstico de câncer de mama de sua paciente
O suporte à paciente e a seus familiares no momento do diagnóstico e nos que o seguem, é de fundamental importância. O psicólogo irá ajudar a paciente a manter seu bem estar psicológico durante as fases do tratamento, fazendo com que a paciente tenha um melhor ajustamento à doença e que distúrbios emocionais, como a ansiedade ou a depressão, sejam reduzidos, o que levará a uma melhor adesão ao tratamento, podendo aumentar o tempo de sobrevida.

Além das preocupações relativas à doença em si, o câncer de mama traz outras angústias às pacientes, relativas à feminilidade, maternidade e sexualidade, pois as mamas representam um órgão muito simbólico para as mulheres, e um diagnóstico de câncer ocasiona abalos significativos na vida destas pacientes.

A atuação do profissional de psicologia irá se adequar à demanda, com intervenções que tenham efeitos positivos no enfrentamento da doença e dos tratamentos, o que irá, sem dúvidas, trazer uma melhor qualidade de vida às pacientes, mas que, com a detecção precoce da doença, e o suporte psicológico adequado, pode evoluir para uma remissão total, fazendo com que a mulher volte às suas atividades normais, e siga em frente, com o alívio de ter vencido esta difícil batalha.

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