Quinta, 23 de Novembro de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado/domingo: "Desprezo ao planejamento"

21 OUT 2017Por 03h:00

O Plano Diretor de Arborização de Campo Grande, aparentemente, é desprezado pelas autoridades locais.

O plantio de árvores como o ipê e a quaresmeira em ruas da Vila Carvalho, que teve início há aproximadamente uma semana e tornou-se alvo de reclamação de moradores do bairro, é um dos exemplos da falta de sintonia entre a administração municipal e a população de Campo Grande. A tentativa, possivelmente bem intencionada da Secretaria de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur), de melhorar a arborização do bairro, é apenas um reflexo da falta de planejamento neste setor, tão importante para uma melhor qualidade de vida da população.

A grande queixa de muitos moradores da Vila Carvalho e dos bairros vizinhos é sobre algo que não custa nada aos cofres públicos, depende somente da boa vontade dos gestores e não ocorreu em momento algum: diálogo. Muitas pessoas foram simplesmente surpreendidas por servidores da Semadur quebrando suas calçadas e plantando as mudas. É natural que em um primeiro momento, a abordagem arbitrária por parte do município, provoque a rejeição de muitos que podem ser beneficiados no futuro pela medida. O prefeito Marcos Trad, insistiu ter existido consulta à população local, o que não foi comprovado (leia reportagem nesta edição).

É importante ressaltar que Campo Grande conta, desde 2010, com um Plano Diretor de Arborização Urbana, muito completo e detalhado por sinal. O documento, aparentemente, é desprezado pelas autoridades municipais. Basta circular pelas principais ruas de Campo Grande para constatar a falta de planejamento para o plantio de árvores na Capital sul-mato-grossense.

Aliás, paisagismo é um termo que ficou no passado da cidade. Quem circula pela região central, percebe uma incoerência nos canteiros das avenidas e na arborização das praças. Padronização, algo previsto no Plano Diretor, já não existe mais. Na Avenida Afonso Pena, a principal da cidade, por exemplo, foram plantadas várias mudas de angico, árvores que quando atingem a idade adulta, têm a copa grande e larga, o que  certamente dificultará a sobrevivência do gramado e de vegetações rasteiras. Dos tempos de outrora, quando o canteiro da via era alvo de elogios, sobraram apenas os vestígios.

O que também se vê muito pouco, e que está previsto na legislação ambiental da Capital, é a manutenção das mudas plantadas pelo município, como ocorreu na Vila Carvalho e na Avenida Afonso Pena. Se o plantio ocorre no período de seca, o que se vê é a morte de muitas destas pequenas plantas. O que também é algo necessário, porém raríssimo, é a poda e a manutenção das mudas.

Recentemente, a Prefeitura da Capital deu início ao trabalho de manutenção das árvores quase centenárias da Avenida Afonso Pena. Ação importante. Mas é preciso mais. É necessário que os gestores responsáveis pelo meio ambiente e a gestão urbana pensem a frente do tempo em que vivem, e meçam a consequência de seus atos no presente.
 

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