Domingo, 04 de Dezembro de 2016

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado: "Pendências das reformas"

15 OUT 2016Por 03h:00

Com tantos desafios a serem superados, o mínimo que se esperava era maior valorização dos professores.

Periodicamente, o aprendizado dos estudantes é colocado à prova com avaliações propostas a nível federal. Na semana passada, foi divulgado o ranking das melhores escolas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, novamente, as particulares ficaram nas melhores posições. No ensino fundamental, o desafio é atingir as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Nas escolas municipais de Campo Grande, infelizmente, retrocedemos e a perspectiva para 2017 passa a ser retornar ao mesmo patamar de nota que já havia sido alcançada em 2011 - 5.8 para os alunos do 4º e 5º anos. No ensino superior, o número de alunos matriculados caiu no ano passado. As estatísticas comprovam a necessidade de avanços na educação. Com tantos desafios a serem superados, o mínimo que se esperava era maior valorização dos professores. Afinal, são eles os agentes responsáveis pelas melhorias esperadas. 

    Infelizmente, a classe está sujeita a lutas constantes para garantir direitos básicos, a exemplo do reajuste salarial ou da remuneração mínima estipulada pela Lei Nacional do Piso, sancionada em 2008. Aumentos são prometidos, mas diante das dificuldades financeiras,acabam adiados. Reivindicações frequentes incluem ainda a carga horária, prevendo período para planejamento, e melhores condições de trabalho. Livros e outros materiais de qualidade, por exemplo, são essenciais. Todas essas exigências - ainda descumpridas por grande parte dos gestores - soam como entraves às recentes medidas anunciadas para reformular o ensino. Mudanças são necessárias, mas não podem ocorrer sem a participação direta dos docentes. 

    Agora, o Ministério da Educação planeja ampliar a carga horária das escolas públicas de ensino fundamental, com o objetivo de melhorar o desempenho dos alunos em matemática e português. Essas disciplinas serão oferecidas no contraturno. O aumento do número de escolas integrais volta sempre à pauta durante as campanhas eleitorais. Entretanto, os gestores deparam-se com a série de dificuldades para colocar em prática essa proposta. É preciso aumentar funcionários e ter planejamento diferenciado para que esse tempo a mais seja utilizado de forma produtiva. 

    Outro recente debate surge com a Medida Provisória para reforma do Ensino Médio. A secretária executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, argumentou que o modelo vigente está falido. E, de fato, os resultados insatisfatórios nas avaliações comprovam a necessidade de reformulações. Além das estatísticas, até mesmo o cenário desolador do mercado de trabalho  remete à urgência de melhorar a formação, com incentivo ao empreendedorismo, às vocações dos alunos, para que todos os brasileiros possam contribuir para retomada do crescimento econômico. 

    Sabe-se que as conquistas em demais áreas - como segurança, economia ou assistência social - estão diretamente atreladas aos avanços na educação. Nenhuma reforma trará resultados se não houver investimento no docente, oferecendo cursos de formação ou dando condições financeiras para que ele busque esse aperfeiçoamento. Caso contrário, os modelos continuarão falidos. Neste Dia do Professor, alerta-se sobre as verdadeiras transformações esperadas, que vão além de reverter indicadores.    

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