Segunda, 26 de Setembro de 2016

Correio do Estado

Confira o editorial deste domingo:
Ações imediatas

18 SET 2016Por 03h:00

Há crescente desconfiança de que o presidente Michel Temer não tenha capacidade de promover o esperado reequilíbrio nas contas.

Os embates políticos ainda permeiam as principais discussões sobre os rumos do Brasil, com pedidos de “Fora Temer” sendo entoado por vários segmentos pelo país, porém, até agora, sem possível efeito prático de outra dança das cadeiras no Planalto. Por isso, passada uma das maiores turbulências da história recente do país, com a saída de Dilma Rousseff da presidência da República e de Eduardo Cunha da Câmara dos Deputados, espera-se que o governo federal execute, enfim, ações contundentes na esfera econômica, o que precisa ser feito com urgência.

Na última sexta-feira, o Ministério do Trabalho divulgou números da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) referente a dados do emprego formal em 2015. Embora a divulgação se trata de resultados obtidos no ano passado, representa cenário que ainda se mantém em 2016. A informação divulgada é que o Brasil fechou 1,510 milhão de vagas, índice que abrange trabalhadores celetistas, além de todas as categorias de servidores do setor público. Na comparação com 2014, a redução no regime celetista foi de 3,45%, equivalente a 1,364 milhão de demissões. Entre os estatutários do serviço público, a retração foi de 1,51%, ou fechamento de 135,7 mil postos de trabalho. Destacam-se negativamente indústria de transformação, com corte de 604,1 mil vagas, seguida pela construção civil (-393 mil) e comércio (-195,5 mil). Somente em Mato Grosso do Sul, foram fechados 7,9 mil vagas. Destes, 5,8 mil de trabalhadores com ensino superior, situação que tornou-se corriqueira nos últimos tempos. Somente no varejo, foram  1,5 mil trabalhadores formais encerrados no período.

O comércio varejista, aliás, é um dos termômetros mais sensíveis da retração econômica. Reportagem da edição de hoje do Correio do Estado mostra dados de pesquisa inédita feita pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) sobre a rotatividade do mercado de trabalho no setor. Somente em julho, 1,7 mil profissionais mudaram de emprego. Essa alternância é comum no segmento, porém, o índice encontrado está acima do normal, segundo informações da CDL. Além de problemas internos, como falta de incentivo da empresa, pesou nesse resultado o forte impacto da crise econômica, que obriga corte de gastos, com consequente redução no quadro de funcionários. O cenário para o segmento é de retração, com queda de 2% a 5,9% no ano, com recuperação somente em 2021, segundo empresa de consultoria ouvida pelo jornal Valor.

Até agora, não há sinal de que esperado choque será dado em curto prazo e pior, há crescente desconfiança de que o presidente Michel Temer não tenha capacidade de promover o esperado reequilíbrio nas contas. As previsões para desempenho fiscal estão pessimistas, com estouro da meta fiscal, com deficit de R$ 139 bilhões. Com isso, as projeções da inflação voltam a subir e as consequências na macroeconomia, já conhecidas da população, continuam exercendo a influência negativa, com queda no poder aquisitivo, redução no produção e desemprego. A equipe do governo ainda não encontrou o caminho para minimizar os danos.

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