Sábado, 03 de Dezembro de 2016

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Inversões na segurança"

18 OUT 2016Por 03h:00

A população permanece acuada, com medo e tendo de recorrer a medidas de proteção para refugiar-se dentro de casa.

Tráfico de drogas, assaltos (inclusive com reféns) e até assassinatos tornaram-se crimes rotineiros em Mato Grosso do Sul. Algo que espanta e preocupa. Somente na manhã de ontem, o Portal Correio do Estado noticiou a morte de jovem esfaqueado em Bodoquena, outro homicídio em Caarapó e um homem que foi baleado durante tentativa de assalto em Corumbá. Em Campo Grande, a agência dos Correios foi assaltada e os criminosos conseguiram levar o cofre do local. Até um Centro de Educação Infantil (Ceinf) foi arrombado e alimentos furtados. Isso sem contar as dezenas de boletins de ocorrência de pequenos furtos ou roubos em casas e ruas da Capital, ou em cidades do interior. Além das estatísticas, há a permanente sensação de insegurança e de impotência diante da letargia de investimentos para tentar barrar a violência. 

O descontrole na área da segurança fica evidente por esses casos que, infelizmente, tornaram-se frequentes no cotidiano. Ganha, porém, nuances mais graves quando se percebe que o poder público não consegue sequer impedir ilegalidades dentro dos presídios, para onde, teoricamente, criminosos são levados como punição das infrações cometidas e receberiam auxílio para recuperarem-se antes de serem soltos. Na prática, nada disso ocorre. O termo “segurança máxima” permanece apenas no nome da penitenciária situada no Jardim Noroeste. A presença de celulares e outros objetos proibidos é constante – tanto que os detentos continuam comandando crimes de dentro das celas.

Ontem, a fragilidade voltou a ficar evidente por meio de outra tentativa de fuga, em que presos construíram um túnel que dá acesso ao pátio do local. Iriam aproveitar um espaço sem tela de proteção para escapar. Por mais que os detentos tenham sido flagrados por agentes, há lacunas evidentes, seja pela falta de fiscalização nas celas, que impossibilitou verificar a construção do túnel, seja pelos problemas estruturais decorrentes da ausência de reformas na penitenciária, que permanece máxima somente na superlotação. 

Não se trata de problemas exclusivos. As facções criminosas tomam o controle de presídios ainda em outros estados, a exemplo do que ocorre hoje em Rondônia e Roraima, onde rebeliões deixaram 18 mortos. Além das grades, as quadrilhas têm acesso livre para entrar no Brasil, tendo Mato Grosso do Sul como principal corredor, para trazer cocaína, maconha e armas adquiridas na Bolívia e no Paraguai. Retoma-se a problemática da falta de fiscalização na fronteira. Outra deficiência que também impacta diretamente na segurança dentro das cidades. O governo estadual apela ao federal, que pouco se importa com o problema.     
Enquanto o poder público não dá conta de várias de suas atribuições, a população permanece acuada, com medo e tendo de recorrer a medidas de proteção para refugiar-se dentro de casa. Todos estão sujeitos a esse cotidiano de violência. Qualquer falha na cerca elétrica ou no portão pode ser perigosa, pois torna-se “brecha” para assaltantes. Há grave inversão imposta pela onda de violência, agravada pela desorganização daqueles que seriam responsáveis pela segurança, mas omitem-se e apenas esforçam-se em tentar achar culpados.

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