Sábado, 03 de Dezembro de 2016

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Resistência às perseguições"

14 OUT 2016Por 03h:00

Os que, tomados pela soberba dos cargos que temporariamente ocupam, acham que tudo podem. Não podem nada contra quem tem o apoio dos leitores. Nós temos.

Ao longo dos mais de 60 anos de sua vida, o Correio do Estado foi, sempre, vítima preferencial dos políticos. Candidatos a governador do Mato Grosso do Sul ou candidatos a prefeito de Campo Grande e de algumas outras cidades como, por exemplo, Dourados. Na última campanha para o Governo do Estado, repetiu-se a velha história: dezenas de processos, centenas de agressões. Mas, confessamos, foi a primeira vez que os dirigentes governistas montaram uma “passeata” para protestar contra os resultados de uma pesquisa.

Os mesmos que nos criticam, hoje, eram só elogios na campanha de Reinaldo Azambuja.  Nada mais natural, infelizmente. Se os resultados de pesquisa publicadas na segunda-feira última desagradaram os que hoje governam,  imediatamente surgiram as críticas e as agressões. Mas se os resultados fossem favoráveis à candidata governamental, no caso a professora Rose Modesto, aí então seríamos quase que ungidos como os grandes donos da verdade. Não da verdade verdadeira, mas da verdade falsa que o Governo queria. 

O que os políticos não conseguem entender, certamente com a visão caolha de que bastaria mandar muito dinheiro para a nossa casa,  que estaríamos devidamente “enquadrados” é um erro incompreensível. O que todos nós do Correio do Estado temos, é o compromisso com os nossos leitores. E faz um tempão. Desde os tempos do professor J. Barbosa Rodrigues.

O que nos parece é que a Governadoria transformou-se numa fogueira de vaidades. Cada um cuida de si. Pensando no futuro de cada um. Quanto ao futuro do governador Azambuja, penso que nenhum dos que se acham sabichões do Parque dos Poderes tem qualquer tipo de preocupação. Tipo: primeiro os meus, depois os teus. Ou, se a farinha é pouca, o meu pirão primeiro. A vaidade é tanta que estabeleceu-se uma concorrência interna descontrolada. 

Não culpem o Corrreio do Estado pelos infortúnios da candidatura da vice-governadora Rose Modesto. Responsabilizem-se a si próprios, aos marqueteiros incompetentes que tem um só real compromisso: tomar porre nas verbas de propaganda. Lá se foram, até mês passado, 11 milhões de reais. Se Rose vai ganhar ou perder, é problema dela. Em um ano e meio de governo Azambuja, tornaram-se milionários. É o que queriam e fim de conversa.

 Não culpem o Ipems. Não culpem os eleitores.  Busquem os verdadeiros culpados dentro da Governadoria e arredores.

 Nós, do Correio do Estado, temos história. E nos orgulhamos dela. Somos vitimados por governadores desde os tempos de João Ponce de Arruda. Mas, com apoio dos leitores, sobrevivemos a todas as investidas. E vamos sobreviver, mais uma vez, se as pressões financeiras vierem fortes. Como esperamos que venham.

Mas há que se destacar que 2018 está muito próximo. Daqui um ano e pouco vai começar a temporada de reeleições.. Temporada de caça dos políticos. Aliás, dos maus políticos. Os que, tomados pela soberba dos cargos que temporariamente ocupam, acham que tudo podem. Não podem nada contra quem tem o apoio dos leitores. Nós temos. Não cometam os erros dos anteriores, que ousaram enfrentar quem não tem medo. Mas se acharem que assim será, olhem para o passado. E verão quantos políticos tentaram e fracassaram.

 

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