Domingo, 25 de Junho de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Recuperação lenta da crise"

17 MAR 2017Por 03h:00

O fechamento de empresas em proporção maior que o volume de aberturas tem sido uma constante desde o fim de 2015.

Levantamento da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems), o qual aponta aumento de 23,8% no número de empresas que encerraram atividades no primeiro bimestre deste ano, quando comparado com o mesmo período de 2016, mostra que muito ainda terá de ser feito para superar a crise econômica. O fechamento de empresas em proporção maior que o volume de aberturas tem sido uma constante desde o fim de 2015.

As dificuldades para manter atividade empresarial no Brasil, demonstradas pelos números da Junta Comercial, apontam que a recuperação econômica será lenta, como foi nos Estados Unidos da América a partir da crise de 2008. Depois da crise dos fundos subprime (lastreados em contratos com pouquíssimas garantias) e da falência de alguns bancos norte-americanos naquele ano, a maior economia do planeta levou quase uma década para se recuperar. Os dados positivos de emprego e outras atividades financeiras da maior economia do planeta só voltaram a crescer positivamente, de forma mais consolidada, nos últimos dois anos. 

Aqui no Brasil não será diferente. Países que estão entre as dez maiores economias do mundo, como o nosso, são comparados a navios de grande porte. Neles, não se pode fazer curvas bruscas, tampouco há retomadas rápidas de aceleração, sob risco de naufrágio, sobretudo em uma tempestade, como é a crise econômica atual.

Algumas medidas importantes para aquecer a atividade comercial e industrial foram implementadas recentemente. Uma delas, muito importante, é a liberação de recursos que estavam paralisados nas contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, a primeira etapa de saques já movimenta R$ 89 milhões na economia. O volume total de recursos disponíveis para saque no Estado, em todas as etapas, é de R$ 564 milhões. Só na Capital, serão R$ 205 milhões. Quantia considerável e alentadora.

Todo este dinheiro pode ser fundamental para frear efeitos da crise, como o fechamento de empresas, sobretudo no setor comercial. O centro de Campo Grande simboliza o momento. Lá, a associação comercial contabilizou 200 estabelecimentos fechados. 

Conscientes de que é muito difícil uma recuperação imediata, empresários e empreendedores precisam de ações como a do FGTS (e muitas outras) para a retomada do otimismo e, consequentemente, do investimento. Prova disso é que os números da Junta Comercial também têm seu lado bom, embora demonstrem, neste ano, o pior fevereiro desde que o levantamento começou a ser feito. Em menor proporção, tem sido verificado um aumento na abertura de estabelecimentos. O crescimento foi de 10% no último bimestre.
 

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