Domingo, 28 de Maio de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Nova bomba no Brasil"

19 MAI 2017Por 03h:00

Há enorme desgaste e a necessidade de promover correções na política torna-se mais intensa e urgente.

Novo terremoto na política volta a estremecer o mercado financeiro e instalar extrema instabilidade e a população continua pagando a conta dos prejuízos. Agora, o presidente da República, Michel Temer, é oficialmente investigado pela Lava Jato, pois a abertura de inquérito foi autorizada ontem pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A “bomba” estourou com a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do frigorífico JBS. Temer foi gravado dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Lava Jato.

A nova denúncia tem efeito devastador. O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, foi afastado das atividades parlamentares. Ele foi gravado pedindo R$ 2 milhões aos empresários. Sua irmã e primo foram presos porque participaram, como intermediários, do recebimento dos recursos. O governo já começa a sofrer baixas, com saída de ministros. Bruno Araújo, das Cidades, foi o primeiro a pedir para deixar o cargo. Ainda ontem, ele tinha audiência com o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad, e o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, para discutir investimentos no setor habitacional. Projetos que, assim como muitos outros de diferentes setores, ficarão suspensos diante das incertezas causadas por mais esse escândalo. 

Impeachment, renúncia e novas eleições voltam a ser debatidos e até pedidos por alguns partidos. Temer declarou que não vai renunciar. Os brasileiros voltam a vivenciar o mesmo drama desde a cassação do mandato de Dilma Rousseff. Há enorme desgaste e a necessidade de promover correções na política torna-se mais intensa e urgente. Afinal, ninguém quer assistir à repetição desses dramas nos anos seguintes, decorrentes dos esquemas de corrupção que parecem não ter fim. Tudo volta a ser paralisado no País, desde a previsão de investimentos que poderiam beneficiar estados e municípios até as reformas trabalhista, que precisa passar pelo Senado, e da Previdência, ainda em discussão na Câmara dos Deputados. A governabilidade está perdida e não haverá mais consenso ou confiança. 

A letargia decorrente da crise política deve prejudicar a retomada do equilíbrio financeiro que ainda estava distante de ser alcançada. Apesar de alguns breves sinais positivos, como a criação de mais postos de trabalho ou a prévia de crescimento de 1,12% do Produto Interno Bruto (PIB), os efeitos a partir de agora serão ainda mais devastadores para as finanças. O mercado teve reações imediatas: as ações na bolsa despencaram, juros e dólar dispararam. Pela primeira vez desde 2008, os negócios da Bovespa foram interrompidos. Mais uma vez, investimentos serão protelados. 

De todo esse desastre, há, pelo menos, o alento de saber que os esquemas de corrupção vêm sendo combatidos. Mas, da mesma forma, entristece e impressiona ter conhecimento de que as falcatruas com verba pública continuam. Desta vez, é preciso tomar medidas assertivas para que o País possa retomar o crescimento e, principalmente, para os brasileiros voltarem a ter confiança.
 

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