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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Portas abertas ao contrabando"

Confira o editorial desta segunda-feira: "Portas abertas ao contrabando"

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Enquanto as autoridades fazem reuniões improdutivas para aumentar o rigor na fronteira, a caravana dos cigarreiros passa faceira e movimentando milhões, ilegalmente.

Se o combate ao tráfico de drogas na fronteira do Brasil com o Paraguai já é deveras deficiente, como várias vezes afirmamos neste espaço e em nossas reportagens, as ações para frear o contrabando de cigarros produzidos no país vizinho, que entram ilegalmente em nosso território, de tão tímidas, são praticamente inexistentes. 

Reportagem publicada nesta edição mostra que, só neste ano, a Receita Federal do Brasil tirou 68 milhões de maços de cigarro de circulação em Mato Grosso do Sul, material avaliado em mais de R$ 322 milhões. Cifra considerável, uma vez que representa muito pouco do que passa facilmente. O Estado, diga-se de passagem, tem superado o vizinho Paraná, que já foi a principal porta de entrada do produto trazido ilegalmente para o território brasileiro.

O altíssimo volume de cigarros paraguaios em território brasileiro, entre outras ilegalidades e falhas de fiscalização, denota, no mínimo, a incompetência – ou o cinismo – de nossas autoridades federais. Basta atentar-se aos números: o Paraguai, país com pouco mais de 7 milhões de habitantes – população equivalente à de Santa Catarina –, produz anualmente 55 bilhões de cigarros, dos quais pouquíssimos são exportados legalmente para o território brasileiro. No Brasil, país com mais de 200 milhões de habitantes, a cadeia do fumo produz, em média, 63 bilhões de cigarros. Em qualquer cidade do lado de cá, porém, é possível encontrar à venda, sempre informalmente, qualquer uma das marcas de “tabacaleras” paraguaias.

Falando nas indústrias de cigarros do país vizinho, não é segredo para ninguém que o presidente de lá é vinculado à Tabacalera del Este (Tabesa), a maior fábrica de derivados de fumo do Paraguai. No site oficial da Tabesa, a empresa informa ter recolhido mais de US$ 60 milhões ao fisco paraguaio.

O leitor, neste momento, deve estar fazendo a seguinte pergunta: como as autoridades permitem que um dos produtos mais taxados do mercado brasileiro – e com justiça, em decorrência dos danos excessivos à saúde cientificamente comprovados – entre facilmente em nosso território? Além de prejudicar o bem-estar de nossa população, o contrabando ainda sangra os cofres públicos. Estes impostos que a “tabacalera” diz recolher no Paraguai poderiam muito bem serem creditados à Receita Federal. Ou o Paraguai tem demanda suficiente para consumir 55 bilhões de cigarros por ano?

No cone-sul de Mato Grosso do Sul, o contrabando de cigarros não é novidade para ninguém. O termo “cigarreiro” na região é mais do que comum. Trazer estes danosos produtos para o lado de cá é um crime que parece compensar: a pena máxima é de cinco anos de prisão. Além de baixa, a punição pode ser facilmente convertida em medidas alternativas e regimes de prisão mais flexíveis, como o aberto e semiaberto.

Enquanto nossas autoridades fazem reuniões improdutivas para combater o tráfico (e só ele) na região de fronteira, a caravana dos cigarreiros passa faceira, sem qualquer dificuldade e, aparentemente, distribuindo milhões em um dos mercados ilícitos mais rentáveis para os criminosos. 

Artigo

Qual é o significado do voto?

Sob outra abordagem, o voto quer significar protesto, um castigo aos atuais governantes e a candidatos

08/04/2026 07h45

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Quando um eleitor opta por um candidato, que fatores balizam sua decisão? Esta é uma das mais instigantes questões das campanhas eleitorais.

A resposta abriga componentes relacionados ao conceito representado pelo candidato e ao ambiente social e econômico que cerca os eleitores.

No primeiro caso, o eleitor leva em consideração valores como honestidade/seriedade, simplicidade, competência/preparo, capacidade de comunicação, entendimento dos problemas, arrogância/prepotência e simpatia.

Sob outra abordagem, o voto quer significar protesto, um castigo aos atuais governantes e a candidatos identificados com eles, vontade de mudar ou mesmo aprovação às ideias dos perfis situacionistas.

Neste caso, os pesos da balança assumem o significado de satisfação e insatisfação ou de confiança e desconfiança. 

A questão seguinte é saber qual a ordem em que o eleitor coloca essas posições na cabeça e por onde começa o processo decisório. Não há uma ordem natural.

O eleitor tanto pode começar a decidir por um valor representado pelo candidato – simpatia, preparo, capacidade de comunicação – como pelo cinturão social e econômico que o aperta: carestia, violência, desemprego, insatisfação com os serviços públicos precários, etc. Os dois tipos de fatores tendem a formar massas conceituais – boas e ruins – na cabeça do eleitor.

A exposição dos candidatos na mídia vai criando impressões no eleitorado. E as impressões serão mais positivas ou mais negativas, de acordo com a capacidade de o candidato formular pensamentos e apresentar respostas aprovadas ou desaprovadas pelo sistema de cognição dos eleitores.

E daí, qual a lógica para a priorização que o eleitor confere às ideias dos candidatos? Nesse ponto, cabe uma pontuação de natureza psicológica.

As pessoas tendem a selecionar coisas (fatos, ideias, eventos, perfis) de acordo com os instintos natos de conservação do indivíduo e preservação da espécie.

Ou seja, o discurso mais impactante e atraente é o que dá garantias às pessoas de que elas estarão a salvo, tranquilas, alimentadas. O discurso voltado ao estômago do eleitor, ao bolso, à saúde é prioritário.

Tudo que diz respeito à melhoria das condições de vida desperta a atenção. Depois, as pessoas são atraídas por um discurso mais emotivo, relacionado à solidariedade, ao companheirismo, à vida familiar. 

Esses apelos disparam os mecanismos de escolha. Se a insatisfação social for muito alta, os cidadãos tendem a se abrigar no guarda-chuva de candidatos da oposição.

Se candidatos com forte tom mudancista provocarem medo, as pessoas recolhem-se na barreira da cautela, temendo que um candidato impetuoso vire a mesa abruptamente.

Assim, mesmo com certa raiva de candidatos apoiados pela situação, os eleitores assumem a atitude dos três macaquinhos: tampam a boca, os ouvidos e os olhos e acabam votando em candidatos situacionistas.

O maior desafio de um candidato de oposição, dentro dessa lógica, é o de convencer o eleitorado de que garantirá as conquistas dos seus antecessores, promovendo mudanças que melhorarão a vida das pessoas. Simples promessa não adianta: é preciso comprovar tim-tim por tim-tim como executará as propostas.

Por isso mesmo, quando o candidato agrega valores positivos, a capacidade de convencimento do eleitor será maior. Não se trata apenas de fazer marketing, mas de expressar caráter, personalidade, a história do candidato.

Uma história amparada na coerência, na experiência, na lealdade, na coragem e determinação de cumprir compromissos. Proposta séria e factível transmitida por candidato desacreditado não colará.

Os dois tipos de componentes que determinam as decisões do eleitor – as características pessoais dos candidatos e o quadro de dificuldades da vida cotidiana – caminham juntos, amalgamando o processo de decisões dos cidadãos.

Marketing bem-feito é aquele que procura juntar essas duas bandas, costurando os aspectos pessoais com os fatores conjunturais, conciliando posições, arrumando os discursos, analisando as demandas das populações, criando ênfases e alinhando as prioridades.

O que o marketing faz, na verdade, é acentuar os estímulos para que o eleitor possa, a partir deles, tomar decisões. E os estímulos começam com a apresentação pessoal dos candidatos, a maneira de se expressar, de se vestir.

Os cenários aguçam ou atenuam a atenção. A fluidez de comunicação, a linguagem mais solta e coloquial cria um clima de intimidade com o eleitor. As propostas precisam ser objetivas, claras e consistentes.

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Editorial

Incertezas não abalam exportações

Chama atenção a diversificação dos parceiros comerciais. Ampliar mercados reduz a dependência de um único destino e aumenta a segurança das exportações

08/04/2026 07h30

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O desempenho das exportações de Mato Grosso do Sul em março merece destaque. O Estado registrou o melhor resultado de sua história para o período, acompanhando um movimento semelhante ao observado no cenário nacional.

O Brasil também apresentou volume expressivo de vendas ao exterior, mesmo em um contexto marcado por incertezas no comércio global, tensões geopolíticas e desaceleração em algumas das principais economias do mundo.

Em tempos como os atuais, alcançar números positivos não é apenas um dado estatístico: é um sinal de resiliência e de competitividade.

Há, portanto, razões para comemorar. Poucos países têm conseguido manter desempenho macroeconômico consistente diante de um ambiente internacional instável.

O avanço das exportações demonstra que o setor produtivo, especialmente o agronegócio e a indústria de base, segue respondendo de forma eficiente à demanda externa.

No caso de Mato Grosso do Sul, esse resultado reforça a importância estratégica do Estado na pauta exportadora brasileira, consolidando sua posição como fornecedor relevante de alimentos e insumos para o mercado internacional.

Um saldo positivo na balança comercial representa mais do que números favoráveis, significa crescimento econômico, entrada de recursos externos e maior circulação de renda.

Esses fatores contribuem para fortalecer a economia local, estimular investimentos e gerar empregos.

Além disso, a entrada de divisas ajuda a sustentar a moeda nacional, reduzindo pressões cambiais e criando condições mais estáveis para o planejamento econômico.

O impacto, portanto, se espalha por diferentes setores e beneficia tanto o ambiente produtivo quanto o consumidor.

Outro aspecto relevante é a resiliência do comércio exterior. Mesmo com oscilações no cenário internacional, Mato Grosso do Sul e outras unidades da Federação continuam encontrando espaço para seus produtos.

Esse comportamento indica que há competitividade, qualidade e capacidade logística suficientes para manter o fluxo de exportações.

Em um mundo cada vez mais marcado por disputas comerciais e rearranjos geopolíticos, essa consistência é um diferencial importante.

Também chama atenção a diversificação dos parceiros comerciais. Ampliar mercados reduz a dependência de um único destino e aumenta a segurança das exportações.

Ao fortalecer relações com diferentes países, o Estado demonstra confiabilidade e capacidade de atender demandas variadas.

Esse movimento sinaliza ao mundo que Mato Grosso do Sul é um parceiro estável, capaz de manter boas relações comerciais e cumprir compromissos mesmo em cenários adversos.

Manter esse ritmo é fundamental. O comércio exterior tem sido um dos motores do crescimento econômico e um indicador de que, apesar das incertezas, o Estado continua avançando. Exportar mais significa produzir mais, gerar renda e consolidar a presença no mercado internacional.

Em tempos de volatilidade global, resultados como o de março reforçam a confiança de que seguimos no caminho certo, com uma economia que se mostra preparada para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades.

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