Terça, 21 de Novembro de 2017

Correio do Estado

Confira o editorial desta segunda-feira:
Obrigação de fiscalizar

13 NOV 2017Por 03h:00

Se uma divisão da administração pública, caso da Semadur, não consegue cumprir sua finalidade, sua existência não se justifica

A fama de ser uma das capitais mais arborizadas do Brasil, conquistada por Campo Grande ao longo de sua história, corre risco. Ao admitir que há um ano não faz o trabalho de poda de árvores, e que não tem fiscais suficientes para vistoriar os que retiram galhos destas plantas por conta própria, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur), revela o que não é difícil de constatar ao circular pela cidade: o abandono das políticas públicas de meio ambiente.

Se uma divisão da administração pública, caso da Semadur, não consegue cumprir sua finalidade, sua existência não se justifica. Do jeito que está, sem fiscalização, e sem implementação das políticas ambientais existentes, se o órgão fosse fechado, sua falta não seria sentida pela maioria.

Campo Grande tem Plano Diretor de Arborização, criado no início desta década, que, apesar de vigente, e de ser uma diretriz a ser seguida pelo município, é desprezado em sua totalidade. Quem se acostumou com o status de capital arborizada conquistado com muito trabalho e planejamento de muitos gestores, arquitetos e urbanistas, se surpreenderia ao ver as podas radicais feitas em dezenas de árvores da cidade, como ocorreu em parte das avenidas Calógeras e Euler de Azevedo, e também na Rua Euclides da Cunha.

A devastação foi denunciada pelo Correio do Estado na edição de sábado. Destas árvores, sobraram só o tronco. Galhos, folhas, foram retirados por completo.

A resposta do município para o problema, foi desaminadora: falta recursos e, por consequência, de pessoal para cuidar melhor da cidade. A justificativa da Semadur, no entanto, não é coerente com um outro trabalho executado recentemente pelo órgão municipal: as incontáveis notificações para pessoas que construíram puxadinhos nos terrenos de suas casas, elevando assim, a área construída. Estas multas foram distribuídas aos montes. Ao que parece, os poucos servidores que a Semadur alega ter, atuam exclusivamente nesta tarefa.

É evidente que multar construções irregulares, além de contribuir para a elevação da arrecadação, é um dos deveres dos fiscais do município. Mas vistoriar podas das árvores, planejar o plantio de novas mudar e fazer valer a legislação ambiental vigente, é também uma obrigação, embora dela, não se extraia recursos financeiros, como ocorre com as notificações aos donos de puxadinhos.

É importante que os gestores do município se conscientizem que uma cidade corretamente arborizada, que segue padrões de paisagismo e sustentabilidade, eleva a qualidade de vida de seus cidadãos. Além do benefício estético, que torna o ambiente urbano mais belo e agradável, também há vantagens funcionais, como por exemplo, a prevenção de algumas catástrofes naturais, como violentas enchentes e o calor excessivo. Cuidar do meio ambiente, faz bem para todos. Seria importante que este trabalho fosse retomado. 

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