Quarta, 18 de Outubro de 2017

Correio do Estado

Confira o editorial desta segunda-feira:
Desafios das crises

17 ABR 2017Por 03h:00


A lisura na arrecadação e nas despesas será essencial para garantir a compreensão da população ante medidas amargas

O desafio é enorme e há muito trabalho pela frente. As dificuldades financeiras, espalhadas por todo País, continuam e, por isso, a tendência é que o Governo Reinaldo Azambuja mantenha cautela e prudência diante do resultado satisfatório da aprovação de 70,9%, revelado pelo Ipems. Ainda nos próximos meses, “turbulências” serão enfrentadas, a começar pelo reajuste salarial dos servidores, cuja data-base é maio, que deve ficar abaixo do reivindicado. Ainda, no decorrer do ano, a gestão estadual terá o desafio de assegurar mais investimentos, pois, atualmente, grande parte das obras executadas depende exclusivamente de recursos arrecadados pelo Fundersul, fundo mantido pelos produtores rurais. 

A crise econômica tem várias faces nefastas e a mais cruel manifesta-se pelo alto índice de desemprego. Esse indicador expõe os entraves para o crescimento, a perda do poder de compra do consumidor, a falência de empresas e, consequentemente, a queda arrecadatória para Estado e prefeituras. A situação de colapso forçou gestores a rever gastos, aumentar rigor para fiscalizar e cobrar inadimplentes, revisar incentivos fiscais exagerados ou até mesmo cortar alguns cargos comissionados que serviam apenas para apadrinhamento político. Obviamente, ainda estamos longe do ideal e, certamente, qualquer análise mais aprofundada em portais da transparência serve para nos depararmos com situações discrepantes. Mas, há de se considerar que a crise aliada aos escândalos de corrupção desmascarados em todo o País vem levando a mudanças de postura e exigindo medidas que há muito eram proteladas. 

Com queda na receita, estados ficaram no limite ou até estouraram os gastos com pessoal, estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, cumprir obrigações acabou transformando-se em méritos e conquistas. Quitar a folha salarial ou dar conta do décimo terceiro salário, por exemplo, são tarefas frequentemente exaltadas. Nessa “toada”, embalada pelas revelações da Lava Jato, a honestidade também virou trunfo. Na pesquisa do Ipems, por exemplo, a população exaltou como ponto positivo o fato de Azambuja ser considerado correto e não estar “metido em falcatruas”. 

O brasileiro enfrentou sucessivas decepções, com a assombrosa relação de negócios e política baseada no toma lá dá cá, que ganhou personagens e detalhes em delações premiadas e inquéritos no âmbito da Lava Jato. Por isso, a confiança tornou-se rara e importante instrumento de força eleitoral. Certamente, a transparência será aliada importante para que os eleitores possam fazer as escolhas corretas. 

O Governo estadual teve o alento de receitas extras, a exemplo do montante dos precatórios judiciais, mas teve desfalques significativos decorrentes da perda de ICMS do gás. Por isso, manter o equilíbrio será desafio constante. A lisura na arrecadação e nas despesas será essencial para garantir a compreensão da população e dos servidores ante as medidas amargas que ainda poderão surgir.

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