Segunda, 22 de Maio de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: "Repetição de promessas"

16 MAR 2017Por 03h:00

Sem transparência e bons exemplos do investimento correto do dinheiro público, a confiança não será restabelecida e as reações permanecerão. 

A gravidade da crise econômica e das dificuldades de gestão ficou evidente na falta de resultados efetivos das reuniões ocorridas nesta semana, em Brasília. O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad, e o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, apresentaram projetos, propostas, debateram urgências, mas retornaram apenas com promessas e expectativas. Mais um dos vários sinais de que não será possível depender muito do governo federal para garantir investimentos. A União ampara-se nas reformas previdenciária e trabalhista para tentar reverter o cenário de recessão. Mas enfrenta forte resistência popular, como demonstrado ontem pelas manifestações em todo o País. Neste contexto de incertezas, estados e municípios terão de planejar outras formas de economizar e impulsionar a arrecadação para atender às demandas da população e tentar viabilizar, ao menos, parte do que foi planejado.    

Marcos Trad, por exemplo, tenta destravar projeto parado há pelo menos cinco anos: a revitalização do centro de Campo Grande. Ele não conseguiu a assinatura do empréstimo de US$ 56 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para iniciar os investimentos. Reflexo de imbróglio jurídico criado porque o Rio de Janeiro não quitou sua dívida com o banco. No mesmo dia, o governador Reinaldo Azambuja teve encontros com o presidente Michel Temer e com ministros para tentar assegurar recursos ao Estado e, principalmente, pedir que a Petrobras retome a importação de gás boliviano, a fim de evitar prejuízos ainda maiores ao Estado, decorrentes da queda do ICMS. 

Azambuja também voltou a cobrar ações mais efetivas para combate ao tráfico de drogas  e a liberação de recursos para investimentos no sistema carcerário. Outro problema frequentemente protelado, que representa apenas uma das displicências da União em relação à prioridade de investimentos. Enquanto diversos estados gastam milhões com segurança, a origem dos problemas é ignorada. Armas e drogas – vindas do Paraguai e da Bolívia – continuam entrando livremente no País. A fronteira volta a registrar cenas de guerra. Descaso que reflete diretamente no cotidiano de cada cidadão, com a violência fazendo vítimas todos os dias. 

O cenário de contrassensos indigna. Até mesmo no debate sobre a reforma da Previdência. Escancara-se o deficit de R$ 149,7 bilhões no ano passado, ao mesmo tempo em que grandes empresas acumulam dívida de R$ 426,07 bilhões por falta de repasses ao INSS. O presidente Temer insiste em falar da preocupação com o futuro, mas o presente mostra ao brasileiro novos pedidos de investigações contra políticos. Sinal de que o cerne real da crise não está sendo devidamente avaliado. 

Sem transparência e bons exemplos do investimento correto do dinheiro público, a confiança não será restabelecida e as reações permanecerão com o clima de instabilidade. Algo que vale para todos os gestores. Por isso, hoje, o governo federal não consegue avançar e, consequentemente, governadores e prefeitos seguem como os eleitores: apenas com promessas repetidas. 
 

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