Quarta, 26 de Julho de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: "Continuidade na segurança"

20 ABR 2017Por 03h:00

Comprova-se que as medidas grandiosas e pontuais são necessárias, mas insuficientes para evitar que as irregularidades se repitam.

Há menos de dois meses, neste mesmo espaço dedicado ao editorial, alertávamos sobre o espantoso descontrole dentro dos presídios de Mato Grosso do Sul. A negligência favorece as organizações criminosas, que conseguem aumentar seu poder de atuação e continuam ordenando assaltos, tráfico e até homicídios de dentro das cadeias.À época, em operação com apoio do Exército, foram apreendidas centenas de armas artesanais (principalmente facas e punhais), além de drogas e celulares. Comprova-se que as medidas grandiosas e pontuais são necessárias, mas insuficientes para evitar que as irregularidades continuem se repetindo. 

Novamente, nesta semana, acompanhamos operação com participação do Gaeco, Bope, Batalhão de Choque e da Diretoria de Inteligência para desarticular esquema de presos ligados à facção Primeiro Comando da Capital (PCC) que estavam comandando crimes de dentro de penitenciárias. Por mais que as operações demonstrem a presença do Estado para conter a criminalidade, ficam evidentes as falhas na segurança. É preciso corrigir, com urgência, essas displicências. A possível cumplicidade de agentes penitenciários, ou “vista grossa” às irregularidades, precisa ser combatida, mas assegurando que esses profissionais terão respaldo do Estado para agir com o rigor que suas funções exigem. 

Não se trata de problema específico de Mato Grosso do Sul. Tanto que, no começo deste ano, acompanhamos as barbáries em presídios nas regiões Norte e Nordeste do País. Fatos lamentáveis, que não podem ser esquecidos. Tivemos no Estado, também neste ano, operação que apontou a participação de diretores do presídio em Corumbá com quadrilha de traficantes. O colapso no sistema carcerário brasileiro permanece, resultando até mesmo em mortes dentro e fora das cadeias. Investimentos em tecnologia são anunciados, mas acabam não sendo colocados em operação ou justifica-se alto custo de manutenção. Dinheiro jogado fora! 

A Secretaria Estadual de Segurança Pública lança operação, com apoio de helicóptero, para combate à criminalidade. Será natural que as quadrilhas (muito organizadas, como já ficou demonstrado) recuem temporariamente algumas atividades. Por isso, tais medidas não podem ocorrer esporadicamente. Espera-se, portanto, que as ações de reforço à segurança tenham continuidade para terem, de fato, eficácia. Não foi o que ocorreu na situação específica dos presídios, em que não acompanhamos novas varreduras na mesma proporção daquela ocorrida em fevereiro. 

O planejamento estratégico e integrado é crucial para garantir resultados. Já ficou comprovado que, isoladamente, as medidas repressivas não têm a durabilidade suficiente e não alcançam as metas esperadas se não forem acompanhadas de trabalho investigativo, da atuação firme do Judiciário e até mesmo de ações sociais. Sem esse trabalho contínuo e mais amplo, dinheiro será desperdiçado e continuaremos a conviver com índices crescentes de violência.     

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