Sábado, 10 de Dezembro de 2016

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Por mais soberania"

30 NOV 2016Por 03h:00

Governantes tem pensado muito em investimentos imediatos e essa pressa os têm levado a ignorar que a soberania de uma país, não tem preço.

Soberania tem valor financeiro? Esta é a pergunta deve ser feita aos governantes, sejam eles das esferas federal, estadual e municipal, todas as vezes que eles defendem a liberação da venda de terras brasileiras a estrangeiros. O argumento utilizado em favor dos que querem esta entrega de terras sempre envolve números, significativos, diga-se de passagem. Estes números aparecem antes nos discursos, claro, para inibir qualquer possibilidade de argumento, afinal de contas, as cifras exercem um encanto sobre o ser humano que dispensa qualquer descrição. 

Tem sido assim quando este assunto é tratado pelas autoridades. Pouquíssimas se manifestaram contra a liberação da venda de propriedades a pessoas físicas ou jurídicas estabelecidas em outros países. Estudos promovidos por entidades ligadas ao agronegócio, afirmam que a liberação destas terras destravaria nada menos que R$ 150 bilhões de investimentos “represados”.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, é um entusiasta da entrega de parte de nosso território. Segundo ele: valorizaria as terras, e atrairia investimentos. Outro ministro, o da Fazenda, Henrique Meirelles, também quer liberar a venda. Este, porém, está mais interessado em ver dinheiro entrando no país. Seria um alívio momentâneo à nossa combalida economia, porém, com consequências drásticas no médio e no longo prazo.

Em Mato Grosso do Sul não é diferente. Neste ano, o governador Reinaldo Azambuja também manifestou-se favoravelmente à venda de terras a estrangeiros. Em Ribas do Rio Pardo, consórcio que pretende construir fábrica da celulose no município, também espera a liberação da transferência da propriedades brasileiras a estrangeiros, para confirmar investimento na cidade. O capital para tal feito vem da China.

Os estrangeiros sempre foram muito bem-vindos no Brasil. Nossa nação foi construída basicamente por pessoas que vieram de outras terras em busca de felicidade para os seus. 

Diante de todas as pressões por abertura cada vez maior de nossas propriedades ao capital externo, mais do que nunca é preciso sensibilidade de nossos governantes para separar  pessoas e corporações de outros países que, de fato, querem ajudar o Brasil a crescer e incentivar a produção local, conforme as leis existentes, e as que desejam nosso território para extrair dele nossas riquezas, sem qualquer preocupação com as pessoas que nele vivem.

É preciso que os gestores públicos tenham uma mínima noção do conceito da palavra “estado”. Uma das características que faz qualquer país ser reconhecido independente, é sua soberania. Sem ela, e sem a consequente autodeterminação de seu povo, não existe um país.

 Os governantes atuais tem pensado bastante em investimentos imediatos, e essa pressa os têm levado a ignorar que a soberania de uma país, não tem preço. A enxurrada de dinheiro oriunda de países como a China e economias como a norte-americana e da União Europeia, leva muitos de nossos representantes a, aparentemente, pensarem mais em si, do que propriamente em seus representados. Desta forma, em troca de dinheiro fácil, tentam terceirizar tudo e, em alguns casos, vendem o que nunca lhes pertenceu, que é a soberania do povo brasileiro. 
 

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