Segunda, 23 de Outubro de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Pista moderna para quem?"

5 OUT 2017Por 03h:00

Basta ir além do espaço da pista de atletismo, no Parque Ayrton Senna, para perceber que este 
é o menor dos problemas da área de lazer.

A olimpíada do Rio de Janeiro ocorreu há pouco mais de um ano, mas Campo Grande ainda espera por obras cujo objetivo era preparar atletas para a competição, a primeira da história realizada no Brasil. Informação divulgada nesta semana pela prefeitura da Capital, indica que a pista de atletismo profissional, a ser construída no Parque Ayrton Senna, emfim, sairá do papel. Com cinco anos de atraso.

A promessa de que os R$ 7,6 milhões necessários para a obra serão liberados veio do Ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, durante reunião com o diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), Rodrigo Terra (leia reportagem nesta edição) na noite do último dia 3. Se o projeto de 2012, fosse concluído até o ano seguinte, como era previsto em cronograma, talvez muitos atletas campo-grandenses estariam disputando competições mundo afora. No entanto, esta possibilidade está muito distante, ainda que a pista fique pronta em breve. O motivo é a escassez de projetos para treinar atletas de alto rendimento. Se eles existem, quase ninguém sabe.

Basta ir além do espaço reservado para a pista de atletismo, no Parque Ayrton Senna, para perceber que este é o menor dos problemas da área de lazer, que outrora foi bem melhor mantida e estruturada que nos tempos atuais. A piscina e várias quadras poliesportivas do local estão desativadas. A má conservação da estrutura existente é indicativo do que está por vir quando o espaço reservado ao treinamento de atletas de alta performance estiver pronto, conforme promessa do ministro.

O parque localizado no Bairro Aero Rancho, contudo, não está sozinho. Se houvesse disputa para definir o maior exemplo de mau uso e conservação, o páreo seria duro. Existiriam poderosos concorrentes na disputa pelo lugar mais alto do pódio, como por exemplo, o “irmão” (ambos têm projetos similares) Jacques da Luz, nas Moreninhas. Lá, a piscina também está desativada. Em um passado não muito distante, estas duas áreas eram as maiores e melhores opções de lazer destes dois bairros, que estão entre os mais populosos da Capital.

Além de tardia, a aplicação de R$ 7,6 milhões em uma pista de atletismo com oito raias e piso emborrachado pode não ser mais tão necessária quanto antes. Esta verba, que não é pouca, poderia ser aplicada em outro setor da administração pública com demandas mais urgentes, caso da saúde, ou mesmo na manutenção da estrutura esportiva já existente.

Um dos maiores exemplos da falta de eficiência no uso e administração dos bens públicos é o abandono do Ginásio Guanandizão. O centropoliesportivo, que já foi palco de competições importantes, como a Liga Mundial de Vôlei, está jogado à própria sorte. Se é que existem projetos para reativá-los, eles não são urgentes. O abandono das instalações em Campo Grande indica que a cidade está muito longe do primeiro lugar no quesito infraestrutura esportiva.
 

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