Sexta, 26 de Maio de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Má gestão dos fundos"

15 MAR 2017Por 03h:00

Não é preciso ser especialista em previdência, ou mesmo ter bola de cristal para saber quem arcará com este rombo: os funcionários da Caixa e da Petrobras.

Não basta somente reformar as regras da previdência para resolver o problema da insuficiência de dinheiro para o pagamento de aposentadorias dos funcionários da iniciativa privada e de servidores públicos. É preciso também mais transparência na gestão dos recursos bilionários que irrigam o sistema, e mais: voz ativa daqueles que contribuem para definir o destino desses recursos.

Em meio às polêmicas propostas do governo federal em tramitação no Congresso Nacional, de elevação da idade mínima e do período de contribuição dos funcionários da iniciativa privada, e do percentual de desconto no salário dos servidores públicos do regime estatutário da previdência, escândalos envolvendo recursos oriundos dessas contribuições previdenciárias têm sido destaque nos noticiários, e também na Justiça Federal.

É o caso dos prejuízos bilionários que os fundos de previdência complementar Petros (dos funcionários da Petrobras) e Funcef (de quem trabalha na Caixa Econômica Federal). Cada um destes fundos perdeu pelo menos R$ 1 bilhão no ano passado com a desvalorização das ações da Eldorado Celulose no mercado. Eles são acionistas da empresa.

Não é preciso ser especialista em previdência e em gestão, ou mesmo ter bola de cristal para saber quem arcará com este rombo. Sim, certamente serão os funcionários dessas duas estatais. No caso da Caixa Econômica, diga-se de passagem, cada vez menos a previdência complementar tem feito a diferença no rendimento mensal dos aposentados do banco público.

Certamente, a J&F Investimentos, holding que, além da Eldorado, controla outras empresas conhecidas pela maioria das pessoas, como os frigoríficos JBS, não se responsabilizará pelos danos causados na gestão da empresa de papel e celulose. Nem tampouco os gestores desses fundos de pensão, que normalmente são nomeados pelo governo federal, arcarão com as consequências. A julgar pelos passos dados pelos conselhos de administração dessas empresas desde 2016, a bomba também não deverá estourar nas mãos dos acionistas privados.

Os fundos Petros e Funcef, e por extensão o governo federal pagarão por mais esta gestão temerária. A recomendação é que os funcionários da Caixa Econômica Federal e da Petrobras busquem na Justiça a reparação desses danos.

Não bastasse o rombo bilionário nos fundos de pensão que são acionistas da Eldorado, os investimentos captados para ampliar a produção das unidades fabris da empresa também vieram dos trabalhadores. Neste caso, porém, de todos os que têm emprego formal. Grande quantidade de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi emprestada à empresa papeleira, que agora assiste ao seu valor de mercado despencar. Neste caso específico, gestores da Caixa Econômica Federal - que é quem administra esta reserva de recursos para os trabalhadores - também devem satisfação. 
 

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