Sábado, 24 de Junho de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Corrupção generalizada"

19 ABR 2017Por 03h:00

Por isso a importância das fiscalizações frequentes, das investigações contundentes e eficazes e das punições equivalentes aos danos causados aos cidadãos.

A sequência de esquemas de corrupção – com pagamento de propina, dinheiro ilícito para financiamento de campanhas eleitorais e superfaturamento de contratos – ganha proporções ainda mais espantosas com as delações da Odebrecht. Agora, em Mato Grosso do Sul, o ex-governador André Puccinelli, o ex-deputado federal Edson Giroto e o empresário João Amorim foram citados pelo ex-executivo da Odebrecht João Antônio Pacífico por receberem propina de R$ 2,64 milhões para campanha eleitoral de 2010. 

Os inesgotáveis escândalos que se espalham pelo País refletem os danos severos à economia e à credibilidade, dificultam a criação de emprego e prejudicam quem mais depende dos serviços públicos. Dinheiro do contribuinte deixa de ser aplicado em áreas essenciais. É preciso acabar com a impunidade e aplicar punições independentemente de quem tiver cometido ilegalidades. As megaoperações revelam de forma mais escancarada as adversidades do meio político, que atingiram governo, Câmara, Senado. A população já demonstrou que está cansada desse modelo, mas precisará referendar essa reação nas urnas e até mesmo no seu cotidiano.

Infelizmente, ainda há casos em que ocorre reciprocidade para que irregularidades sejam cometidas. Os programas habitacionais, por exemplo, perderam a real finalidade de garantir acesso à moradia às famílias mais carentes e transformaram-se em moeda de troca. Reportagem publicada no Correio do Estado de ontem mostra as incoerências encontradas no Minha Casa Minha Vida, com abertura de pelo menos 14 investigações pelo Ministério Público Federal somente nos últimos quatro meses. Há distribuições de casas para amigos e familiares de políticos, venda ilegal e descumprimento de diferentes normas. Crimes cometidos por pessoas ligadas ao serviço público, com a participação de pessoas da sociedade.

A interação entre o poder público e agentes privados só foi possível porque as duas partes aceitaram jogar o mesmo jogo. A frase foi dita pelo executivo Emílio Odebrecht, ao depor diante da força-tarefa da Lava Jato, mas pode ser aplicada a praticamente todas as práticas corruptas, com variáveis proporções ou quantidade de dinheiro surrupiada. Obter vantagens em negociatas tornou-se prática corriqueira, independentemente do segmento envolvido. 

Na execução de obras públicas, os aditivos tornaram-se frequentes para favorecer empresas e incluir valores questionáveis. Por isso, há centenas de investigações espalhadas pelo País. Inclui-se nas irregularidades a verba destinada à merenda ou à saúde pública. Nada se respeita. A intolerância aos lapsos éticos precisa ser demonstrada com atitudes. Cabe a todos reagir para evitar a corrupção generalizada. Por isso a importância das fiscalizações frequentes, das investigações contundentes e eficazes e das punições equivalentes aos danos causados aos cidadãos. A extensão de problemas nos demonstra que há muito a ser corrigido, algo possível somente com a participação de todos. 
 

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