Quarta, 28 de Junho de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quarta-feira: "Batalha interminável"

11 JAN 2017Por 03h:00

Sem esse controle dos gastos, nunca haverá dinheiro suficiente e pacientes continuarão submetidos às constantes ameaças de paralisações. 

A Santa Casa de Campo Grande sobrevive em meio a frequentes ameaças, numa interminável briga por recursos. A mantenedora, Associação Beneficente, tem total dependência das verbas repassadas pela Prefeitura de Campo Grande e Governo do Estado. Sem esse dinheiro, o resultado imediato seria o colapso. A atual direção lutava para retornar ao comando do maior hospital de Mato Grosso do Sul, inclusive com vários recursos na Justiça, depois da intervenção do poder público que durou oito anos. Precisou, convenientemente, manter a “intervenção” financeira, com a prerrogativa de, agora, poder administrar os milhões depositados mensalmente. Fica a dúvida sobre por que tanto  interesse nesta gestão se agora só há queixas e problemas.

Está clara a necessidade de garantir mais eficiência, para que a população não continue a sofrer com os transtornos decorrentes da paralisação de funcionários com salários atrasados ou cirurgias eletivas suspensas por falta de materiais. Esses problemas têm sido frequentes. Ontem mesmo, enfermeiros paralisaram os serviços para cobrar o pagamento referente a dezembro.  A Associação culpa a prefeitura pelo atraso no repasse de R$ 6,5 milhões, referentes aos meses de novembro e dezembro. Obviamente, o compromisso deveria ter sido cumprido, pois a administração do hospital já contava com esse recurso para custear as despesas. Mas, ao mesmo tempo, impressiona a necessidade de o Município ter de bancar até as despesas essenciais do local.

Sabe-se que a Santa Casa conta com série de contratos com clínicas particulares, que prestam serviços ao hospital. Qual lucro mensal obtido? Além disso, há repasse significativo do Sistema Único de Saúde (SUS). Neste caso, pondera-se o problema sobre a defasagem em relação aos valores cobrados por procedimentos. Seria importante ter acesso a essas prestações de contas, já que quantidade significativa de recursos públicos vem sendo aplicada no hospital. Infelizmente, não é tão fácil obter os dados. As informações sobre demonstrações contábeis, disponibilizadas no site da instituição no ícone transparência, estão defasadas. Já os dados sobre contratos e folhas de pagamento nem estão disponíveis. Em 2015, houve questionamento sobre altos salários  e o comprometimento da folha, mas pouco avançou no esclarecimento à população. 

A previsão é que no próximo ano o Hospital do Trauma seja ativado. Benefício à população, para atender demanda urgente, mas que também implicará em aumento de repasses num momento em que gestores estão com grave dificuldade para manter o caixa.  Hoje, há preocupação em construir novas unidades, mas esbarra-se na falta de planejamento e organização para mantê-las. Temos exemplo claro dessa incoerência nos postos de saúde, onde filas, superlotação e falta de médicos tornaram-se dramas rotineiros.

O poder público - Governo do Estado e Prefeitura da Capital - tem obrigação de manter o acompanhamento constante das gestões dos hospitais que auxilia. Precisa também cumprir com suas obrigações firmadas em convênio, o que não estava ocorrendo na gestão de Alcides Bernal. O assunto não vem sendo tratado com seriedade e prioridade. Sem esse controle dos gastos, nunca haverá dinheiro suficiente e pacientes continuarão submetidos às constantes ameaças de paralisações.  
 

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