Sábado, 10 de Dezembro de 2016

opinião

Christiane Mesquita: "Espaços e respeito"

Jornalista

28 NOV 2016Por 01h:00

Sabe aquela máxima que “aprendemos” sobre limite. Que o meu começa onde termina o seu? Ela, infelizmente quase não é respeitada. Sim, triste né, mas as pessoas não fazem a leitura exata do que o próximo necessita e, por sinceridade demais ou até maldade, vivem invadindo o limite alheiro.

A coisa é simples, o exercício de se colocar no lugar do outro deveria ser feito o tempo todo para que pudéssemos perceber o quanto invadimos, às vezes sem querer o espaço do universo do outro. 

E aí ficam esses problemas eternos com conflitos interexistenciais entre os seres, que poderiam simplificar em vez de amplificar os problemas.

A vida poderia ser tão simples se quiséssemos. Vejam bem, cada um quer ter sua voz e lugar no mundo, mas a pluralidade de ideias diverge constantemente, é aí que cabe e entra o respeito. Eu, você e o vizinho ao nosso lado fomos criados por famílias diferentes, com valores diversos e não custa nada tentar respeitar o indivíduo que só busca viver bem em sociedade.

Não importa se a criação dele ensinou valores que, na tua opinião, são errados e deturpados. Talvez para a dele, lhe foram ensinadas coisas absurdas. Bora tentar então respeitar todo e qualquer tipo de diversidade existente?

Religião, opção sexual, tatuagem, piercing. Gente, pelo amor, cada um vive como quer, pode e sabe. O que tem o seu vizinho querer ter quatro cachorros caros e não ter dinheiro sobrando na carteira para o champanhe de sexta pois ele é feliz criando os pedigrees? O que é mesmo que você tem a ver com isso?

Precisamos nos concentrar em nossos próprios umbigos e ver se está tudo certinho em nossas vidas, mas tudo mesmo, já que a capacidade de olhar o jardim do outro e encontrar defeitos é enorme, mas a autoanálise foi esquecida.

A partir de hoje, tente fazer diferente, o espaço que você quer é o espaço que o seu conhecido quer, deixe que esses espaços não entrem em conflito, que o que você deseja de bom para si não interfira no espaço dele e vice-versa.

Desta forma tudo ficaria mais fácil. Nem sempre temos como conseguir fazer essa leitura do tamanho do limite que podemos usar com um ou com outro, mas aprendemos com o tempo.

Esses dias fui brincar com uma amiga e realmente extrapolei o limite dela, aprendi então que temos que as vezes ficar quietos, que, até uma inocente brincadeira, pode deixar o ambiente pesado, com uma discussão, desnecessária.

Amigos, digo a vocês uma coisa que aprendi então, e aprendi há pouco, pois não queria aceitar a verdade. Tudo em nossa vida é espelho, é desse espelho que falo quando repito as palavras limite e espaço.

Quando peço uma reflexão acerca do assunto é o seguinte. O que você vê no espelho quando fica na frente dele? Você, e como é que você vê isso?

Depende do que emite, uma careta ou um sorriso, é exatamente isso que vai voltar para você nas relações interpessoais, e para que essa imagem que volta seja sempre refletida, você necessitará de um autoexame sério sobre percepção de limite e espaço.

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