Quarta, 16 de Agosto de 2017

OPINIÃO

Cezar Benevides: "Comandante militar na ONU"

Professor aposentado da UFMS

18 ABR 2017Por 01h:00

Alguém me disse que no Brasil não há líderes. Eu discordo. Existem muitos, embora anônimos. Vou me restringir a mencionar o general de Exército Menandro, que está encerrando, em junho, vitoriosamente, a sua elevada missão de comandante militar do Oeste. Sempre discreto, desde simples tenente, revelou-se, agora, um notável dirigente militar ao ser indicado para representar as Forças Armadas brasileiras na Organização das Nações Unidas (ONU).

Lembrei-me de que já tínhamos nos encontrado no passado, na inesquecível Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, Rio de Janeiro. Ele foi instrutor do departamento de treinamento especial. Daquele pequeno grupamento de oficiais e praças, altamente qualificado, reencontrara antes, aqui em Campo Grande, dois dos seus colegas, o coronel Siqueira e, depois, o general Burgos. O primeiro até me convidou para participar de exercícios militares que compareci utilizando uniforme de campanha. Com o general Burgos cheguei a jantar na residência da distinta família do dr. El Kadri, na Avenida Afonso Pena, com a presença do amigo e professor Eduardo Velasco de Barros.

Servimos juntos entre 1976 e 1978, em pleno regime militar. Nunca assisti a nenhuma conduta inadequada daqueles jovens líderes. Todos deixaram para minha pessoa como legado o bom exemplo do exercício da ética na vida profissional. Interessante é que, como cadete de Engenharia ou aspirante a piloto militar, jamais fui condicionado para me tornar um cego defensor da ideologia do sistema político que predominava naquela fase da vida brasileira. Parece paradoxal, mas nunca me senti tão livre.

A vasta carreira do general Menandro é uma das mais dignas do Exército Brasileiro e até ele mesmo tem dificuldades em enumerar as missões que lhe foram atribuídas e desempenhadas com êxito. Posso assegurar que ele está comprometido consigo mesmo a utilizar todo o seu conhecimento e capacidade técnica para servir a humanidade e para elevar o nome do Brasil nas mais altas esferas daquela respeitável instituição internacional. O general Menandro tem convicção de que todas as atividades da vida se tornam agora cada vez mais interdependentes. Por isso, precisamos que o Brasil seja representado por um oficial com visão global. A ONU tem como meta a reparação de injustiças e desigualdades que vemos à volta do mundo. Enquanto muitos líderes continuarem a manter a desconfiança mútua, jamais se reunirão para oferecer contribuições valiosas para a humanidade. 

Desejo, como ex-aluno do general Menandro, que ele se aproxime na ONU do dr. Daisako Ikeda, que já recebeu inúmeros prêmios e títulos honoríficos de instituições e universidades de várias partes do mundo, entre eles o Prêmio da Paz das Nações Unidas. Ele tem elaborado também várias propostas sobre desarmamento, cultura e educação. 

A principal virtude da Universidade de Soka (Japão e Estados Unidos), por ele instituída, está em criar um ambiente saudável e propício para o surgimento de líderes jovens e garantir que possam atuar em qualquer lugar do planeta e modificar para melhor este mundo ainda dividido por tantas muralhas antigas e tantos muros atuais. Vou escrever ao reitor da Universidade de Soka, na Califórnia, informando que o general Menandro está seguindo para os Estados Unidos. Muito boa sorte, meu comandante.

Leia Também