Segunda, 23 de Outubro de 2017

Opinião

Carlos Lopes dos Santos: O bem e o mal tem o mesmo valor para o ser humano

Carlos Lopes dos Santos é Advogado

12 OUT 2017Por 02h:00

No mundo em que vivemos, o homem parece não ter limites na incansável busca do conhecimento e do funcionamento das coisas. Todos os dias novas tecnologias e descobertas acontecem no planeta. Definitivamente, podemos concluir que o ser humano, respeitadas as generalidades, é um ser extremamente inteligente.

Apesar da existência de tantas doenças incuráveis ainda, problemas urbanos, escassez de água e alimentos em algumas regiões do planeta, desastres naturais e ambientais, guerras entre nações e entre a própria nação, enfim, apesar de tantas imbecilidades e equívocos produzidos pelo homem, ainda assim, podemos concluir que Ele é muito inteligente. O que prova isso claramente? É a sua permanência e permanência intacta do planeta até os dias de hoje, apesar de todas as consequências mencionadas acima e tantas outras inumeráveis nesta ocasião. Ninguém pode avaliar com precisão até quando perdurará o homem e o seu planeta, contudo, se o ser humano não tivesse desenvolvido com tanta maestria sua capacidade intelectual durante esse tempo todo, certamente, nem nós e nem esse gigante de rochas e minerais chamado de planeta Terra, estaríamos ainda por aqui.

O homem, desde seu surgimento na terra, já produziu muito de quase tudo. Entre tantas realizações, criou também a bondade e a maldade dos seus feitos. Infelizmente, até hoje, ainda não descobriu que a bondade é a maior e mais importante forma de acabamento de suas obras, o ingrediente essencial que doura a todas as outras criações.

A história humana é recheada de acontecimentos que nos emocionam, mas os que mais ressoam e marcam em nossas vidas, certamente, não são os atos de bondade que praticamos e sim as barbáries e os mais diversos tipos de atrocidades que engendramos contra nosso semelhante e contra o ambiente em que vivemos.

Quem se recorda, prontamente, de qualquer evento importante, grandioso e bondoso, de grande significado em nível do planeta, que o homem tenha produzido em favor do seu próximo? Prontamente? Podemos até lembrar, mas não de imediato. Entretanto, se é para dizer num piscar de olhos, o que recordamos de alguma coisa ruim ao extremo, de grandes proporções e alcance que o ser humano tenha feito, aí é “mamão com açúcar”, como diria minha saudosa Avó.

Faça o teste e veja que eu tenho razão. Enquanto você tenta se lembrar das bondades, desfilo na memória, como num relâmpago, algumas maldades humanas, tipo as atrocidades de Hitler, do “estado islâmico”, a guerra na Síria, a fome no mundo, a escravidão humana, os assassinatos em massa, a sangue frio, nos Estados Unidos, a queda das torres gêmeas, a morte das crianças na creche em Minas Gerais e por aí vai. Claro que o leque de maldades é infindável. O de bondades plenamente enumeráveis.

Quanto mais o homem evolui, mais ele desenvolve a forma de conceber seu egoísmo e ambição desmedida. Embora possua prazo de validade, o homem age como se fosse eterno ao apegar-se em demasia ao dinheiro e ao poder. Um simples infarto ou um inesperado acidente fatal pode exterminar até mesmo o mais sadio, o mais poderoso, o mais rico e o maior ou o melhor do ser humano. Simples assim e desculpem a redundância.

Como explicar então essa cegueira embrionária que impede que se faça mais, se priorize mais o bem do que o mal? Para mim só pode haver uma explicação, isto é, a de que o homem não consegue realmente distinguir o que é bom e o que é mal, em relação a sua existência e a sua permanência nesse planeta, que também como a vida humana, tende a desaparecer do universo.

Independentemente de acreditar ou não em Deus, como o ser superior criador do universo e de todas as coisas que nele há e creditar tudo o que existe apenas a ciência e ao “existir-se por si mesmo, parece-me que o homem, aqui o homem sempre no sentido generalizado, nesses tempos atuais, valoriza num mesmo peso e patamar tanto a vida quanto a morte, senão como explicar tantos feitos bons em prol da ciência e também a existência de tanta maldade, tanta crueldade do homem para com o próprio homem?

Alguém que se considera o intelectual da hora, certamente poderá vislumbrar a ingenuidade e a tolice em minhas escritas, o que não me preocupa em nada isso, entretanto, concluo, com a certeza de que o que o homem faz de bom o impulsiona sempre um passo à frente na sua evolução e o que comete de mal o retrocede dois passos em sua jornada.  Infelizmente, a maldade humana vem prevalecendo nos tempos atuais.

Leia Também