Terça, 21 de Novembro de 2017

ARTIGO

Benedito Rodrigues da Costa: "A mudança da capital para Brasília"

Economista

27 OUT 2017Por 02h:00

Será que o sorriso cativante de JK foi suficiente para convencer o Congresso Nacional a mudar a capital do País para Brasília? Antes de responder, teremos de prestar atenção na forma de convencimento do atual presidente para que os senhores deputados rejeitem o pedido do Ministério Público para que ele seja processado pelo Supremo Tribunal Federal. Mais ainda, será que o que se faz hoje na Capital Federal não poderia ser feito no Rio de Janeiro?

Os telejornais e os sites de notícias em sua edição de segunda-feira, dia 23 de outubro, divulgaram que o valor da dívida nacional subiu um pouco mais no mês anterior, chegando à bagatela de R$ 3,4 trilhões de reais e que os juros dessa dívida devem ser quitados. Sabe como teve início essa monstruosa dívida? Exatamente no período da construção de Brasília. O presidente JK sabia como ninguém se utilizar da mídia para promover os seus sonhos de um desbravador, de um homem que enxergava além do seu tempo. Para isso, não economizou recursos oriundos de empréstimos externos.

As obras foram tocadas em ritmo frenético, vinte e quatro horas por dia, faça chuva ou faça sol. Com isso, o descontrole assumiu proporções inimagináveis, oferecendo aos mais espertos a oportunidade de enriquecer. Para se ter uma ideia, muitos caminhoneiros que transportavam aterros se tornaram empresários bem-sucedidos, assim como os apontadores das obras; seus herdeiros, hoje milionários, nem sequer se lembram da origem de suas fortunas. A roda da corrupção girava numa velocidade surpreendente, e a fama do grande inovador corria pelo mundo, porém, o buraco de nossa economia começou a crescer na mesma proporção.

Quase sessenta anos se passaram, e a promessa de JK em desenvolver a Região Centro-Oeste e Norte do País se limitou apenas e tão somente a imensas plantações de lavouras de soja e milho, e para isso, a mata do Cerrado teve de ser dizimada, um prejuízo imenso ao ecossistema da região. A pergunta que se faz é a seguinte: será que para promover a agricultura seria necessário mudar a capital?

O que muita gente não sabe é que muitos funcionários do governo federal, com altos salários, se negaram a se transferir para Brasília, abrigando-se na Justiça, permanecendo na velha capital sem trabalhar e recebendo seus altos salários até se aposentarem, gozando das delícias da Cidade Maravilhosa. Contudo, fácil é observar que tanto JK como os congressistas adoraram a mudança para o Planalto Central, pois ali não haveria possibilidade de uma pressão popular, o que já incomodava a classe política.

O que o ex-presidente em sua visão futurística não previu foi a ruína em que a Cidade Maravilhosa se transformou, com a multiplicação das favelas e, como consequência, da violência gerada pelo tráfico de entorpecentes e armas que infernizam a família carioca de todos os segmentos sociais. A corrupção se estabeleceu na cidade, assumindo uma situação de calamidade, algo de difícil solução pela ausência de ações políticas. Infelizmente, não podemos gritar em alto e bom som: Fora, JK! O ilusionista.

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