Quarta, 18 de Outubro de 2017

OPINIÃO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "Pai"

Promotor de Justiça aposentado

12 AGO 2017Por 01h:00

No segundo domingo do mês de agosto, o nosso calendário civil reserva a data para congraçarmos com a figura importante do pai no contexto da família. O homem sempre teve a sua importância na construção da história da humanidade. Recebeu do Criador a sua inequívoca manifestação de propósito em cultuar a sua grandeza ao criá-lo sob sua imagem e semelhança. Mas, na sequência da história dos povos e das nações, outros tantos homens engrandeceram a humanidade com os seus exemplos de vida e a sua luz para iluminar os seus iguais.  

Abraão não foi apenas o homem de fé. Foi o pai da maior de todas as nações e, sobre a sua pessoa, outros povos resultaram igualmente abençoados. Com Moisés, a figura paterna resultou marcante. Foi o único ser humano a contemplar a face sacrossanta de Deus. Fora desse contexto bíblico, a vida que corre entre os nossos nacionais aponta aspectos singulares que engrandecem esse ser humano e nos remetem à certeza de que sempre será o protagonista da nossa história, da história da nossa família. Sua presença ficou marcada de forma indelével entre nós, na voz sempre suave e doce do grande cantor Fábio Jr. Ninguém cantou melhor a figura do pai do que ele. O autor da letra recebeu a inspiração divina para a construção dessa verdadeira obra de arte. Não temos como qualificá-la de forma diferente. 

A força da mensagem transmitida está na elegância sempre doce com que toca os nossos elevados sentimentos. Está também na tristeza da letra que nos sensibiliza e nos direciona para esse mesmo cometimento. Não tem ninguém que não se emociona com a sua letra e a sua interpretação. É que, na formação da letra, estão inseridas passagens e feitos maravilhosos produzidos pelos gestos humanos e civilizados. O ato de ouvir generosamente o seu rebento, aconselhando-o a caminhar pelos caminhos seguros da vida, pode ser o seu mais forte indicativo a apontar a verdadeira amizade. Sublime amizade. Imorredoura amizade. Mas não é só o que esperamos dessa pessoa. Esperamos mais.

O seu farol a iluminar a caminhada do seu conjunto familiar e o legado de honradez são as verdadeiras dádivas que precisam ser cultuadas. Não podem existir exemplos de vida mais dignos a serem legados. Essa beleza vem dessa pessoa que vamos prestar as nossas homenagens. Esse dia precioso precisa ser alegre e festivo. Não precisa resultar acompanhado necessariamente de presentes. Se eles vierem, será melhor ainda. O melhor presente é a sua presença física. A gratidão, o respeito e o amor que lhes serão tributados. As rusgas, se eventualmente existirem, precisam ser superadas com a força da nossa inteligência e do nosso discernimento para melhor interpretar os fatos que nos circundam. 

Para os pais que já não estão fisicamente entre nós, a nossa saudade imorredoura, acompanhada do tributo da nossa eterna gratidão. Aos que não estão ao nosso lado, o nosso respeito. Aqui o respeito se confunde com o próprio perdão. Ele enobrece a conduta humana. Sua evidência, demonstrada em atos concretos,  alivia o nosso fardo e nos anima a enfrentar com maior vigor as vicissitudes da vida. Essa verdade resulta inexorável. Não tem como ser contestada. Sua mais feliz expressão está na letra da música cantada por  Adoniran Barbosa em que fala da ausência sempre sentida e emocionada do pai, ao sustentar que naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim. 

Com a  beleza singular dessa frase, não é preciso dizer mais nada em relação à pessoa do pai. Sobretudo, os sentimentos elegantes de pessoas sensatas e que sabem definir com clareza as agruras da vida. É assim que precisamos comemorar o Dia dos Pais. Ele deve ser  entusiasticamente festivo. Deve receber a chancela do nosso  respeito, da nossa  gratidão e do nosso amor sempre imorredouro. Mas precisa também resultar acompanhado do pedido de perdão, nos casos em que as circunstâncias ditaram outra sorte, outro rumo, outra direção. Só o perdão, diante dessas circunstâncias, pode se assemelhar com a grandeza da espécie humana. Não podemos ser eternamente os juízes duríssimos dos que se equivocaram. A vida continua. Ela tem o seu sorriso aberto e convidativo a todos os que desejarem dela usufruir os seus bons momentos. O 13 de agosto será um deles. Vamos vivê-lo intensamente.  

 

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