Terça, 21 de Novembro de 2017

OPINIÃO

Antônio Carlos Siufi Hindo: "O pai do Ministério Público Estadual"

Promotor de Justiça aposentado

30 OUT 2017Por 01h:00

“O respeito ao cidadão passa primeiro pelo cumprimento da lei”.  Essa foi a mais expressiva lição de vida que recebi de Fadel Tajher Iunes. Um verdadeiro presente a ser cultivado todos os dias. O norte seguro para o exercício de uma carreira exitosa. Não há como contestar a sua força e o seu alcance. A frase só podia ter partido de quem foi no curso da sua vida o seu principal fiscal. 

A lei realmente foi instituída para a garantia da boa convivência social. Foi essa a mensagem deixada pelo espírito do legislador. Alguns dias atrás, perdemos o nosso dr. Fadel. O nosso Estado perdeu um de seus filhos mais ilustres. A Justiça perdeu um de seus mais extremados paladinos. A maçonaria perdeu um de seus quadros mais valorosos. Outras entidades, instituições  e clubes de serviços que se privilegiaram com a presença desse grande homem público resultaram fragilizadas diante dessa perda irreparável. 

Mas foi nas entranhas do nosso Ministério Público Estadual que se sobressaiu o incontestável líder. Suas ações engrandeceram os seus colegas de ofício e tornaram respeitada a instituição. Com os seus gestos magnânimos, conseguiu estabelecer com o seu cidadão uma relação digna e respeitosa. Quando a lei é respeitada, a autoridade constituída enobrece o seu ofício e dá força às suas decisões. E avança um pouco mais. Afasta do seu caminho a soberbia, a arrogância e a prepotência, que tisnam o seu brilho. 

Nessa vida efêmera, todavia, ninguém é mais do que ninguém, salientava com a sua eloquência. O dinheiro, a posição social e também  a força do poder político não podem ditar as regras do nosso comportamento no exercício do nosso sagrado ofício. Curvar-se a essas circunstâncias nefastas seria a mesma coisa de afrontarmos diretamente a nossa dignidade pessoal, ofender a nossa consciência e desprezar os valores sociais que precisam ser preservados. Essas lições não saíram de nenhum ente sobrenatural. Não estamos falando de nenhuma divindade. Nada disso. Estamos falando de alguém que foi produto da nossa sociedade. Com os seus momentos alegres e tristes e também com as suas vitórias e derrotas. Mas esteve um passo à nossa frente. Foi o pai do nosso Ministério Público. Não tenho nenhum receio em lançar esse desafio. O lindo prédio onde hoje funciona a instituição ministerial foi uma conquista sua que contou com o aval precioso do então governador, dr. Wilson Barbosa Martins. A instituição  não tinha os recursos financeiros em sua dotação orçamentária para a aquisição do prédio. dr. Wilson,  reconhecendo a importância do Ministério Público, mas sobretudo pela seriedade do pleito comandado pelo dr. Fadel, chancelou a compra.

Aqui, precisamos prestar outra homenagem ao ex-governador. dr. Wilson Barbosa Martins será sempre lembrado como o nosso mais importante líder político no combate ao regime militar. O nosso Estado inteiro sabe disso.  Os nossos historiadores se encarregarão no momento oportuno de escrever essa linda página. 

O procurador de Justiça aposentado Milton Loureiro, com rara felicidade, afirmou certa feita que, se o dr. Fadel não fosse membro do Ministério Público, possuiria todas as credenciais para se constituir em um grande chanceler. Uma verdade incontestável. Dos seus lábios, não fluíam nenhum tipo de vitupério. Suas palavras eram sempre direcionadas para aconselhar, aglutinar, somar, multiplicar as ações. Nos momentos difíceis das contendas, indicava sempre o caminho exuberante  do equilíbrio e do bom senso. Tudo terminava em paz.  Tinha trânsito livre e fácil em todas as esferas dos poderes constituídos do nosso Estado. Sua autoridade era respeitada.  Essas ações moldavam o seu caráter e definiam a sua personalidade. 

Isso tudo só foi possível  porque sempre contou com o trabalho silencioso da sua inseparável companheira, Therezinha. Homens e mulheres assim não podem nunca ser esquecidos. A instituição ministerial poderia dar um importante passo nessa direção. Uma gratidão imorredoura seria oferecer  o seu nome para embelezar o edifício-sede do nosso Ministério Público Estadual. Essa nobre ação não encontrará resistência. Os seus atos e o trabalho realizado para a nossa instituição respaldam esse desiderato salutar. Corumbá, sua terra natal, terá certamente na generosidade das suas autoridades constituídas esse forte indicativo de gratidão. Esses homens e essas mulheres que construíram a nossa linda história precisam ser lembrados e exaltados, sempre. É assim que construímos a nossa grandeza moral. Eles são os imortais da nossa história. Não morrem nunca. Não tenho o poder mágico de descrevê-los de outra forma.

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