Sábado, 03 de Dezembro de 2016

Artigo

Antonio Carlos Siufi Hindo: Dos grandes salões das finanças internacionais para a cadeia

Antonio Carlos Siufi Hindo é Promotor de Justiça aposentado

16 OUT 2016Por 01h:00

O nosso Pais assistiu estarrecido nos últimos sessenta dias a prisão de dois ex-ministros de estado da Fazenda comprometidos em supostos atos de corrupção no exercício de suas funções constitucionais. Uma situação que cobre a nação inteira de vergonha e aponta inexoravelmente   para a catástrofe em que se encontra a nossa atividade econômica. O embrião dessa crise partiu  justamente daqueles que tinham o dever constitucional de fiscalizar o equilíbrio das contas públicas. E promover as reformas tributária, fiscal, trabalhista e previdenciária como instrumentos de modernização do estado brasileiro. 

A preservação do valor de compra da nossa moeda precisava se constituir no carro chefe das suas atribuições constitucionais. Nada disso aconteceu. As mãos  que assinaram os tratados de comércio  e acordos internacionais  nos mais requintados Palácios da Europa, Ásia e América do Norte com as presenças de  Monarcas, Príncipes e Chefes de Estado e de Governo para fomentar a criação de emprego e renda para a classe de  trabalhadores eram as mesmas que sangravam o tesouro, riam dos incautos, e se locupletavam ilicitamente, produzindo prejuízos de valor incalculável para a nação.  Agiam assim  porque supunham acima da lei.  Incorreram em ledo engano. Estão em uma situação humilhante. Do requinte aos lugares deploráveis. Outros tantos estão na fila para receber a reprimenda da lei.  

Mas só cadeia não basta, diz a gritaria popular. Precisam devolver centavo por centavo do dinheiro roubado.  A prisão não tem o condão de humilhá-los, de constrangê-los.  Essas palavras não existem nos seus dicionários. São desprovidos do caráter do homem comum do povo. Para cada acusação  todos eles possuem uma defesa pronta e acabada para tentar se desvencilhar de uma responsabilidade  que precisam assumir.  São pobres de espírito.  Onde vão com  suas famílias não encontram paz. Nesse contexto miserável, passam a viver  num mundo que desencanta e desilude e constatam inexoravelmente que se transformaram apenas e tão somente em metais vis. Não conhecem o valor do sentimento, do altruísmo, da solidariedade, do respeito, do patriotismo, que precisam sempre animar a conduta dos homens públicos.

A Alemanha e o Japão ressurgiram das cinzas. Naqueles países não ocorreu nenhum milagre. A seriedade dos seus governantes e o trabalho incansável dos seus nacionais foram os alicerces da reconstrução nacional. Aqui, não existe essa conduta. Assim fica muito difícil avançar com projetos que incentivem os investidores internacionais a aplicar seus recursos em projetos que alavanquem o nosso desenvolvimento.

Vivemos um dilema avassalador.  Mas nem tudo está perdido. O povo brasileiro é diferente dos demais porque está sempre aliado com a esperança. O futuro reservará dias melhores para nós mesmos, e para os nossos vindouros. O nosso país e o seu valoroso povo merecem essa bonita oportunidade.

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