Domingo, 24 de Setembro de 2017

ARTIGO

Antonio Carlos Siufi Hindo: " À Pátria, ofereceram-lhe fel!"

Promotor de Justiça aposentado

13 SET 2017Por 02h:00

O 7 de Setembro não foi um dia festivo para os nossos nacionais.  É a data máxima  da nossa nacionalidade. Tinha de ser comemorado com grande júbilo. Com um civismo e um patriotismo notável. Cada rincão do território nacional deveria ser sacudido com esse entusiasmo. Essa conquista não veio de graça. Naquela oportunidade, um punhado de homens, honrados e dignos, capitaneados por José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da nossa Independência, ofereceram-nos esse presente de valor inestimável. Mas essa festejada comemoração não pôde ter o brilho que se esperava.  

A enxurrada de denúncia de corrupção, malas e malas de dinheiro roubado, áudios  relatando conversas nojentas de criminosos para envolver o Ministério Público Federal e comprometer a honradez da nossa mais Alta Corte de Justiça ganharam o espaço nos principais jornais televisivos do nosso País. Ofereceram mais uma vez um espetáculo vergonhoso para o mundo. Não pode ser crível que uma soma exorbitante de dinheiro apreendido não seja oriunda de atos criminosos. É uma afronta à nossa inteligência esposar outro tipo de entendimento. Não existe justificativa plausível que mude o curso desse entendimento. 

O trabalhador brasileiro nunca na vida teria acesso a esse tipo de fortuna. Só mesmo ganhando na loteria.  O dinheiro encontrado pela Polícia Federal é pecaminoso. Resultou roubado do suor do povo brasileiro. Do seu suor, da sua luta, do seu sacrifício,  da sua tristeza e da sua desesperança. Dinheiro que poderia estar circulando em nossa economia ou mesmo fomentando obras públicas de grande importância para resgatar um pouco a estima desse povo sofrido.  

A ganância desenfreada leva o ser humano à prática dos piores crimes que pode ser capaz de materializar. O dinheiro desconhece valores e não sabe o que é dignidade. A honradez e o espírito público não estão no altar da sua desenfreada  cobiça. E pasmem, o suposto proprietário do dinheiro encontrado pela Polícia Federal foi às lágrimas diante de um juiz federal, durante o seu interrogatório. Jurou inocência. Desafiou os seus princípios políticos, éticos e morais. Agora, mostrou de uma forma definitiva o que é capaz de realizar. Suas digitais foram encontradas nas cédulas roubadas. A preparação de uma eventual fuga do nosso País era o próximo passo a ser tomado por esse agente político irresponsável, segundo afiançou a Polícia Federal. Os fatos apontam para essa direção. 

Isso tudo a que a nação brasileira assistiu estarrecida comprometeu sua vida política, desafiou os exemplos a serem dados para a sua prole e jogou para um abismo profundo o estado da Bahia, de grandes tradições históricas, políticas e  culturais. A Justiça não pode ser mais complacente com quem não lhe ofereceu uma retribuição de propósito correta. Sua segregação se faz necessária. Se foi encontrado de um jato só essa importância, nenhuma hipótese fica afastada no sentido de que outras volumosas quantias estejam também  guardadas em algum canto do território nacional, ou mesmo em paraísos fiscais. Trata-se de uma certeza inexorável. 

Contra os fatos não podem existir argumentos que empanem o brilho dessa verdade inexpugnável. Mas, no 7 de Setembro, outra vergonha veio a público. Agora, a JBS em conversas nojentas e sórdidas, tramando contra as nossas instituições oferece outro espetáculo vergonhoso. Com um vernáculo chulo tenta envolver alguns Juízes que formam o Supremo Tribunal Federal. Algo estarrecedor. Os nossos Juízes possuem conduta moral ilibada. Não se pode atacar a sua honra com conversa despropositada.  Não se trata de conversa de bêbados coisa nenhuma. Esse tipo de conversa reflete o caráter de todos os que estão envolvidos na trama diabólica. Tudo precisa ser apurado.

A responsabilidade criminal precisa alcançar as pessoas dos infratores da lei.  Agora o ex-ministro Antonio Palloci relata ao juiz Sérgio Moro as falcatruas praticadas com a Odebrecht pelos governos Lula e Dilma. Esse relato merece crédito. O ex-ministro era “ carne e unha “ com o ex-presidente Lula. Sabia de tudo. Era a sua obrigação como cidadão  relatar a verdade dos fatos e comprová-los com provas idôneas. Em seguida vem a delação de Lucio Funaro. Vamos observar o que falou para o Ministério Público Federal. A delação já foi homologada pelo ministro relator da Lava Jato no Supremo. 

 Nesse contexto o 7 de Setembro não foi de tudo amargo. As nossas Instituições  estão em pleno funcionamento e prontas a dar a cada um que quiser atentar contra a honradez e a dignidade de seus membros a resposta que se faz necessária ao seus atrevimentos. Colocar esses corruptos na cadeia, jogar para o ostracismo político os que não honraram o mandato popular serão os grandes desafios, que a Justiça e o povo brasileiro terão pela frente. A primeira, com fundamento na Lei. O segundo,  respaldado no ato silencio de votar nas eleições de 2018. Fora desse contexto não haverá salvação para o nosso País. 

Os outros 7 de Setembro, continuarão sendo triste e cobertos de vergonha. Essa cena não pode mais ser repetida. Já basta tanta decepção. O Brasil vai superar esse momento tormentoso na sua vida política e institucional com o brilho das nossas autoridades e a lucidez do seu valoroso povo. 

Leia Também