Quinta, 21 de Setembro de 2017

Artigo

Antonio Carlos Hindo: "A Retirada da Laguna"

Antonio é promotor de Justiça aposentado

20 MAR 2017Por DA REDAÇÃO00h:00

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Foi travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, composta por Brasil, Argentina e Uruguai. Deixou um rastro de sangue em todos os quadrantes em que ela ocorreu. 71.000 soldados perderam suas vidas em combate. Um verdadeiro desastre motivado pela ânsia desenfreada do ditador paraguaio Francisco Solano López que desejava a todo o custo dar ao seu País a tão sonhada saída para o Mar. Era a construção do seu – Paraguai  marítimo e maior -. Esse é o relato traçado pelos nossos historiadores. 

A sua parte mais dramática estava reservada para ocorrer na região sul do então Mato Grosso uno, atualmente a região sudoeste do nosso Estado. Distantes das linhas brasileiras, e sem víveres para o sustento da tropa, afetada pela cólera e o tifo o Exército Brasileiro foi forçado a se retirar sob os constantes ataques da cavalaria paraguaia. 

Relatam os historiadores que dos 3000 homens que adentraram ao território paraguaio sob o comando do coronel Carlos de Morais Camisão retornaram apenas 700 alquebrados pela doença e pela fome. O desastre  só não foi maior em razão da pronta intervenção dos índios terenas e guaicurus-kadwéus, que, utilizando-se das táticas de guerrilhas conseguiram deter o avanço da tropa paraguaia. Conhecedores exímios da região salvaguardaram vidas preciosas.  

É esse episódio que a nossa bancada federal quer homenagear em uma sessão solene da Câmara dos Deputados para comemorar os 150 anos da Retirada da Laguna. Esse anúncio foi feito pelo nosso deputado federal Dr. Mandeta.  Estão de parabéns os seus  idealizadores. Trata-se de um acontecimento histórico que não pode resultar esquecido. Oferecemos à Nação brasileira um exemplo de bravura, coragem  e de heroísmo dos nossos soldados. Seus principais líderes, o coronel Carlos de Morais Camisão, o tenente coronel Juvêncio Cabral de Menezes, e José Francisco Lopes, o guia Lopes, estão sepultados na região de Jardim e de Guia Lopes da Laguna. O monumento onde estão os seus restos mortais precisam ser preservados como símbolo da heroica resistência à invasão do solo da nossa Pátria.

O nosso governador precisa estar na linha de frente daquele colóquio.  As nossas universidades, os nossos estudantes, os nossos imortais, os nossos empresários, os nossos professores precisam acompanhar com atenção esse acontecimento. Ele é nosso. Não podemos dividir com mais ninguém.  São valores preciosos que precisamos preservar. São essas passagens heroicas que nos animam a acreditar nos propósitos sempre generosos do ser humano. 

A Retirada da Laguna é apenas um dos episódios notáveis dentre outros tantos que o nosso Estado foi protagonista.  Não pode existir gesto mais precioso. Essas ações, infelizmente não guardam nenhum tipo de similitude, com o que hoje os nossos políticos e homens públicos reservam para a nossa Pátria e para o nosso povo. 

Essa passagem precisa servir de exemplo e de compromisso para a construção da nossa grandeza como Nação.  Esse reencontro com a História precisa ser primoroso. O Hino do nosso Estado precisa ser cantado com altivez e espírito de civismo. Ele relata a bravura dos nossos heróis que se enriqueceram com a entrega generosa de suas vida. 

Os indígenas foram beneficiados com a entrega de uma área generosa na região da Morraria, hoje Município de Bodoquena pelos relevantes serviços que prestaram.  Esse fato precisa ser realçado. Ele mostra o ambiente de respeito que existe entre as duas culturas. Tudo isso, ocorre dentro dos nossos limites territoriais. Isso não é pouca coisa. É um exemplo de convivência e de respeito que precisa ser disseminado para o conjunto da população brasileira. 

 

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