Domingo, 04 de Dezembro de 2016

ARTIGO

Antonio Alcione Ferreira Gonçalves: "Segurança para a Segurança"

Economista e administrador

29 NOV 2016Por 02h:00

Imagine-se, a si mesmo, em uma situação como esta: você é um policial, ou um agente da receita, e está em missão em um posto avançado numa das rodovias do Estado ou do País.

Está firme no seu posto quando é abordado por alguém que coloca um pacote a sua frente e lhe diz: “aqui está um agrado para você”; surpreendido você indaga: “agrado? por quê?”;  ao que o alguém continua: “ tal dia, a tal hora, vai passar por aqui o veículo tal, placa tal e você não vai ver nada”; firme, resoluto, cumprindo seu dever, você endurece: “claro que vou ver... e por aqui não passará nada ilegal”; então você ouve do alguém: “você mora na Rua Tal, nº tal, sua esposa é Fulana e você tem dois filhos, o Cicrano e o  Beltrano, que estudam na Escola Tal?”; “sim”, você confirma. “Você gosta deles?”; “claro!”; então, você ouve o ultimato: “se você gosta mesmo deles é bom você não ver nada!”.

E aí? Qual é a sua decisão? Você achou esta situação inverossímil? Se você conhece alguém, ou se tem algum parente exercendo as funções citadas, pergunte a ele se sabe, ou se já viveu, alguma estória assim! Garanto que você vai se surpreender com a resposta. Isto acontece desde que inventaram o tráfico e o contrabando e pelas medidas eficazes não tomadas até hoje para coibir tal prática parece que se tornou algo absolutamente normal submeter os agentes e policiais a esta situação limite.

Não basta oferecer treinamento, suprir armas e munição adequadas ou até mesmo pagar bons salários (no caso dos agentes da receita) para blindar os missionários (Proteger a sociedade dos marginais é uma missão... e perigosíssima!) contra a chantagem e a ameaça. É preciso bem mais do que isto e o  termo moderno que melhor expressa esta providência é previdência.

Mas como prevenir pode dar segurança para a segurança? Imagine um condomínio fechado, bem fechado, ultra seguro, com residências confortáveis, escolas, supermercados, clube social, áreas de lazer etc., capaz de dar abrigo e proteção aos familiares e aos próprios agentes e policiais, pelo menos enquanto eles estivessem em missões de risco! 

Alguém vai questionar: mas então vamos prender a família toda? É uma questão de ponto de vista: eu entendo que a medida visaria proteger a família, prevendo uma possível situação. Além do mais, a opção pelo condomínio poderia ser facultativa, caso o missionário, por razões pessoais ou familiares,  preferisse ficar exposto... no quê eu não acredito! 

Na contabilidade oficial, se você cria uma despesa tem que dizer de onde vêm os recursos para custeá-la. Bem... não estou pedindo emprego mas, se eu fosse o gestor do projeto, os recursos viriam do próprio “inimigo”. Como?... Simples! Viriam das multas aplicadas nos contraventores, inclusive do trânsito; da venda dos bens (imóveis, mercadorias, carros, aviões, semoventes) aprendidos dos próprios contrabandistas e traficantes; das fianças (bem elevadas) aplicadas àqueles que, porventura, possam responder por seus crimes em liberdade; do leilão da infinidade de caminhões, carros e motos apreendidos que inexplicavelmente se sucateiam e apodrecem nos pátios das Delegacias e do Detran; e, finalmente, se você se arrisca a explorar uma  fonte mais radical, da descriminalização do uso de certas drogas e da comercialização dos “estoques” existentes ou a existir. Simples assim!

Dando segurança à segurança, nós teríamos mais segurança e, de quebra, menos corrupção nas instituições, mais tranquilidade nas estradas, menos “lixo” tentando nossos filhos e, no conjunto, uma sociedade mais saudável e feliz.

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