Terça, 25 de Abril de 2017

OPINIÃO

Altemir Dalpiaz: "A realidade chegou"

17 FEV 2017Por PROFESSOR01h:00

Rebelião no presídio em Manaus, depois em Natal (RN). Aquartelamento de soldados da PM no Espírito Santo. Ato contínuo, demonstração da capacidade de roubar de algumas pessoas, quando invadiram e saquearam lojas na capital capixaba.  

Eleição de Rodrigo Maia para presidir o Congresso Nacional, indicação de Alexandre de Moraes  para o STF e de Moreira Franco como ministro da Secretaria-Geral  da Presidência, todos com nomes citados na Lava Jato, ou com o crime organizado. 

O crime organizado no Brasil nunca ficou tão exposto como agora. Criminosos têm também hierarquias. Os mais sofisticados ocupam cargos exclusivos nos altos escalões, alguns inclusive, ocupando um cargo público através do voto popular.

Desses, temos os que pegaram carona em eleições majoritárias, depois ajudaram a puxar o tapete do/da titular e passaram a ocupar seu lugar.

Outros, também sofisticados, ocupam cargos de primeiro escalão e cadeiras no Senado Federal, Congresso Nacional e governos estaduais. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, só para ficar em dois estados, demonstram o ápice da desfaçatez e do pouco caso de governantes com o povo o qual representam. Eles, porém, não agem solitários. Precisam de comparsas também no meio empresarial. 

Eike Batista é o troféu que simboliza a picaretagem dos “empresários” malandros, que sendo testas de ferro e tendo a capacidade de persuasão, vendem produtos fictícios para justificar a riqueza de alguns.  Transformam-se em modelos de “homens de negócios”, enxergando oportunidades onde muitos só veem problemas. 

Níveis mais abaixo, vamos encontrar, lá na base, a parte menos preparada e “privilegiada”, que sempre acaba presa em presídios precários, verdadeiros caldeirões prontos a explodir. Lá eles se matam, dizimando rivais de outras “organizações”.

Nesse nível raso, a guerra é entre facções. Para todo o sistema, quanto mais eles se odiarem, melhor. É a limpeza de quem meteu a “mão na massa”, de quem se arriscou mais, de quem pode atrapalhar a sequencia dos planos. Funciona como um ponto de absorção e expiação para todos os bodes colocados nas salas.

Geralmente sou otimista, acredito que as coisas boas irão triunfar, mas é difícil vislumbrar um cenário menos caótico desse que estamos vivendo.

O legado olímpico está representado no Maracanã abandonado. A incompetência governamental está refletida em salários atrasados, hospitais funcionando na precariedade e a segurança pública agonizando.

Enquanto isso, fazendo parte do combinado, corruptos são puxados cada vez mais para dentro do governo federal. E uma parte significativa da população que não foi convidada à participar dessa festa pobre, permanece calada.

A percepção do uso de parte da população, como componente dentro de um plano, para atingir um objetivo maior, fica mais evidente a cada dia que passa, conforme as coisas andam, ou não andam.

A intenção de transformar o Estado Brasileiro para funcionar somente como aparelho de sustentação de interesses individuais, ou de grupos isolados, continua sendo mostrada, sem disfarces.

E a vida segue, sem panelaços, sem camisa da seleção nas ruas protestando, sem apoio da FIESP, sem ilusões. A realidade chegou para o outro lado também.

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