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CINEMA

Wagner Moura deixa heroísmo de lado para viver falsário em 'Vips'

Wagner Moura deixa heroísmo de lado para viver falsário em 'Vips'

folha ilustrada

21/03/2011 - 20h00
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Para dar vida, na tela, ao estelionatário Marcelo Nascimento da Rocha, Wagner Moura reencontrou-se com sua própria trajetória.

Voltou a fazer anotações sobre o personagem nos caderninhos que, no começo da carreira, eram seu talismã e retomou a abordagem à Stanislávski, com a interpretação de viés psicológico.

Parece ter sido convencido, de uma vez por todas, de que aquilo que é bem inventado é uma história, e não uma mentira.

"Ele é melhor ator do que eu", diz, sobre o personagem que sucederá o capitão Nascimento na tela.

"Vips", que estreia nos cinemas nesta sexta-feira, após ser premiado no Festival do Rio, conta a história do jovem que se fez passar pelo filho do dono da Gol. Mas conta a história, um pouco, da forma como Moura a viu.

"Ele não engana ninguém para ganhar dinheiro. Ele se torna realmente o cara que ele está fingindo que é", diz.

Moura leu o roteiro de "Vips", escrito por Bráulio Mantovani ("Cidade de Deus", "Tropa de Elite") em 2008, no momento em que encenava "Hamlet".

Já tinha ouvido falar no falsário da Gol, mas não se interessara pelo assunto. Bastou, porém, pegar o roteiro para que a história se tornasse outra em sua cabeça.

"Eu vi ali um menino inteligente, brilhante, brincando de ser outras pessoas. Ele estava se buscando, como todos nós. Ele se olhava no espelho e não reconhecia", diz, reflexivo, calmo como o capitão Nascimento não conseguiria ser. "Tanto que, quando é desmascarado, é como se fosse a morte dele."

É, de alguma maneira, o que vive o ator ao fim de um papel intenso? "Ah, é uma mortezinha também", sorri, consentindo. "Alguns papéis são uma despedida de um pedaço de você próprio."

"COOL"

Depois de muito falar sobre segurança pública, violência e até de se ver colocado em debates ideológicos por conta de "Tropa de Elite", Moura parece se deleitar com o discurso que o novo personagem lhe empresta.

O ator recebeu a Folha para uma entrevista na tarde de sábado na Casa de Hóspedes, um sobrado, em Botafogo, que Marco Nanini arrumou para receber atores estrangeiros ou colegas de outras cidades. Moura está ali com a família porque foi expulso de casa pelos cupins. Teve de fazer uma dedetização.

E quem vê Moura passando um café no coador de papel e pegando no colo o filho caçula, de oito meses, não tem sombra de dúvida: sua personalidade não é das que se deixam desnortear pelo sucesso, sua vida não foi contaminada pela "celebritite", a doença da celebridade.

"Não vou ser palhaço desse circo", diz, referindo-se à decisão que tomou assim que a fama avizinhou-se. A decisão era simples. Entrevistas só para falar do trabalho ou colocar-se politicamente.

"Essa dimensão da celebridade contamina o próprio trabalho do ator. Você aparece tanto que deixa de ser crível", defende.

Moura lembra-se de quão inconformada ficou uma assessora da Globo quando ele se recusou a aparecer numa revista de celebridades, à época de "Carga Pesada".

Mas ele sabe que, ao construir essa distância, construiu também uma reputação. "Às vezes, sou visto como uma pessoa antipática, refratária. Não é isso. Só não quero isso pra mim."

A fama, que começou na TV, atingiu o auge com o capitão Nascimento, tornado herói nacional.

"O que adoro nesse personagem é que ele é político, mas também é pop. É um personagem bonito. É trágico", diz, com a voz grave e em tom baixo por recomendação médica. "Estou com faringite. E o médico disse: 'É só parar de falar que passa'." Mas Moura não vai parar.

Pet Correio B+

Férias escolares: 6 cuidados para evitar estresse em cães e gatos durante o período

Mudanças na rotina da casa podem impactar o bem-estar emocional dos animais; psicóloga especializada em vínculo humano-animal e luto pet explica como manter o equilíbrio e fortalecer a convivência entre pets e crianças

04/07/2026 15h00

Férias escolares: 6 cuidados para evitar estresse em cães e gatos durante o período

Férias escolares: 6 cuidados para evitar estresse em cães e gatos durante o período Foto: Divulgação

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Com a chegada das férias escolares, a rotina das famílias muda completamente. Crianças passam mais tempo em casa, os horários ficam menos rígidos, aumentam as visitas, os passeios e as viagens. O que muitos tutores não percebem é que essas transformações também afetam diretamente o bem-estar emocional dos animais de estimação.

Segundo a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, cães e gatos são altamente sensíveis às mudanças do ambiente e da dinâmica familiar.

“Os animais se organizam a partir da repetição e da previsibilidade. Eles reconhecem horários, ambientes e comportamentos da família. Quando tudo muda de uma vez, é comum que sintam insegurança, estresse ou cansaço emocional”, explica.

Para ajudar os tutores a atravessarem esse período de forma mais tranquila, a especialista reuniu seis orientações.

1. Mantenha alguns horários fixos

Mesmo que a rotina fique mais flexível, é importante preservar referências para o animal. “Os horários de alimentação, passeios e descanso funcionam como âncoras de segurança para os pets”, afirma.

2. Observe os sinais que o pet está comunicando

Mudanças comportamentais podem indicar dificuldades de adaptação. Entre os sinais mais comuns estão isolamento, irritabilidade, alterações no sono, inquietação e tentativas frequentes de evitar contato. Além disso, os tutores devem estar atentos a comportamentos que demonstram desconforto durante as interações, como se afastar, lamber os lábios repetidamente, bocejar fora de contexto, enrijecer o corpo ou virar a cabeça para evitar contato.

Estudos internacionais mostram que a maioria dos incidentes envolvendo mordeduras em crianças ocorre com cães conhecidos, muitas vezes o próprio animal da família. Em diversos casos, o pet já havia demonstrado sinais de desconforto antes da situação.

“A maioria dessas situações é evitável quando a família aprende a ler o que o animal está comunicando. Não se trata de afastar a criança do pet, mas de construir uma convivência em que os dois se sintam seguros”, orienta Juliana.

3. Ensine as crianças a respeitar os limites do pet

Com mais tempo livre, é natural que as crianças queiram brincar constantemente com cães e gatos. No entanto, os animais também precisam de momentos de descanso. “O pet não é um brinquedo disponível o tempo todo. As férias são uma ótima oportunidade para ensinar que os animais possuem necessidades e limites que devem ser respeitados”, destaca.

4. Garanta um espaço de refúgio

A especialista recomenda que cães e gatos tenham um local reservado para descansar e se afastar da movimentação da casa quando desejarem. “Quando o animal tem um espaço seguro para se recolher, ele consegue regular melhor o estresse. É fundamental que as crianças aprendam a respeitar esse ambiente”, orienta.

Férias escolares: 6 cuidados para evitar estresse em cães e gatos durante o períodoJuliana Sato - Divulgação

5. Planeje as viagens com antecedência

As férias também costumam trazer dúvidas sobre levar ou não o animal durante os passeios. “Muitos gatos costumam lidar melhor com a permanência no próprio ambiente, recebendo os cuidados de uma pessoa de confiança.

Já alguns cães podem se beneficiar mais da companhia constante oferecida por uma hospedagem especializada. Cada caso deve ser avaliado individualmente”, explica. Caso a família viaje com o pet, é importante verificar documentação, vacinação, identificação e realizar uma adaptação gradual à caixa de transporte.

6. Inclua o pet no planejamento familiar

Para a especialista, um dos principais erros é esquecer que os animais também são impactados pelas mudanças da rotina. “O pet não entende o conceito de férias. Ele entende segurança, previsibilidade e respeito aos seus limites.

Quando a família considera essas necessidades, o período se torna mais agradável para todos e fortalece os vínculos dentro de casa”, conclui.

Cinema Correio B+

Como Moana se tornou o remake mais rápido da Disney e trouxe The Rock ao Brasil (e nós estivemos lá)

Da decisão de refilmar um clássico de 2016 à passagem de Dwayne Johnson pelo país, a longa jornada do live-action que virou projeto pessoal do astro

04/07/2026 13h00

Como Moana se tornou o remake mais rápido da Disney e trouxe The Rock ao Brasil

Como Moana se tornou o remake mais rápido da Disney e trouxe The Rock ao Brasil Foto: Divulgação Disney

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Quando Dwayne "The Rock" Johnson desembarcou no Rio de Janeiro nesta semana para promover o live-action de Moana, a visita durou apenas poucos dias. Houve coletiva de imprensa, evento para convidados na Ilha Fiscal, entrevistas e uma rápida passagem pela cidade antes que o astro seguisse para a próxima parada da turnê mundial da Disney.

Ainda assim, sua presença no Brasil marcou o capítulo final de uma jornada que começou há mais de três anos e que, desde o anúncio, gerou tantas dúvidas quanto expectativas.Afinal, Moana talvez seja o projeto mais improvável já escolhido pela Disney para ganhar uma adaptação em live-action.

Quando o estúdio anunciou oficialmente, em abril de 2023, que transformaria a animação de 2016 em filme com atores reais, a reação inicial foi de perplexidade.

O original havia sido lançado apenas sete anos antes, continuava entre os filmes mais assistidos do streaming e permanecia extremamente presente no imaginário de crianças e famílias ao redor do mundo. Nunca houve, de fato, um período em que Moana tivesse desaparecido da cultura popular.

Foi o próprio Dwayne Johnson quem anunciou o projeto. Em um vídeo gravado no Havaí, cercado por familiares, ele revelou que retornaria ao papel de Maui, personagem que havia dublado na animação original e que, segundo ele, sempre representou uma homenagem ao seu avô materno, o lendário lutador e líder samoano Peter Maivia. Desde aquele primeiro anúncio, ficava claro que este não seria apenas mais um remake da Disney para Johnson.

Poucos meses depois, a Disney contratou Thomas Kail para dirigir o projeto. O nome surpreendeu Hollywood: Kail era conhecido principalmente pelo fenômeno teatral Hamilton e nunca havia dirigido um longa-metragem narrativo para cinema.

A aposta indicava que o estúdio pretendia preservar não apenas a aventura, mas também a dimensão emocional e musical da obra original.

A produção, no entanto, enfrentou seu primeiro grande obstáculo com as greves de roteiristas e atores em Hollywood em 2023. O cronograma original precisou ser adiado, as audições foram interrompidas e o lançamento acabou empurrado de junho de 2025 para julho de 2026.

Enquanto isso, a Disney enfrentava outro desafio: encontrar uma nova Moana.

A escolha acabou recaindo sobre Catherine Laga'aia, jovem atriz australiana de ascendência samoana que, até então, tinha pouquíssima experiência diante das câmeras. A seleção envolveu mais de 32 mil candidatas e, segundo a própria atriz, incluiu várias etapas de testes e audições realizadas entre Austrália e Estados Unidos.

Quando recebeu a notícia de que havia conquistado o papel, Catherine tinha apenas 17 anos. Hoje, aos 19, estreia justamente em uma das maiores produções do cinema mundial.

A escalação trouxe também uma mudança importante em relação ao filme original: Auli'i Cravalho, que deu voz à personagem na animação de 2016, decidiu não retornar ao papel e passou a atuar como produtora executiva do projeto.

A decisão foi celebrada pela própria atriz, que afirmou acreditar que uma nova geração deveria ter a oportunidade de representar Moana nas telas.

As filmagens começaram oficialmente em julho de 2024, divididas entre estúdios em Atlanta e locações no Havaí, e foram concluídas em novembro do mesmo ano.

O objetivo era ambicioso: recriar em escala real não apenas as ilhas e o oceano do filme original, mas toda a dimensão mitológica da cultura polinésia que transformou a animação em um fenômeno global.

Ao longo da produção, outras decisões chamaram atenção dos fãs. Alguns personagens retornaram com novos intérpretes; outros foram redesenhados para a linguagem live-action.

O roteiro permaneceu próximo da história original, enquanto a trilha voltou a reunir colaboradores históricos da franquia, incluindo Lin-Manuel Miranda como produtor e consultor musical.

Como Moana se tornou o remake mais rápido da Disney e trouxe The Rock ao BrasilComo Moana se tornou o remake mais rápido da Disney e trouxe The Rock ao Brasil - Divulgação Disney

Mas talvez a maior transformação tenha acontecido com o próprio Dwayne Johnson.

Durante a passagem pelo Rio, o ator repetiu algo que vem afirmando ao longo da divulgação mundial: interpretar Maui fisicamente foi muito mais difícil do que simplesmente emprestar sua voz ao personagem.

Pela primeira vez, ele precisou cantar, dançar e habitar emocionalmente um personagem que, durante quase uma década, existiu principalmente em sua imaginação. "Foi muito mais desafiador do que eu esperava", admitiu.

Johnson também destacou, durante a coletiva, a importância da representação polinésia em uma produção dessa escala e afirmou que Maui passou a representar, para ele, uma visão mais madura de masculinidade: alguém forte, mas também vulnerável; poderoso, mas profundamente marcado por suas próprias fragilidades.

Existe uma ironia interessante nessa história.

Quando a Disney anunciou Moana em live-action, muitos consideraram a decisão precipitada. Hoje, porém, talvez fique mais claro o que o estúdio enxergou antes de todos os outros: Moana nunca foi uma obra do passado que precisava ser redescoberta: ela simplesmente nunca deixou de existir.

E talvez seja justamente por isso que Dwayne Johnson, depois de super-heróis, franquias bilionárias, filmes-catástrofe e carros impossíveis, tenha acabado encontrando em Maui não apenas um personagem, mas o papel mais pessoal de toda a sua carreira.

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