Sexta, 17 de Novembro de 2017

Vítima fala dos momentos em poder dos ladrões

27 JAN 2010Por 08h:00
A universitária de 22 anos que foi vítima de roubo praticado por falsos policiais conta como foram os cerca de 40 minutos de terror com os bandidos. Ela, que pediu para não ser identificada por temer represálias, diz que havia saído da casa de uma amiga e seguia para a residência onde mora com a família, quando, pouco depois de 20h30min, percebeu que havia um veículo Gol de cor prata (modelo quadrado) dando sinal de luz. “Pensei que fosse para falar do meu pneu que estava baixo, então ignorei porque ele sempre fica assim”. A jovem relata que, pelo retrovisor, conseguiu visualizar dois homens no carro que a seguia e, como estava sozinha, aumentou a velocidade. “Mas eles começaram a mostrar o distintivo e a gritar: Para que é a Polícia, para que é a Polícia. Aí parei em um lugar com movimento”. Ao parar o automóvel, um dos bandidos, que estava vestido com camiseta preta com a inscrição Polícia Civil, calça jeans e coldre, se aproximou da jovem e pediu que ela apresentasse os documentos. “Ele fez igualzinho a polícia faz mesmo, olhou os documentos, a placa e disse que estava clonada, que o carro seria apreendido e teríamos que ir para delegacia. Comecei a chorar”. Nervosa, a garota pediu que a mãe fosse junto, já que o veículo está no nome dela. A universitária, já desconfiada que pudesse ser vítima de algum crime, pois os supostos policiais não estavam em viatura, fez diversas perguntas sobre a situação. “Ele estava calmo, me explicou tudo certinho. Pelo menos para mim que sou leiga, estava certo”. Receosa, a jovem pediu para um vizinho anotar a placa do Gol usado pelos falsos policiais e pediu para a irmã, de moto, seguir o carro dos bandidos, onde ela e a mãe tiveram que entrar. O veículo dela foi levado por um dos assaltantes. A universitária ensinou aos bandidos que estavam no carro com elas o caminho para o centro e observou que eles vestiam camisetas com inscrições diferentes da que usava o primeiro que a abordou – um, Polícia Rodoviária, e o outro, Inspeção Federal. “Metade de mim acreditava neles, metade não. Mas sabia que algo estava errado. Não sei por que não liguei para a polícia”, declarou. Em um determinado momento, os assaltantes anunciaram o roubo e colocaram uma pistola na cabeça da professora. Elas foram deixadas cerca de 40 minutos após a abordagem nas proximidades da fábrica da Coca-Cola. “Nunca passei por isso, nem celular tinham levado de mim. Fiquei sem reação, em estado de choque. Não sei o que queriam com a gente, porque o carro já tinham levado”, concluiu. Orientação A Polícia Civil explica que a abordagem feita pelos falsos policiais não é o mesmo procedimento utilizado pela instituição. De acordo com a assessoria de imprensa, os policiais civis utilizam viaturas caracterizadas e sinalizam com giroflex. É importante a população observar o veículo e a sinalização utilizada e pedir a carteira de identidade funcional, não apenas o distintivo. A Polícia Civil pede ainda que, em caso de situações como a vivida pela universitária e pela mãe dela, que a denúncia seja feita.

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