Protocolos respiratórios ganham espaço nas práticas de bem-estar e mostram como prestar atenção à respiração pode contribuir para o equilíbrio físico e emocional
Você já prestou atenção à maneira como respira? Embora seja uma função automática do organismo, a respiração também pode ser utilizada de forma consciente para ajudar a lidar com situações de estresse, melhorar o foco e favorecer a sensação de bem-estar.
Durante uma atividade física intensa, é natural que a respiração se torne mais rápida para atender às necessidades do corpo. Em outros momentos, como em situações de tensão ou mesmo durante práticas de relaxamento, observar o próprio ritmo respiratório pode ajudar a reconhecer os sinais do organismo e a encontrar maneiras de recuperar o equilíbrio.
Respiração consciente e bem-estar
Segundo Karina Ueno, profissional de Educação Física do VICCI Studio, especialista em Breathwork e reabilitação tridimensional, a prática respiratória pode trazer benefícios que vão além da percepção imediata de relaxamento.
“A prática respiratória pode ajudar a reduzir a ansiedade, ampliar a clareza mental e melhorar o foco. Também é importante na recuperação do corpo após períodos de estresse e no desenvolvimento da capacidade de autorregulação emocional. Em contextos terapêuticos e de performance, pode contribuir para uma maior sensação de presença, estabilidade e resiliência”, explica.
Entre os principais benefícios associados à prática estão:
• Redução do estresse e da tensão;
• Melhora da percepção e do controle da respiração;
• Maior capacidade de lidar com as emoções;
• Aumento da concentração;
• Sensação de calma e bem-estar;
• Desenvolvimento de recursos para enfrentar situações desafiadoras.
O que acontece com a respiração quando estamos ansiosos?
A relação entre respiração e estado emocional também pode ser compreendida pela resposta do organismo ao estresse. Quando o cérebro identifica uma ameaça, real ou percebida, ativa mecanismos de alerta que preparam o corpo para reagir. Nesse processo, o coração pode acelerar, os músculos ficam tensos e a respiração tende a se tornar mais rápida e superficial.
Em algumas situações, a hiperventilação — quando a pessoa respira mais do que o necessário para as demandas do organismo — reduz excessivamente a concentração de gás carbônico no sangue. Isso pode provocar sintomas como tontura, formigamento, sensação de falta de ar e aperto no peito, que, por sua vez, podem intensificar o medo e a sensação de ameaça.
“Por isso, aprender a respirar de maneira consciente nesses momentos pode fazer diferença. Uma respiração confortável, lenta e controlada, especialmente com uma expiração um pouco mais longa, pode ajudar a reduzir a ativação fisiológica associada ao estresse”, explica Simone Cavalcante Bolor, psicóloga clínica.
Como praticar a respiração consciente
Uma das maneiras de começar é reservar alguns minutos para observar e desacelerar a respiração, sem forçar o ritmo.
A psicóloga sugere um exercício simples:
1. Inspire lentamente pelo nariz, contando até quatro, se for confortável, permitindo que o abdômen se movimente naturalmente.
2. Solte o ar devagar pela boca, contando até seis, sem fazer força.
3. Repita por dois a cinco minutos, respeitando os próprios limites e sem se preocupar em executar a técnica perfeitamente.
Se a contagem provocar desconforto, o ritmo pode ser ajustado. O objetivo é respirar de maneira tranquila, sem esforço.
“Respirar dessa forma não elimina a ansiedade, mas pode ajudar o corpo a sair gradualmente do estado de alerta e abrir espaço para que a mente se reorganize. No meu trabalho como psicóloga, costumo enviar aos pacientes vídeos com exercícios respiratórios, para que possam acompanhar o ritmo e praticar tanto nos momentos de maior tensão quanto no dia a dia. Quanto mais a técnica é exercitada em momentos de calma, mais familiar ela se torna quando precisamos recorrer a ela”, afirma Simone.
A respiração consciente não substitui o acompanhamento profissional quando há ansiedade persistente ou crises recorrentes. Ela pode, no entanto, integrar uma rotina de autocuidado e ampliar a percepção sobre como o corpo reage às diferentes situações do cotidiano.