Economia

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Vendas de material de construção caem 8,5% em abril

Vendas de material de construção caem 8,5% em abril

AGÊNCIA BRASIL

07/05/2012 - 21h00
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 As vendas de material de construção caíram 8,5% em abril em comparação com março, segundo apontou pesquisa divulgada hoje (7) pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). Em relação a abril do ano passado, entretanto, foi registrada expansão de 3%.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2012, foi registrado crescimento de 1,5% nas vendas em comparação com o primeiro quadrimestre de 2011.

Em abril, houve queda nas vendas de cimento (-9%), tubos e conexões de PVC (-7,5%), fechaduras (-7,5%), metais (-5,5%) e argamassas (-5,5%). O setor de iluminação residencial foi o único cujas vendas mantiveram-se estáveis em relação a março.

Para a Anamaco, a queda nas vendas é um sinal preocupante, já que o setor esperava uma recuperação dos negócios em abril. Para o presidente da associação, Cláudio Conz, o resultado é reflexo do anúncio do governo de que vai criar uma linha de crédito voltada, justamente, para o segmento de material de construção, com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “Eles [consumidores] estão adiando as compras enquanto podem, enquanto as promessas de queda nos juros de financiamento não se materializam para o mercado”, ressaltou Conz.

Para 2012, a entidade estima crescimento de 8% nas vendas em comparação com 2011. “No entanto, se não apresentarmos uma recuperação já em maio, a Anamaco terá de rever essa previsão”, ressalvou Conz. Com faturamento de R$ 52 bilhões, o setor registrou crescimento de 4,5% no ano passado em relação a 2010.

Balança comercial

Suinocultura avança e exportações somam US$ 22,5 milhões em MS

O setor teve alta de 50% na receita e 60,7% no volume exportado na comparação aos cinco primeiros meses de 2025

22/06/2026 16h00

Suinocultura exporta US$ 22,5 bilhões de janeiro a maio de 2026 em MS

Suinocultura exporta US$ 22,5 bilhões de janeiro a maio de 2026 em MS Divulgação Famasul/ João Castro

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A suínocultura, ou seja, produção de suínos, em Mato Grosso do Sul demonstrou crescimento nos primeiros cinco meses de 2026 em comparação ao mesmo período no ano passado. 

De acordo com o Boletim Econômico do Sistema Famasul, de janeiro a maio, foram 1,64 milhão de porcos destinados ao abate no Estado, um crescimento de 19,4% em relação ao mesmo período de 2025. 

Cresceu também a receita vinda da exportação de carne suína in natura, que somouUS$ 22,5 milhões neste ano, alta de 57,6% e 60,7% no volume embarcado se comparado ao ano passado. 

O principal destino da carna suína sul-mato-grossense é as Filipinas, responsável por 27,41% da receita total e 2,4 mil toneladas exportadas ao país asiático. 

Em seguida, aparece a Argentina, com crescimento expressivo nas compras, avançando mais de 300% no comparativo anual, de 1,5 mil toneladas exportados, 16,58% da receita total. 

Hong Kong ficou em terceiro lugar, com 11,1% da receita e 941,1 toneladas. 

O MS respondeu por 1,6% (US$ 22,5 milhões) da receita brasileira (US$ 1,42 bilhão) com exportações de carne suína e ocupou o sexto lugar no ranking nacional. 

A suinocultura de Mato Grosso do Sul registrou crescimento de quase 50% nos últimos três anos, destaque como uma das principais frentes do agronegócio estadual. 

Segundo dados apresentados no 4º Encontro de Lideranças da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, o Estado conta atualmente com mais de 300 granjas em operação, cerca de 121 mil matrizes e uma produção anual de aproximadamente 3,6 milhões de suínos abatidos. A cadeia produtiva gera cerca de 32 mil empregos diretos e movimenta diversos setores, como produção de grãos, genética animal e serviços.

“Esse período de inverno é favorável para o consumo da carne suína. Portanto, a combinação entre a demanda externa aquecida e a expectativa de fortalecimento do consumo doméstico cria um ambiente mais favorável para reverter esse movimento de queda nos preços ao produtor”, analisou a técnica da Famasul, Eliamar Oliveira.

Balança comercial

Nos cinco primeiros meses de 2026, o agronegócio de Mato Grosso do Sul exportou US$ 4,49 bilhões. Esse resultado foi 10,3% maior ao valor no mesmo período de 2025, quando a receita havia sido de US$ 4,07 bilhões. 

O agronegócio representou 96% de tudo o que foi exportado pelo Estado. A soja respondeu por 41,7% (US$ 1,87 bilhões) das esportações do Agro. As carnes representaram 25,3% (US$ 1,13 bilhões), uma alta de 37,6% de 2025 para 2026. 

Em comparação no período, a exportação de milho foi 159,5% maior , correspondendo a 1,7%, ou seja, US$ 75,8 milhões. 

Nos cinco meses de 2026, o principal destino dos produtos do agronegócio de MS, a China, respondeu por 51,1% do faturamento com as exportações, o equivalente a US$ 2,29 bilhões, houve avanço de 16% em relação aos US$ 1,98 bilhão comprados nos cinco primeiros meses de 2025. O Bloco Europeu foi o responsável por 11,4% do faturamento, com o valor de US$ 510,8 milhões. 

Os Estados Unidos compraram o equivalente a US$ 250,4 milhões do agronegócio sul-matogrossense e representou 5,6% da receita (Gráfico 08). O Vietna com participação de 2,2% no faturamento total foi responsável por US$ 98,5 milhões com avanço de 184,6% em relação ao mesmo período de 2025.

Cartão de crédito consignado

Empresa do Banco Master ainda desconta dinheiro de servidores

Servidores públicos de MS seguem presos a descontos automáticos do cartão Credcesta, do Banco Master, liquidado no ano passado

22/06/2026 08h00

Agência do Credcesta no Centro de Campo Grande; cartão com desconto no pagamento mínimo consignado tem confundido clientes

Agência do Credcesta no Centro de Campo Grande; cartão com desconto no pagamento mínimo consignado tem confundido clientes Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Governo de Mato Grosso do Sul autorizou uma empresa, do núcleo principal do escândalo do Banco Master, a acessar o sistema de folha de pagamento de seus servidores sem verificar que ela não constava na lista de instituições financeiras reguladas pelo Banco Central do Brasil (BC).

Três anos depois, há mais de 500 ações tramitando no Tribunal de Justiça  de Mato Grosso do Sul (TJMS) por contratação indevida e outros processos, a maioria de servidores aposentados e idosos, contra a PKL One Participações S.A., empresa ligada ao Master que gere o cartão Credcesta.

Até 2025, o Banco Master acumulou R$ 1,9 bilhão em operações na categoria Reserva de Cartão Consignado (RCC), conforme dados do Ministério da Previdência obtidos via Lei de Acesso à Informação.

Desde março de 2023, a PKL One Participações S.A. opera no eConsig, o sistema estadual de consignações, com base em convênio firmado pela Secretaria de Estado de Administração de Mato Grosso do Sul (SAD). 

Em setembro de 2025, foi um juiz da 2ª Vara Bancária de Campo Grande quem constatou que a empresa “não compõe a lista de instituições financeiras” do BCB. A SAD não havia verificado. 

Hoje, o Estado mantém um convênio com a operadora de um produto ligado a dois bancos que o próprio Banco Central liquidou.

O produto é o Credcesta, cartão de crédito rotativo com desconto automático em folha, emitido pelo Banco Master S.A..

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro de 2025, após identificar “grave crise de liquidez” e “violações às normas” do sistema financeiro nacional. 

A operação migrou então para o Banco Pleno, controlado pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master. Em 18 de fevereiro deste ano, o Banco Central liquidou também o Pleno.

Com os dois bancos sob intervenção federal, os descontos em folha continuam. O convênio do Estado de MS com a PKL One Participações S.A., renovado em março de 2025, oito meses antes da primeira liquidação, segue em vigor.

Com os bancos liquidados, as execuções dos contratos de crédito seguem sob custódia do Banco Central, que é quem faz a gestão dos ativos do banco liquidado e do pagamento aos credores das instituições. 

A renovação que não deveria ter ocorrido

Quando a SAD assinou o Convênio nº 9/2023 com a PKL One Participações S.A., em 14 de março de 2023, identificou a empresa no documento como “Banco PKL One Participações S.A.”, denominação com a palavra “banco” que não corresponde a nenhuma autorização do BC.

As signatárias pelo Estado foram a então secretária de Administração, Ana Carolina Araujo Nardes, e a representante do PKL One Participações S.A., Ana Paula de Almeida Pithon.

Em março de 2025, quando o histórico de fraudes e assédio a servidores já estava documentado em ações judiciais por todo o País, a SAD firmou o Convênio nº 5/2025, renovando o credenciamento da PKL One Participações S.A. até o dia 10 de março de 2027.

O documento foi assinado por Frederico Felini secretário de Administração, Ana Paula de Almeida Pithon e Andrea Lima Novaes.

O Decreto Estadual nº 16.066/2022, que regula as consignações em folha do Poder Executivo de MS, prevê que consignatárias devem demonstrar regularidade para se credenciar.

Não há registro público de que a SAD tenha verificado, antes de assinar qualquer dos dois convênios, a situação da PKL One Participações S.A. perante o Banco Central.

Como o produto chegou aos servidores

O perfil majoritário é de servidores públicos idosos, com problemas de saúde, pouco conhecimento financeiro ou traquejo digital. Pessoas que contrataram o empréstimo por telefone, sem entender muito bem do que se tratava.

O problema em Mato Grosso do Sul é parte de um fenômeno documentado em todo o País. Somente no Tribunal de Justiça da Bahia, onde o produto nasceu com autorização exclusiva do governo estadual em 2018, existem mais de 10.200 ações envolvendo o Credcesta. 

A liquidação do Master expôs ainda outro problema: a instituição teria vendido R$ 12,2 bilhões em operações de crédito ao Banco de Brasília (BRB), com contratos do Credcesta entre os ativos negociados, segundo investigação da Polícia Federal (PF). 

O Master é alvo das Operações Overclean, Farol na Colina e Compliance Zero. Na quinta-feira, nova fase da Compliance Zero cumpriu mandados de busca e apreensão.

Para quem contratou o Credcesta até setembro de 2025, os descontos continuam atrelados ao Master, sem resposta do liquidante. Para quem contratou depois, o responsável passou a ser o Banco Pleno, também liquidado. 

Apenas o Governo do Paraná bloqueou os descontos do Credcesta em folha após a liquidação do Master. Em Mato Grosso do Sul, o Convênio nº 5/2025 segue vigente.

Limbo dos servidores

Os 500 processos no TJMS identificados em consulta ao portal e-SAJ registram, em seus autos, o resultado prático dessa omissão.

Os casos seguem um padrão: servidores e aposentados que acreditavam ter contratado empréstimo consignado com prazo definido e passaram anos com descontos que não amortizavam a dívida, sem contratos em mãos, sem respostas da empresa, sem saída.

Um dos casos mostra uma servidora aposentada e idosa que tem dois contratos simultâneos do Credcesta no eConsig, que geram descontos de R$ 441,31 e R$ 258,71 mensais, respectivamente.

Sobre uma renda líquida de R$ 1.404,91, os dois cartões consomem R$ 700,02, ou seja, quase metade do salário. 

A notificação extrajudicial enviada ao endereço [email protected] em dezembro de 2024 não obteve resposta.

O processo foi extinto em primeira instância por questão processual e restabelecido pelo TJMS em março deste ano.

Em outro caso, um servidor acumula R$ 1.670,10 descontados desde novembro de 2023. Em juízo, PKL One Participações S.A. afirmou não possuir documentos da contratação e alegou que “a responsabilidade seria do Banco Master”, mas é a PKL One Participações S.A. que consta como consignatária no eConsig do Estado.

Uma servidora da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), que pediu anonimato, apresentou à reportagem uma Autorização de Desconto com o campo de assinatura em branco. Afirma nunca ter recebido o cartão físico.

Outro militar aposentado da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS), teve R$ 3.390,49 descontados nos últimos dois anos, encerrando fevereiro deste ano com líquido de R$ 1.203,39. 

CredCesta

A propaganda do produto chegou a MS com linguagem cuidadosamente construída: “sem taxa de anuidade, sem taxa de serviço, sem taxa de entrega”, “juros mais baixos que os demais cartões convencionais”, “desconto mínimo de apenas 5% na folha”. O material listava ainda descontos em farmácias, seguro de vida e assistência funeral.

O nome Cartão Benefício Consignado completava a impressão de um produto simples e seguro. Para o servidor público, “consignado” tem significado preciso: prazo definido, parcela fixa, fim certo. O Credcesta não funciona assim.

Trata-se de cartão de crédito rotativo na modalidade Reserva de Cartão Consignado (RCC) de Benefício. O desconto mensal em folha cobre apenas o pagamento mínimo da fatura, 5% da remuneração bruta. 

O saldo restante não é amortizado: acumula juros de até 2,46% ao mês, teto fixado pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), superior ao limite de 1,85% ao mês do consignado tradicional. A taxa pode atingir 95,22% ao ano.

O banco dizia, por exemplo, que um servidor poderia pegar R$ 1 mil e pagar em 96 parcelas. Como essas parcelas vêm descontadas como “Credcesta” no contracheque, o servidor acreditava que estava pagando um consignado.

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