Levantamento do SPC Brasil mostra aumento no total de devedores e de dívidas na Capital, com maior concentração entre consumidores de 30 a 39 anos
O número de consumidores inadimplentes em Campo Grande registrou crescimento de 8,42% em dezembro de 2025, na comparação com o mesmo mês em 2024, segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). O índice ficou acima da média da região Centro-Oeste (8,07%) e abaixo da média nacional (10,17%).
De novembro à dezembro, o aumento foi de 1,23%, também superior à variação regional no mesmo período (0,82%). O levantamento considera informações consolidadas de todas as bases às quais o SPC Brasil tem acesso.
Além do crescimento no número de devedores, os dados apontam avanço ainda mais expressivo no volume de dívidas. Em dezembro, o total de débitos em atraso de moradores de Campo Grande subiu 18,82% em relação a dezembro de 2024, percentual acima da média do Centro-Oeste (15,83%) e do Brasil (17,14%).
No comparativo mensal, o número de dívidas cresceu 2,63%, mais que o dobro da variação registrada na região.
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campo Grande, Adelaido Figueiredo, os indicadores apontam que as famílias estão enfrentando dificuldades financeiras, o que demanda atenção do comércio na área.
“O crescimento simultâneo do número de devedores e do volume de dívidas mostra que o consumidor segue com dificuldade para equilibrar o orçamento. Esse cenário impacta diretamente o varejo e mostra a importância de planejamento financeiro, renegociação e uso responsável do crédito”, afirma.
Perfil dos endividados
A maior concentração de consumidores negativados em Campo Grande está na faixa etária de 30 a 39 anos, o que representa 26,13% do total, seguida pelos grupos de 40 a 49 anos (22,78%) e 50 a 64 anos (21,69%). A idade média dos inadimplentes é de 45,5 anos.
A distribuição por sexo permanece equilibrada, com 51,17% de mulheres e 48,83% de homens.
Em dezembro, cada consumidor negativado da Capital possuía, em média, R$ 6.475,72 em dívidas, considerando a soma de todos os débitos. Do total, 24,04% tinham dívidas de até R$ 500, percentual que sobe para 35,87% quando consideradas pendências de até R$ 1.000.
O tempo médio de atraso é de 29,1 meses, o equivalente a aproximadamente 2,4 anos, sendo que 35,66% dos inadimplentes acumulam dívidas entre um e três anos.
Bancos concentram maior parte das dívidas
O levantamento mostra que o setor bancário concentra a maior parcela das dívidas em atraso em Campo Grande:
- bancos - 67,6%;
- comércio (8,49%);
- água e luz (9,06%);
- outros setores (11,82%);
- comunicação (3,03%).
Outro dado relevante é o número médio de compromissos financeiros por consumidor. Em dezembro, cada inadimplente da Capital possuía 2,47 dívidas em atraso, volume superior à média do Centro-Oeste (2,35) e do Brasil (2,23).
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