Quinta, 23 de Novembro de 2017

Venda de mudas de espécies nativas avança

1 MAR 2010Por 04h:33
As vendas de mudas para produção de florestas não têm crescido somente no setor comercial – o de florestamento (para produção de papel e energia) – mas também no de reflorestamento, com o plantio de espécies nativas para recomposição de áreas naturais. Na empresa Geonativa Florestal, uma das principais do segmento em Mato Grosso do Sul, esse tipo de muda responde hoje por 80% da procura, e registrou um acréscimo de 30% na comercialização no último ano. Segundo a engenheira agrônoma da Geonativa, Vanuza Borges de Oliveira, os orçamentos neste início de ano já ultrapassam 100 mil mudas e o motivo para o aquecimento do setor está ligado ao maior rigor do governo em relação à exigência de que toda propriedade rural tenha pelo menos 20% de florestas nativas. Isso significa que os proprietários de áreas que desmataram têm a obriga- Isso porque duas novas empresas deverão se instalar no eixo Campo Grande – Três Lagoas, que responde por cerca de 80% da produção estadual de madeira comercial. Está previsto para até dezembro deste ano o início das atividades da Siderúrgica de Três Lagoas (Sitrel) no município, e a Portocel Celulose deve definir onde irá se fixar, já que confirmou sua vinda para Mato Grosso do Sul, porém não apontou ainda em qual região. Hoje são mais de 290 mil hectares no Estado destinados a produção de eucalipto para papel, celulose e combustível em siderúrgicas (carvão), e outros 17 mil de pinus – utilizado principalmente na produção de móveis. Segundo o diretor da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore/MS), Benedito Mário Lázaro, a atividade responde por 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, puxados basicamente pelas empresas de Celulose e Papel Fibria e International Paper. “É um setor que está sendo fomentado e promete mais expansão. Isso gera boas perspectivas porque, com a vinda crescente de empresas, o mercado se amplia”, diz, explicando que esta é a oportunidade não só para os que plantam exclusivamente florestas, mas também para o sistema silvipastoril, que deve crescer, já que a atividade é uma alternativa interessante para diversificação na propriedade rural. ADRIANA MOLINA ção fazer o reflorestamento de, no mínimo, 20%. “O que percebemos é que os órgãos públicos têm sido rígidos nessa cobrança, o que aumentou significativamente a procura por mudas de ipê, angico e jatobá, principalmente”, comenta. Para se ter uma idéia do crescimento, a empresa, em todo o ano passado, vendeu cerca de duas mil mudas para reflorestamento. Neste ano, os orçamentos de compra totalizam 100 mil, entre os meses de janeiro e fevereiro. A empresa possui 52 espécies de mudas nativas e atende todo o Mato Grosso do Sul. O diretor da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore/ MS), Benedito Mário Lázaro, também credita o crescimento ao rigor da fiscalização da lei. “Na Secretaria de Meio Ambiente não se consegue tirar nenhum documento sem estar com sua reserva legal de 20% em dia. E todo produtor precisa do aval da Sema para sua atividade”, explica. Além da maior cobrança do governo, os produtores têm, segundo o assessor técnico em agricultura da Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), Lucas Galvan, mudado sua mentalidade em relação á preservação. “Eles estão correndo atrás, e cada dia mais preocupados com o clima, o solo, e sabem que se isso não estiver indo bem eles serão os principais prejudicados”, afirma. (AM)

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