Sexta, 24 de Novembro de 2017

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Várias em uma

31 JAN 2010Por 07h:26

Se há uma mulher que sabe bem o

que quer é Adriana Garambone. Formada

nos palcos, o que a intérprete

da recatada Maura de “Poder paralelo”

mais busca são personagens que

exijam o máximo de sua capacidade

de atuar. E é exatamente isso que ela

mais valoriza na história de Lauro César

Muniz. “Não há espaço para cenas

rasas nas novelas do Lauro. Às vezes

leio uma coisa e me questiono durante

horas como vou conseguir transparecer

aquilo”, argumenta. Escolhida pelo

próprio autor para a novela, Adriana

emenda um trabalho em outro na Record

desde 2005, quando encarnou a

antagonista Adelaide em “Essas mulheres”,

escrita por Marcílio Moraes. E

não esconde sua preferência por esse

papel entre quase todos os outros de

sua trajetória televisiva. “Nunca vou

esquecer o prazer que tive ao fazer

essa novela. ‘Essas mulheres’ e ‘Poder

paralelo’ são meus grandes trabalhos

na tevê”, valoriza ela, que completa 40

anos em 2010.

Sua personagem em “Poder paralelo”

passou por várias mudanças

ao longo dos capítulos. Foi difícil

encontrar as nuances certas para

definir cada fase?

R – Foi. Demorou um pouco para

que eu entendesse bem essa mudança.

O Lauro César Muniz escreve de uma

maneira profunda, não existem cenas

rasas na novela. Ao mesmo tempo, nos

folhetins tudo é sempre corriqueiro.

Você fala de valores ou de sentimentos

profundos no meio das refeições.

Mas o que achei muito bacana é que

essas transformações foram feitas lentamente,

sempre mexendo com as características

interiores da personagem.

Claro que houve uma mudança externa

também e que adorei – até porque meu

figurino tinha bege demais –, mas no

final essa história serviu para resgatar

um comportamento feminino que até

existe, mas anda desvalorizado.

A que comportamento você se

refere?

R - Acho que toda essa busca pela

liberdade feminina deixou a mulherada

mais “doidinha”. Na verdade, algumas

se liberaram demais. Esse retorno

à mulher que gosta da casa, que cuida

da família, que é chique mesmo tendo

um corpão, isso é bem legal. Gosto de

me preservar e me sinto bem quando

vejo pessoas assim. Não é que esse tipo

de mãe não exista mais, o problema é

que só chama atenção hoje as que têm

coxas gigantescas e ainda colocam um

saltão. Acho horroroso! A vulgaridade

está muito valorizada hoje e isso não é

um senso comum.

Como é o retorno de público?

R – Muito grande. É impressionante.

Quando eu fazia “Amor e intrigas”, não sei

se a personagem não agradava tanto, mas

era menor. Agora, em qualquer lugar que

eu vou, tem alguém falando da novela.

Muita gente diz que não se vê mais mulheres

como a Maura. E, é claro, comentam

sempre da máfia. Até porque ela está

cercada de pessoas que são diretamente

ligadas às organizações criminosas.

Você praticamente emendou uma

novela na outra nesses cinco anos de

Record. Não sente necessidade de se

distanciar da tevê por um período?

R – Nem sempre a gente consegue fazer

o que imagina. E não dá para pensar

apenas individualmente. Muitas vezes

o que é melhor e mais confortável para

mim não é para a empresa. Mas a grande

verdade é que acontece muito de um ator

querer descansar, sumir um pouco do ar

e receber um daqueles personagens irrecusáveis.

Aí você vai e faz. Antes de ser escalada

para “Poder paralelo”, eu tinha ganhado

férias da casa. Mas o Lauro queria

que eu fizesse. Você também tem de pesar

se vale a pena recusar um papel dele, no

horário nobre e com a densidade que a

Maura tem. Por isso, se aparecer outro

personagem assim em breve, posso voltar

ao ar mais rápido do que o esperado.

Você está na Record há cinco anos

e seu contrato vence em 2010. Você

pretende renovar?

R - Estou muito satisfeita na Record.

Nesses cinco anos, nossa estrutura de

dramaturgia cresceu muito. Hoje em

dia, quem entra numa emissora como

a Record e não se dá conta do poder que

ela conquistou não merece estar nela.

Não tenho a ilusão de que a Globo é a

única. Posso falar por mim: ganho bem,

sou respeitada e recebo, quase sempre,

excelentes personagens. Então, para que

vou desejar sair? Tenho certeza de que

encontraria na Globo, hoje, os mesmos

problemas de 10 anos atrás. Nenhuma

outra empresa cresceu tanto em tão

pouco tempo como a Record.

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