Sexta, 24 de Novembro de 2017

Valter Pereira: “não subo no palanque de André Puccinelli”

28 JUN 2010Por 06h:22
adilson trindade e fernanda brigatti

Ao deixar a convenção regional do PDT, o senador Valter Pereira (PMDB) não escondeu a sua mágoa com o governador André Puccinelli (PMDB) por prejudicá-lo nas prévias que indicaram o candidato do partido ao Senado. “Não subo no palanque de André”, declarou. Ele não participou da convenção do PMDB, mas fez questão de prestigiar e discursar na do PDT. Em tom irônico, disse que “cumpro um ritual, passei por lá (pela convenção do PMDB). Passei de avião”.

O senador evitou dar declaração de apoio explícito à candidatura do ex-governador José Orcírio dos Santos (PT) na sucessão estadual. Mas no discurso, disse que estará lutando pela “vitória da democracia sobre a arrogância”.

O que está definido por Valter é a sua ausência na campanha do governador André Puccinelli. E não pretende voltar atrás de sua decisão. “Com o governador estou rompido. Rompimento é rompimento”, disse, em entrevista aos jornalistas. “Eu não ia subir na tribuna do Senado para depois subir no palanque dele. Na campanha  do André, eu não entro. Não subo, não subo”, ressaltou o senador, que é um dissidente assumido do PMDB decidido a trabalhar pela derrota do candidato do seu partido na sucessão estadual.

Mas admite que terá de votar em um candidato a governador. A candidatura de José Orcírio seria uma opção para ajudar a impedir a reeleição do seu desafeto, André Puccinelli. Ele não assumiu, pelo menos publicamente, a sua intenção de apoiar o candidato petista.
Questionado se fará campanha de José Orcírio, o senador peemedebista saiu pela tangente. “Entre a iniciativa de prestigiar a convenção (do PDT, coligado com o PT) e entrar em uma campanha tem uma distância muito grande”, explicou, de forma genérica. Ele não diria que a sua participação na convenção seria também indicativo de, no decorrer da campanha eleitoral, assumir a candidatura de José Orcírio. O senador considera a sua atitude de comparecer à convenção a “um gesto de cortesia”.

Mas muda de tom quando perguntado se vai fazer a campanha de Dilma Rousseff, em Mato Grosso do Sul, para a Presidência da República. “Eu subo no palanque da Dilma”, declarou. Ele deixou claro, com isto, que estará distante da campanha do tucano José Serra na corrida presidencial, contrariando a orientação do PMDB local de se aliar ao PSDB.

No palanque de Dilma, ele admite dividir o mesmo espaço com o ex-governador José Orcírio. Mas fugiu, de novo, das perguntas de apoiar o candidato petista na sucessão estadual. “Eu falei aqui dos compromissos nacionais”, esquivou-se o senador.

Senado
Valter não estará engajado na campanha do deputado federal Waldemir Moka (PMDB) na disputa para o Senado. Ele vai estar empenhado em derrotá-lo apoiando a candidatura do senador Delcídio do Amaral (PT) e do deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT). Valter sentiu-se à vontade na convenção do PDT, fez discurso em defesa da eleição dos dois candidatos a senador.

E num discurso contundente, Valter declarou estar prestando homenagem a um partido que é democrático. “Presto aqui a minha homenagem. Foi desenhado lá em Brasília um projeto comum que se alastrou País afora. Tem a consonância que garanta a vitória da democracia sobre a arrogância, a vitória da democracia e da liberdade, que é isso que a população do Brasil e de Mato Grosso do Sul esperam”, afirmou.

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